Elisandra Souza https://folhasaude.com.br/a-adolescencia-criminosa-sob-a-otica-psicanalitica/ Wed, 30 Apr 2025 20:14:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://folhasaude.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Five-Icon-Folha1-150x150.png Elisandra Souza https://folhasaude.com.br/a-adolescencia-criminosa-sob-a-otica-psicanalitica/ 32 32 A Adolescência Criminosa sob a Ótica Psicanalítica  https://folhasaude.com.br/a-adolescencia-criminosa-sob-a-otica-psicanalitica/ https://folhasaude.com.br/a-adolescencia-criminosa-sob-a-otica-psicanalitica/#respond Wed, 30 Apr 2025 20:14:46 +0000 https://folhasaude.com.br/a-adolescencia-criminosa-sob-a-otica-psicanalitica/ A pergunta sempre continua à mente: por que um adolescente faz isso? A transgressão é, conhecidamente, parte fundamental da adolescência, pois é através dela que o jovem questiona valores e se constitui como sujeito. Contudo, para que a transgressão seja produtiva (como mentir aos pais ou cabular aula), é necessário que existam leis bem estabelecidas e que não produza efeito destrutivo.

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O filme “Adolescência”, que retrata um jovem que assassina uma colega a facadas, evidencia uma problemática complexa:  os adolescentes como parte ativa nos crimes. Obviamente, isso não é nenhuma novidade. São inúmeros os casos que vemos de adolescentes participantes em crimes, inclusive como “os cabeças”.

A pergunta sempre continua à mente: por que um adolescente faz isso? A transgressão é, conhecidamente, parte fundamental da adolescência, pois é através dela que o jovem questiona valores e se constitui como sujeito. Contudo, para que a transgressão seja produtiva (como mentir aos pais ou cabular aula), é necessário que existam leis bem estabelecidas e que não produza efeito destrutivo.

Porém, quando as leis introdutórias, de constituição faltam—seja pela ausência de figuras adultas que representem a lei, seja por uma cultura que glorifica a satisfação irrestrita—, a pulsão agressiva pode se manifestar de forma brutal. 

O bullying, a falta de limites e a ilusão de onipotência (“tudo posso”) contribuem representam essa dinâmica. O adolescente criminoso não surge “do nada”. Muitas são as possíveis motivações, mas não é “do nada”. Para a psicanálise, ele pode ser fruto de uma estrutura psíquica fragilizada, onde o superego (internalização das normas) não se constituiu adequadamente; ou porque o adolescente vê na maldade uma forma válida de expressão social. Questões que não, necessariamente, são patologias. Por isso, o criminoso não deve ser colocado como doente mental, imediatamente.

A abordagem psicanalítica não busca justificar o crime, mas entender sua gênese na constituição do sujeito, considerando fatores como o inconsciente, o superego, as pulsões agressivas e a relação (ou falta dela) com a lei.  A psicanálise pode ser um acalanto em certas explicações, mas pode também ser dura, pois implica o sujeito. Para a psicanálise não adianta nada jogar a culpa no mundo e não enxergar aquilo que é próprio do sujeito nesta produção social.

De certo, sabemos que a adolescência sempre se encarregou das transgressões sociais e das transgressões das regras familiares. O adolescente, na sua formação, desconstrói os limites impostos para construir um ser em si, em outras palavras, vai se tornando sujeito na medida em que interroga valores e regras – e, por vezes, as transgride. Essa transgressão não significa crime. Contudo, para haver possibilidade de transgressão é necessário lei, limitação e regras bem estabelecidas.

Freud demonstra que o ser humano é movido por pulsões—energias que unem instinto e afeto—, às quais, se não forem direcionadas e reprimidas, podem levar à destruição. A civilização só existe porque o homem aprendeu a limitar seus impulsos, reconhecendo que “nem tudo pode”. No entanto, a sociedade contemporânea, marcada pelo individualismo e pela permissividade, enfraquece essa contenção. O adolescente atual, muitas vezes, cresce sem referências claras de autoridade, em um ambiente onde normas são frágeis e o prazer imediato é valorizado acima da construção simbólica do desejo. 

Atualmente, o que parece é atuação do princípio do prazer, onde a descarga pulsional direta não carrega em si nada de criatividade, nem nenhuma sublimação. É a satisfação pela satisfação. O indivíduo quer, ele faz. Acredita no direito de fazer o que quer, pois tudo lhe é permitido numa sociedade individualista.

Mas nossa cultura não propaga somente o individualismo, também amplia a necessidade do espetáculo como forma de ser e existir na sociedade. E com essa mistura nasce um sujeito que se guia pela satisfação pessoal, anulando ou culpando o mundo pelas suas não conquistas e espetacularizando seus pensamentos e ações. Dessa junção – individualismo e espetacularização – temos a fórmula de como o sujeito se relaciona consigo e com o outro. Não é incomum as pessoas reclamarem dos outros porque esses “outros” só fazem o que querem, desrespeitam, não se responsabilizam, sem perceber que fazem o mesmo.

O adolescente de hoje é infeliz! É infeliz porque acredita que tudo pode, pois lhe será dado. É infeliz porque não tem a possibilidade de desejar e ser criativo. É infeliz porque não tem a chance de boas transgressões. Há algo que o adolescente de hoje não sustenta. Estruturalmente não sustenta – o que se é e nem sua relação com o outro. Enquanto, as leis e as regras forem vistas como inimigas da constituição do sujeito, enquanto o discurso do “tudo eu posso” se sobrepor ao “olhar o outro” e enquanto os prazeres tiverem o “dever” de serem satisfeitos negando a realidade e a sociedade, continuaremos a assistir atuações pulsionais em forma de comportamento social, seja na agressividade da violência, na luxúria do sexo fácil e liberto, na negação do outro e na supremacia de um “eu” vazio.

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Os Perigos dos Vícios em Tela https://folhasaude.com.br/os-perigos-dos-vicios-em-tela/ https://folhasaude.com.br/os-perigos-dos-vicios-em-tela/#respond Thu, 27 Mar 2025 20:35:07 +0000 https://folhasaude.com.br/os-perigos-dos-vicios-em-tela/ Cada vez mais, as telas se tornam parte de nossas vidas. Não estar conectado é basicamente não existir neste mundo pós-moderno e tecnológico. Para todas as atividades do dia-a-dia, o uso da tela, do celular, internet se tornou uma espécie de introjeção identificatória. Parafraseando Descartes: “Sou tecnológico, logo existo!”

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O Impacto do Uso Excessivo das Telas: Como a Tecnologia Está Moldando Nossas Vidas e Comprometendo o Bem-Estar Psicológico.

Cada vez mais, as telas se tornam parte de nossas vidas. Não estar conectado é basicamente não existir neste mundo pós-moderno e tecnológico. Para todas as atividades do dia-a-dia, o uso da tela, do celular, internet se tornou uma espécie de introjeção identificatória. Parafraseando Descartes: “Sou tecnológico, logo existo!”

Para aqueles que resistem à tecnologia, o mundo vai ficando mais complexo: ir ao banco, fazer compras, estacionar etc, exigem-se aplicativos que pouco a pouco vão moldando também nosso modo de ser. A tecnologia torna-se nossos braços e pernas, e mais além, nossa intelectualidade e cognitivismo. Quem já não se sentiu perdido porque não tinha uma tela para uma “busca” rápida?

O problema é que o uso excessivo das telas pode gerar impacto negativo na vida psicológica do sujeito, em diferentes faixas etárias, destacando os riscos para crianças e adolescentes. Atualmente, diversos estudos são desenvolvidos, confirmando que esse exagero afeta o desenvolvimento cognitivo e social de crianças, aumenta a ansiedade e a depressão em adolescentes e compromete a produtividade e as relações interpessoais dos adultos.

Outro ponto a ressaltar é o olhar para a exploração mais profunda sobre as causas culturais e sociais que perpetuam essa dependência, como a pressão por produtividade no trabalho e a busca por validação nas redes sociais. Além disso, uma análise crítica sobre o papel das empresas de tecnologia, que muitas vezes projetam dispositivos e plataformas para serem viciantes.

O vício acontece porque atua nos mecanismos de satisfação e prazer psíquicos. A partir da pulsão, denominada por Freud de escópica, existe uma descarga pulsional que geral prazer ao olhar repetitivamente os mesos temas. É assim que se dá o vício em pornografia, que também depende do olhar. Bem como, é essa pulsão que age mais fortemente no voyerismo e no exibicionismo.

O problema do vício é que ele integra o ser de tal forma, que o objeto do vício passa a fazer parte do próprio ser, por isso é tão difícil a pessoa perceber que existe um vício. O objeto do vício (tela, cigarro, pornografia, jogo etc) são externos, mas quando se tornam viciantes ficam introjetados no ser, como parte do próprio corpo ou do psiquismo.

As crianças são particularmente vulneráveis ao uso excessivo de telas. Estudos indicam que o tempo prolongado diante de dispositivos eletrônicos pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e social dos pequenos. Os adolescentes também sofrem impactos significativos com o uso excessivo de telas, especialmente das redes sociais. O constante bombardeio de informações, a busca incessante por curtidas e aprovação social e a exposição a padrões irreais de beleza e sucesso podem levar a um aumento da ansiedade e da depressão. Os adultos também não estão imunes aos efeitos negativos do vício em telas. O uso excessivo de dispositivos eletrônicos no ambiente de trabalho pode levar à queda na produtividade e ao aumento do estresse. Muitos trabalhadores encontram dificuldades para se desconectar, verificando e-mails e mensagens fora do horário de expediente, o que compromete o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

O vício em telas é um problema crescente e que afeta indivíduos de todas as idades. É fundamental adotar medidas para reduzir esse impacto e resgatar a importância das relações humanas, do tempo de qualidade e da vida fora das telas. O futuro depende de um equilíbrio entre tecnologia e bem-estar.

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Narcisismo ou personalidade forte: um ego incompreendido? https://folhasaude.com.br/narcisismo-ou-personalidade-forte-um-ego-incompreendido/ https://folhasaude.com.br/narcisismo-ou-personalidade-forte-um-ego-incompreendido/#respond Tue, 11 Mar 2025 17:38:16 +0000 https://folhasaude.com.br/narcisismo-ou-personalidade-forte-um-ego-incompreendido/ No nosso mundo hiperconectado, a palavra “narcisista” é usada com uma frequência alarmante. A mídia social, com suas imagens selecionadas e busca incansável por validação, parece amplificar essa tendência, levando a um mal-entendido generalizado sobre o que constitui o verdadeiro narcisismo e promovendo um clima de julgamento rápido e rotulagem superficial.

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No nosso mundo hiperconectado, a palavra “narcisista” é usada com uma frequência alarmante. A mídia social, com suas imagens selecionadas e busca incansável por validação, parece amplificar essa tendência, levando a um mal-entendido generalizado sobre o que constitui o verdadeiro narcisismo e promovendo um clima de julgamento rápido e rotulagem superficial.

Este ensaio explorará o conceito de narcisismo através das lentes da psicanálise, destacando suas complexidades e diferenciando-o de personalidades fortes ou autoestima saudável. Precisamos ter cautela antes de rotular aqueles com personalidades assertivas como sofrendo de Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN).

A compreensão psicanalítica do narcisismo, desenvolvida principalmente por Sigmund Freud, é muito mais rica e mais matizada do que seu uso coloquial sugere. Freud postulou que o narcisismo é um aspecto inerente do desenvolvimento humano, começando com um estado de narcisismo primário na infância, onde a libido do bebê (energia psíquica) é totalmente focada no self. Gradualmente, conforme a criança amadurece, essa libido muda para objetos externos, um processo conhecido como relações objetais, permitindo o desenvolvimento de empatia e relacionamentos interpessoais saudáveis.

No entanto, de acordo com a psicanálise, tendências narcisistas podem ressurgir ao longo da vida. Esta seria uma condição que denomina-se narcisismo secundário, onde a libido recua de volta para o self, frequentemente como uma resposta a trauma ou sofrimento psicológico. Esta é uma distinção crucial; um senso autoestima é bem diferente da condição clínica do narcisismo.

É importante diferenciar a autoestima saudável e narcisismo patológico. Trabalhos de outros pensadores, como Jacques Rousseau, que distinguiu entre “amour de soi” (amor próprio, uma forma natural e saudável de autopreservação) e “amour-propre” (autoestima, que pode ser construída socialmente e potencialmente levar à competição e vaidade). Isso se alinha ao modelo de Freud, demonstrando que o desenvolvimento do self é uma negociação contínua entre o interno e o externo.

O DSM-5, o manual diagnóstico padrão para transtornos mentais, define que o Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN) como um padrão de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, prejudicando significativamente as relações. Esses não são simplesmente traços de uma personalidade forte ou de alguém que prioriza suas necessidades, mas sim um padrão profundamente arraigado que causa sofrimento e dificuldades interpessoais. O texto descreve claramente os critérios diagnósticos, enfatizando a gravidade e a abrangência desses sintomas para que um diagnóstico seja confirmado.

A sociedade contemporânea, no entanto, frequentemente confunde personalidades fortes ou comportamento egoísta com narcisismo patológico (TPN). A pressão para alcançar, se destacar e projetar uma imagem de sucesso pode contribuir para essa interpretação errônea. Embora assertividade, ambição e autoconfiança sejam atributos positivos, um foco excessivo na autoimportância, juntamente com uma falta de empatia genuína e comportamento explorador em relação aos outros, indica um problema mais profundo.

Mais ainda, há um evidente impacto das mídias sociais nesse fenômeno. A ênfase na autoapresentação e validação online pode exacerbar tendências narcisistas, tornando mais difícil distinguir entre autopromoção saudável e o narcisismo doentio. Isso ocorre porque as mídias sociais frequentemente encorajam a criação de um eu idealizado e com curadoria, tornando a linha entre autoestima e um transtorno de personalidade narcisista muito tênue.

Concluindo, a compreensão psicanalítica do narcisismo é complexa e multifacetada. É crucial distinguir entre os estágios normais de desenvolvimento do narcisismo e a condição clínica do narcisismo patológico, um transtorno de personalidade grave caracterizado por padrões específicos de comportamento e interações interpessoais. Devemos nos envolver em observações mais ponderadas e evitar as armadilhas da rotulagem precipitada, especialmente na era das mídias sociais, onde apresentações superficiais facilmente nos enganam. Somente profissionais de saúde mental qualificados podem diagnosticar e tratar o Transtorno de Personalidade Narcisista com precisão.

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A Lógica Perversa: uma exploração psicanalítica da perversão e do poder https://folhasaude.com.br/a-logica-perversa-uma-exploracao-psicanalitica-da-perversao-e-do-poder/ https://folhasaude.com.br/a-logica-perversa-uma-exploracao-psicanalitica-da-perversao-e-do-poder/#respond Sat, 22 Feb 2025 17:36:45 +0000 https://folhasaude.com.br/a-logica-perversa-uma-exploracao-psicanalitica-da-perversao-e-do-poder/ Na travessia entre o conhecido e o desconhecido da mente humana, a psicanálise nos oferece um espelho de enigmas e complexidades.

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Na travessia entre o conhecido e o desconhecido da mente humana, a psicanálise nos oferece um espelho de enigmas e complexidades. Quando falamos sobre perversão, precisamos deixar de lado as ideias rasas e estereotipadas, aquelas que a associam meramente a atos desviantes. Neste palco psicanalítico, perversão é uma estrutura intrincada, forjada no inconsciente, onde o poder e a negação das realidades psicológicas mais fundamentais se entrelaçam.

No coração desse entendimento está a noção de “castração” — não no sentido literal, mas como um símbolo. Essa castração representa a necessidade de abdicar das fantasias onipotentes da infância, aceitar os limites da realidade e aprender a viver em sociedade. É uma etapa crucial do desenvolvimento, onde se torna necessário reconhecer o outro, diferenciar o self. O pervertido, no entanto, se esquiva desse acordo tácito, navegando num mar de constante rejeição.

Mas o que é essa perversão, então? Em vez de um mero desvio, ela se apresenta como uma estratégia para lidar com o que não se pode admitir. Rejeitar a realidade da castração é, para eles, uma forma de evitar sentimentos de inadequação e vulnerabilidade. E essa rejeição não acontece na superfície; é um processo psicológico intricado, uma defesa tecida com finos fios de negação. Logo, o pervertido, que conhece as regras do jogo, escolhe não jogar conforme elas, criando uma atmosfera de ilusão.

Aqui, começamos a entender a manipulação envolvida. Os outros, em seu mundo, não são companheiros de jogo, mas meros instrumentos para ganho pessoal. Com um carisma enigmático, eles atraem suas vítimas, envolvendo-as em uma rede de fascínio e controle, mantendo uma distância que lhes permite evitar a vulnerabilidade. É um balé complexo, onde cada movimento é calculado e estratégico. Ao rejeitar simbolicamente essa castração, evitam o desconforto da inadequação, construindo um mundo onde regras são conhecidas, mas não aplicáveis a eles. Este mecanismo de defesa, essa denegação, advém de uma camada profunda de proteção psicológica.

Neste cenário, o pervertido se torna mestre na manipulação. Os outros não são pessoas, mas ferramentas que servem um propósito específico em sua narrativa de controle e poder. Eles criam um jogo enigmático, enredando suas vítimas em um mistério calculado que promete satisfação sem nunca, realmente, se despir de sua máscara emocional. Sem culpa ou remorso, o pervertido escapa da responsabilidade, projetando-a sobre a vítima e manipulando desejos universais como aprovação e reconhecimento.

Interessante é notar que seus esforços nem sempre se dirigem ao prazer sexual. O pano de fundo de suas buscas pode ser o poder, o status ou simplesmente a admiração passiva dos outros. Cada objeto de desejo atua como uma placa que marca tanto a falta quanto a recusa de aceitar essa falta.

Entretanto, é importante destacar que essa dinâmica não vem sem custos. Sustentar essa realidade exige um esforço contínuo, uma dança exaustiva que consome energia e atenção. O pervertido se torna um artista de sua própria construção, exibindo habilidades sociais que encobrem uma fragilidade profunda que nunca ousam expor. É uma dança de máscaras e jogos mentais que cobra seu preço. Manter tal fachada exige manobras incessantes, controle vigilante e uma realidade que se reinventa a cada passo. São arquitetos de suas próprias ilusões, exibindo manejos impressionantes que escondem suas vulnerabilidades.

Assim, ao olharmos para a perversão com a lente da psicanálise, somos levados a uma compreensão mais rica e matizada das origens deste comportamento. Vale ressaltar que essa visão psicanalítica não diminui a gravidade de suas ações e não serve como justificativa para atitudes abusivas e manipuladoras. Pelo contrário, oferece um instrumento de compreensão que pode enriquecer abordagens de tratamento e prevenção. Ao compreender o pano de fundo psicológico, abrimos caminhos para intervenções mais eficazes. No entanto, a linha que separa compreensão de condescendência é fina. Reconhecer a complexidade da perversão não é desculpar o dano causado, mas criar uma base sólida para enfrentar as consequências de atos manipuladores e abusivos com a seriedade e intervenção que merecem.

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Mergulhando na mente dos criminosos de colarinho branco: uma perspectiva freudiana https://folhasaude.com.br/mergulhando-na-mente-dos-criminosos-de-colarinho-branco-uma-perspectiva-freudiana/ https://folhasaude.com.br/mergulhando-na-mente-dos-criminosos-de-colarinho-branco-uma-perspectiva-freudiana/#respond Wed, 22 Jan 2025 23:13:01 +0000 https://folhasaude.com.br/?p=4078 Os crimes de colarinho branco sempre provocam reflexões sobre as motivações ocultas por trás dessas transgressões cometidas por pessoas de prestígio e poder. Apesar de diversas áreas tentarem entender e justificar esse tipo de comportamento, a complexidade intrínseca dos crimes de colarinho branco desafia o entendimento tradicional.

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Baseando-se nas teorias psicanalíticas, esta reflexão sugere que muitos criminosos de colarinho branco exibem traços consistentes com o que Freud chamou de “perversão”.

Os crimes de colarinho branco sempre provocam reflexões sobre as motivações ocultas por trás dessas transgressões cometidas por pessoas de prestígio e poder. Apesar de diversas áreas tentarem entender e justificar esse tipo de comportamento, a complexidade intrínseca dos crimes de colarinho branco desafia o entendimento tradicional.

Atualmente, percebemos uma crescente necessidade de aprofundar a investigação do lado obscuro do comportamento humano — aquele que se origina não de privações sociais ou econômicas, mas das entranhas do poder. Explorando essa questão sob uma ótica freudiana, podemos nos desviar das perspectivas tradicionais que atribuem esses atos a meros fatores sociais e reconhecer a importância do inconsciente na psique do criminoso.

Através das lentes das teorias de Sigmund Freud, podemos identificar em muitos criminosos de colarinho branco características que ele descreveu como “perversas”. No entanto, é vital compreender esse termo em seu contexto psicanalítico, aponta para uma construção de personalidade e que não se trata simplesmente de patologia, mas de uma predisposição para transgredir normas e leis, tanto internas quanto externas.

Baseando-se nas teorias psicanalíticas, esta reflexão sugere que muitos criminosos de colarinho branco exibem traços consistentes com o que Freud chamou de “perversão”. Mas é importante ressaltar que esse termo não deve ser entendido em seu sentido coloquial, mas pelo viés psicanalítico, que indica uma estrutura subjetiva, ou de forma mais simples, um jeito de ser, de se expressar, uma personalidade que não indica patologia simplesmente, mas que aponta a possibilidade de desvio de leis internas e externas.

A estrutura em psicanálise é uma construção que acontece desde a infância, a partir das experiências vividas, das relações e da forma como cada um lida com imposições e conflitos, durante os estágios conhecidos em psicanálise como fases do desenvolvimento psicossexual. Para pensar no comportamento delitivo, conceitos psicanalíticos como id, ego e superego, pulsão e inconsciente são utilizados. Neste contexto, conceitos como id, ego e superego se tornam fundamentais para entender a dinâmica interna que leva ao comportamento criminoso. O id busca satisfação irracional; o superego aplica as normas internalizadas, e o ego tenta equilibrar essas forças, na relação com o ambiente vivido. Quando esse equilíbrio desestabiliza, pode permitir a expressão de comportamentos egoístas e transgressivos.

Nesse jogo entre as instâncias formadoras do sujeito, é a possibilidade de lidar com as leis, os valores, os símbolos, as relações parentais que irão ditar sobre a formação da personalidade do criminoso de colarinho branco. Uma explicação possível para este tipo de crime pode estar no fato do sujeito ter marcas que o façam acreditar que ele ‘pode tudo’. O caráter manipulador, sedutor e explorador aparece desde a infância nos jogos, nas articulações com os colegas, na tentativa de se sobressair a qualquer custo, e que se repetem ao longa da vida, inclusive fazendo o sujeito criar situações para que sua satisfação aconteça.

O panorama de um criminoso de colarinho branco é frequentemente associado a uma “personalidade narcisista”, que busca afirmação, poder e uma sensação inflada de importância, que em certos ambientes, é propício para infrações. Nessas situações, a questão não se resume apenas a ganhos materiais, mas envolve a posição e o poder que tais indivíduos tentam consolidar.

Além disso, a estrutura perversa, quando descontrolada e voltada a causar dano, é muitas vezes associada ao que se entende popularmente por psicopatia. Embora a psicopatia seja vista por diversas disciplinas como um transtorno caracterizado pela ausência de remorso e comportamento manipulador, sua presença entre criminosos de colarinho branco não pode ser etiquetada imediatamente. A psicanálise tenta diferenciar o perverso do psicopata, pela intenção deste em causar sofrimento, dor, humilhação, não mais, somente, com o objetivo de poder e status.

Assim, integrar fatores sociológicos e psicológicos é crucial para desenvolver reflexões e discussões a fim de buscar estratégias eficazes de prevenção e intervenção contra esse tipo de crime. Ao aliar insights psicanalíticos a teorias sociológicas, podemos alcançar uma compreensão mais completa das nuances e complexidades dos criminosos e dos crimes de colarinho branco. Este passo é essencial não somente para identificar modus operandi, mas também para elaborar medidas que efetivamente prejudiquem essas práticas.

Para mais informações entre em contato: +5511995241143

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