Arquivo de Saúde e Bem-Estar - Folha - Saúde https://folhasaude.com.br/category/saude/ Sun, 18 Jan 2026 23:06:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://folhasaude.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Five-Icon-Folha1-150x150.png Arquivo de Saúde e Bem-Estar - Folha - Saúde https://folhasaude.com.br/category/saude/ 32 32 Terapia com cogumelos tem implementação conturbada nos EUA – 18/01/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/terapia-com-cogumelos-tem-implementacao-conturbada-nos-eua-18-01-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/terapia-com-cogumelos-tem-implementacao-conturbada-nos-eua-18-01-2026-equilibrio/#respond Sun, 18 Jan 2026 23:06:33 +0000 https://folhasaude.com.br/terapia-com-cogumelos-tem-implementacao-conturbada-nos-eua-18-01-2026-equilibrio/ Na corrida bilionária para comercializar a medicina psicodélica, a psilocibina, um alucinógeno natural mais conhecido como cogumelos mágicos, definitivamente tomou a dianteira. A FDA (Food and Drug Administration, equivalente à Anvisa nos Estados Unidos) informou em novembro que anteciparia a revisão de um tratamento com psilocibina para depressão severa em nove a 12 meses, segundo o solicitante, Compass Pathways. A empresa espera receber a aprovação da agência para a terapia antes do final do ano. A notícia está entre os primeiros sinais concretos de que a administração Trump está reconhecendo a medicina psicodélica como uma potencial ferramenta terapêutica. As medidas injetaram uma nova dose de otimismo em um campo nascente, que foi abalado pela rejeição da FDA, em 2024, da terapia assistida por MDMA, o primeiro psicodélico a chegar a uma revisão formal pelos reguladores federais. “Entre os resultados de pesquisas e mudanças políticas, este é um momento decisivo para os cuidados de saúde psicodélicos, e a psilocibina é a estrela”, diz Nate Howard, diretor de operações da InnerTrek, uma clínica de psilocibina em Portland, Oregon. Howard foi uma força motriz por trás de uma medida bem-sucedida nas urnas em 2023 que criou o programa de psilocibina do Oregon. Legisladores estaduais não estão esperando pelos reguladores da capital. No ano passado, o Novo México se juntou ao Colorado e Oregon na oferta de terapia legal com psilocibina para adultos. Legisladores em uma dúzia de estados, incluindo Carolina do Norte, Maryland, Geórgia e Califórnia, estão considerando flexibilizar as restrições sobre a droga, usando fundos públicos para pesquisar os potenciais benefícios da terapia com psilocibina. Mas a implementação do programa de Oregon nos últimos dois anos não ocorreu tão bem quanto o previsto, considerando os desafios que estados e empresas provavelmente enfrentarão à medida que a medicina psicodélica se torna mais disponível. Requisitos caros de licenciamento e pessoal tornaram o preço das sessões inacessível para muitos, levando ao fechamento de um terço dos 36 centros de serviço licenciados do Oregon. O preço de US$850 a US$3.000 (entre R$ 4.500 e R$ 16,1 mil, na cotação atual) por sessão individual reflete taxas anuais de licenciamento de cerca de e US$10.000 (R$ 53,8 mil) e regras administrativas e restrições de zoneamento que aumentam os custos operacionais de um centro. Os proprietários de negócios enfrentam outros obstáculos ligados ao fato de que a psilocibina permanece ilegal sob a lei federal; empresas de cartão de crédito não processam pagamentos, e plataformas de mídia social como Meta proíbem anúncios relacionados à psilocibina. O seguro de responsabilidade civil, segundo os proprietários, pode custar até três vezes mais do que outras práticas médicas e relacionadas à saúde pagam. “Temos uma operação bem enxuta e estamos entre os centros de atendimento de maior sucesso do estado, mas só conseguimos cobrir nossos custos”, afirma Andreas Met, diretor da Satya Therapeutics, um centro de serviços de psilocibina em Ashland, Oregon, que atende cerca de 50 clientes por mês. Uma experiência com psilocibina com um facilitador licenciado geralmente dura de cinco a seis horas, e isso não inclui as sessões de preparação e acompanhamento que os clientes são obrigados a participar antes e depois do tratamento. Um número crescente de estudos sugere que a psilocibina é eficaz no tratamento de condições complexas de saúde mental, como transtorno obsessivo-compulsivo, anorexia e transtorno por uso de álcool. Outros ensaios clínicos estão avaliando sua eficácia para dor crônica nas costas, depressão e cessação do tabagismo. Chuck Lovett, 63, um sobrevivente de abuso sexual da Pensilvânia que viajou para o Oregon no ano passado para uma sessão de psilocibina, afirma que o tratamento proporcionou alívio duradouro da depressão e pensamentos suicidas que o assombravam desde que foi abusado por um padre católico na adolescência. “A psilocibina me devolveu minha vida”, acrescenta. “Oregon oferece uma oportunidade sem precedentes para examinar como a terapia psicodélica funciona em uma população diversa”, diz Matthew Hicks, pesquisador da Universidade Nacional de Medicina Natural em Portland. Mais de 18 mil pessoas já passaram pelo programa de psilocibina do Oregon, e os dados iniciais sobre eventos adversos têm sido positivos. De acordo com a autoridade de saúde do estado, 23 incidentes exigiram serviços de emergência, o que os especialistas consideram um número baixo. Muitas chamadas envolveram clientes em sofrimento que procuraram deixar prematuramente sua sessão contra o conselho de um facilitador. Angela Allbee, que supervisiona os serviços de psilocibina na Autoridade de Saúde do Oregon, afirma que nenhum dos incidentes foi grave. “Estatisticamente falando, a terapia com psilocibina é mais segura do que jogar golfe”, diz Ryan Reid, diretor de operações e cofundador da Bendable Therapy em Bend, Oregon. O estado proíbe pessoas com esquizofrenia e psicose ativa de participar do programa, porque a droga pode desencadear ou exacerbar sintomas maníacos e psicóticos. Para aqueles sem diagnósticos psiquiátricos, os efeitos colaterais podem incluir dores de cabeça, náusea, ansiedade e flutuações na pressão arterial. Os benefícios terapêuticos da psilocibina estão ligados à capacidade da droga de temporariamente reconectar o cérebro, ajudando os pacientes a quebrar o ciclo de pensamento negativo que é a marca registrada de muitas condições de saúde mental difíceis de tratar. O fechamento de tantos centros, no entanto, destaca falhas no programa do Oregon. Restrições de zoneamento que limitam onde os centros de serviço podem operar levaram a aluguéis elevados. E como as sessões de psilocibina podem aumentar a vulnerabilidade de um paciente, o Oregon exige que dois funcionários estejam no local o tempo todo, aumentando os custos operacionais. Uma proposta para aumentar as taxas de licenciamento, segundo os operadores, poderia forçar mais centros de serviço a fechar. Por enquanto, o alto preço de uma sessão está levando as pessoas a buscar tratamento em clínicas clandestinas, muitas operadas por uma legião de facilitadores recém-licenciados que se encontram excluídos do sistema administrado pelo estado devido aos preços. O Colorado procurou abordar algumas das questões de acessibilidade estabelecendo taxas de licenciamento cerca de 20% mais baixas que as do Oregon, e fornecendo mais flexibilidade para operadores e consumidores. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção

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Na corrida bilionária para comercializar a medicina psicodélica, a psilocibina, um alucinógeno natural mais conhecido como cogumelos mágicos, definitivamente tomou a dianteira.

A FDA (Food and Drug Administration, equivalente à Anvisa nos Estados Unidos) informou em novembro que anteciparia a revisão de um tratamento com psilocibina para depressão severa em nove a 12 meses, segundo o solicitante, Compass Pathways. A empresa espera receber a aprovação da agência para a terapia antes do final do ano.

A notícia está entre os primeiros sinais concretos de que a administração Trump está reconhecendo a medicina psicodélica como uma potencial ferramenta terapêutica. As medidas injetaram uma nova dose de otimismo em um campo nascente, que foi abalado pela rejeição da FDA, em 2024, da terapia assistida por MDMA, o primeiro psicodélico a chegar a uma revisão formal pelos reguladores federais.

“Entre os resultados de pesquisas e mudanças políticas, este é um momento decisivo para os cuidados de saúde psicodélicos, e a psilocibina é a estrela”, diz Nate Howard, diretor de operações da InnerTrek, uma clínica de psilocibina em Portland, Oregon. Howard foi uma força motriz por trás de uma medida bem-sucedida nas urnas em 2023 que criou o programa de psilocibina do Oregon.

Legisladores estaduais não estão esperando pelos reguladores da capital. No ano passado, o Novo México se juntou ao Colorado e Oregon na oferta de terapia legal com psilocibina para adultos. Legisladores em uma dúzia de estados, incluindo Carolina do Norte, Maryland, Geórgia e Califórnia, estão considerando flexibilizar as restrições sobre a droga, usando fundos públicos para pesquisar os potenciais benefícios da terapia com psilocibina.

Mas a implementação do programa de Oregon nos últimos dois anos não ocorreu tão bem quanto o previsto, considerando os desafios que estados e empresas provavelmente enfrentarão à medida que a medicina psicodélica se torna mais disponível. Requisitos caros de licenciamento e pessoal tornaram o preço das sessões inacessível para muitos, levando ao fechamento de um terço dos 36 centros de serviço licenciados do Oregon.

O preço de US$850 a US$3.000 (entre R$ 4.500 e R$ 16,1 mil, na cotação atual) por sessão individual reflete taxas anuais de licenciamento de cerca de e US$10.000 (R$ 53,8 mil) e regras administrativas e restrições de zoneamento que aumentam os custos operacionais de um centro.

Os proprietários de negócios enfrentam outros obstáculos ligados ao fato de que a psilocibina permanece ilegal sob a lei federal; empresas de cartão de crédito não processam pagamentos, e plataformas de mídia social como Meta proíbem anúncios relacionados à psilocibina. O seguro de responsabilidade civil, segundo os proprietários, pode custar até três vezes mais do que outras práticas médicas e relacionadas à saúde pagam.

“Temos uma operação bem enxuta e estamos entre os centros de atendimento de maior sucesso do estado, mas só conseguimos cobrir nossos custos”, afirma Andreas Met, diretor da Satya Therapeutics, um centro de serviços de psilocibina em Ashland, Oregon, que atende cerca de 50 clientes por mês.

Uma experiência com psilocibina com um facilitador licenciado geralmente dura de cinco a seis horas, e isso não inclui as sessões de preparação e acompanhamento que os clientes são obrigados a participar antes e depois do tratamento.

Um número crescente de estudos sugere que a psilocibina é eficaz no tratamento de condições complexas de saúde mental, como transtorno obsessivo-compulsivo, anorexia e transtorno por uso de álcool. Outros ensaios clínicos estão avaliando sua eficácia para dor crônica nas costas, depressão e cessação do tabagismo.

Chuck Lovett, 63, um sobrevivente de abuso sexual da Pensilvânia que viajou para o Oregon no ano passado para uma sessão de psilocibina, afirma que o tratamento proporcionou alívio duradouro da depressão e pensamentos suicidas que o assombravam desde que foi abusado por um padre católico na adolescência. “A psilocibina me devolveu minha vida”, acrescenta.

“Oregon oferece uma oportunidade sem precedentes para examinar como a terapia psicodélica funciona em uma população diversa”, diz Matthew Hicks, pesquisador da Universidade Nacional de Medicina Natural em Portland.

Mais de 18 mil pessoas já passaram pelo programa de psilocibina do Oregon, e os dados iniciais sobre eventos adversos têm sido positivos.

De acordo com a autoridade de saúde do estado, 23 incidentes exigiram serviços de emergência, o que os especialistas consideram um número baixo. Muitas chamadas envolveram clientes em sofrimento que procuraram deixar prematuramente sua sessão contra o conselho de um facilitador.

Angela Allbee, que supervisiona os serviços de psilocibina na Autoridade de Saúde do Oregon, afirma que nenhum dos incidentes foi grave.

“Estatisticamente falando, a terapia com psilocibina é mais segura do que jogar golfe”, diz Ryan Reid, diretor de operações e cofundador da Bendable Therapy em Bend, Oregon.

O estado proíbe pessoas com esquizofrenia e psicose ativa de participar do programa, porque a droga pode desencadear ou exacerbar sintomas maníacos e psicóticos. Para aqueles sem diagnósticos psiquiátricos, os efeitos colaterais podem incluir dores de cabeça, náusea, ansiedade e flutuações na pressão arterial.

Os benefícios terapêuticos da psilocibina estão ligados à capacidade da droga de temporariamente reconectar o cérebro, ajudando os pacientes a quebrar o ciclo de pensamento negativo que é a marca registrada de muitas condições de saúde mental difíceis de tratar.

O fechamento de tantos centros, no entanto, destaca falhas no programa do Oregon. Restrições de zoneamento que limitam onde os centros de serviço podem operar levaram a aluguéis elevados. E como as sessões de psilocibina podem aumentar a vulnerabilidade de um paciente, o Oregon exige que dois funcionários estejam no local o tempo todo, aumentando os custos operacionais.

Uma proposta para aumentar as taxas de licenciamento, segundo os operadores, poderia forçar mais centros de serviço a fechar.

Por enquanto, o alto preço de uma sessão está levando as pessoas a buscar tratamento em clínicas clandestinas, muitas operadas por uma legião de facilitadores recém-licenciados que se encontram excluídos do sistema administrado pelo estado devido aos preços.

O Colorado procurou abordar algumas das questões de acessibilidade estabelecendo taxas de licenciamento cerca de 20% mais baixas que as do Oregon, e fornecendo mais flexibilidade para operadores e consumidores.

Em contraste com Oregon, Colorado descriminalizou a psilocibina para uso pessoal em 2022. O estatuto não permite que os condados proíbam negócios de psilocibina.

Há outras diferenças: diferentemente do Oregon, Colorado permite que os clientes consumam a droga em casa, facilitando o acesso ao programa para aqueles em cuidados paliativos. Microdosagem em pequenas quantidades, uma abordagem cada vez mais popular, também é mais fácil e menos cara de fazer.

Allison Robinette, diretora de política e assuntos regulatórios na Divisão de Medicina Natural no Colorado, afirma que o estado já aprovou 30 licenças de centros de cura, com mais 20 solicitações pendentes.

O Novo México está adotando uma abordagem diferente. O programa de psilocibina do estado, assinado como lei no ano passado, usa um modelo médico que limita o acesso àqueles com condições qualificadas de saúde mental. Por enquanto, isso inclui depressão resistente ao tratamento, transtorno de estresse pós-traumático e ansiedade de fim de vida. Espera-se que as primeiras clínicas do estado abram no final deste ano.



Folha SP

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Conheça doença rara que deixa pessoas bêbadas – 17/01/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/conheca-doenca-rara-que-deixa-pessoas-bebadas-17-01-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/conheca-doenca-rara-que-deixa-pessoas-bebadas-17-01-2026-equilibrio/#respond Sat, 17 Jan 2026 23:05:15 +0000 https://folhasaude.com.br/conheca-doenca-rara-que-deixa-pessoas-bebadas-17-01-2026-equilibrio/ Embriagado sem álcool –por muito tempo isso soou como uma anedota, mas trata-se de um distúrbio metabólico grave: a síndrome da autofermentação, ou síndrome da autocervejaria, na qual o próprio intestino produz etanol. Não há uma estimativa confiável de quantas pessoas em todo o mundo são afetadas pela síndrome. Na literatura especializada a condição é descrita como “muito rara”, mas os médicos presumem que há muitos casos não relatados, que provavelmente são interpretados erroneamente como abuso de álcool ou outras doenças. Agora, a síndrome está sendo melhor compreendida com a ajuda do microbioma –o conjunto de microorganismos que vivem dentro de nós. Quando o intestino vira uma cervejaria Na síndrome da autofermentação, as pessoas afetadas ficam intoxicadas mesmo sem ter bebido uma gota de álcool. O excesso de levedura no intestino costumava ser considerado o principal culpado, mas trabalhos mais recentes mudaram o foco para certos tipos de bactérias. Um estudo recém-publicado na revista Nature Microbiology é a investigação mais abrangente dessa doença incomum. A pesquisa foi conduzida por uma equipe liderada por Bernd Schnabl e Cynthia Hsu na Universidade da Califórnia em San Diego, um grande hospital universitário dos Estados Unidos especializado em pesquisas sobre fígado e microbioma. Schnabl e Hsu avaliaram amostras de fezes de 22 pacientes com síndrome de autofermentação, 21 de seus familiares e 22 pessoas saudáveis como grupo de controle. Isso lhes permitiu distinguir com mais clareza o papel da dieta e do ambiente do papel do microbioma. Bactérias produtoras de álcool Em laboratório, as amostras de fezes dos pacientes com a síndrome produziram significativamente mais álcool do que as dos grupos de controle. Isso se deve principalmente a bactérias intestinais como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, que fermentam carboidratos em etanol em quantidade excessiva. “Esses micróbios usam várias vias metabólicas formadoras de etanol”, explica Schnabl, “eles podem elevar o nível de álcool no sangue a tal ponto que as pessoas afetadas não estejam mais aptas a dirigir”. A síndrome da autofermentação mostra como o microbioma pode influenciar radicalmente o comportamento e a saúde, ao ponto de determinar os níveis de álcool no sangue que caracterizam culpa ou inocência perante um tribunal ou durante fiscalizações de trânsito. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Dessa forma, o fardo dessa doença não é apenas o álcool no sangue, mas também a dúvida: quem acreditaria em alguém que jura não ter bebido quando seu próprio intestino funciona como uma cervejaria secreta? Diagnóstico incorreto e novas abordagens Muitos pacientes com a síndrome são inicialmente rotulados como alcoólatras que bebem em segredo – com consequências dramáticas para sua vida cotidiana, seus relacionamentos e, acima de tudo, sua credibilidade. Os procedimentos de diagnóstico atuais são complexos, pois os pacientes devem seguir uma dieta rica em carboidratos sob supervisão rigorosa enquanto seus níveis de álcool no sangue são medidos. Schnabl e Hsu propõem diagnosticar a doença no futuro usando amostras de fezes e visando especificamente o metabolismo bacteriano. Transplante de fezes como fonte de esperança Ainda não existe uma terapia padronizada disponível. Em um paciente do estudo, os sintomas melhoraram significativamente após dois transplantes de fezes. Um transplante de fezes (transplante de microbiota fecal, FMT) parece desagradável, mas é muito eficaz. Envolve a transferência de bactérias intestinais de um doador saudável para o intestino de um paciente para “reiniciar” seu microbioma alterado. A equipe agora investigará sistematicamente essa abordagem promissora em um grupo de oito pacientes. Os especialistas veem as novas descobertas como um passo importante em direção à medicina personalizada do microbioma, mas alertam contra o otimismo prematuro: estudos maiores e dados de longo prazo são necessários antes que um tratamento possa ser estabelecido. Folha SP

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Embriagado sem álcool –por muito tempo isso soou como uma anedota, mas trata-se de um distúrbio metabólico grave: a síndrome da autofermentação, ou síndrome da autocervejaria, na qual o próprio intestino produz etanol.

Não há uma estimativa confiável de quantas pessoas em todo o mundo são afetadas pela síndrome. Na literatura especializada a condição é descrita como “muito rara”, mas os médicos presumem que há muitos casos não relatados, que provavelmente são interpretados erroneamente como abuso de álcool ou outras doenças.

Agora, a síndrome está sendo melhor compreendida com a ajuda do microbioma –o conjunto de microorganismos que vivem dentro de nós.

Quando o intestino vira uma cervejaria

Na síndrome da autofermentação, as pessoas afetadas ficam intoxicadas mesmo sem ter bebido uma gota de álcool. O excesso de levedura no intestino costumava ser considerado o principal culpado, mas trabalhos mais recentes mudaram o foco para certos tipos de bactérias. Um estudo recém-publicado na revista Nature Microbiology é a investigação mais abrangente dessa doença incomum.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe liderada por Bernd Schnabl e Cynthia Hsu na Universidade da Califórnia em San Diego, um grande hospital universitário dos Estados Unidos especializado em pesquisas sobre fígado e microbioma.

Schnabl e Hsu avaliaram amostras de fezes de 22 pacientes com síndrome de autofermentação, 21 de seus familiares e 22 pessoas saudáveis como grupo de controle. Isso lhes permitiu distinguir com mais clareza o papel da dieta e do ambiente do papel do microbioma.

Bactérias produtoras de álcool

Em laboratório, as amostras de fezes dos pacientes com a síndrome produziram significativamente mais álcool do que as dos grupos de controle. Isso se deve principalmente a bactérias intestinais como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, que fermentam carboidratos em etanol em quantidade excessiva.

“Esses micróbios usam várias vias metabólicas formadoras de etanol”, explica Schnabl, “eles podem elevar o nível de álcool no sangue a tal ponto que as pessoas afetadas não estejam mais aptas a dirigir”.

A síndrome da autofermentação mostra como o microbioma pode influenciar radicalmente o comportamento e a saúde, ao ponto de determinar os níveis de álcool no sangue que caracterizam culpa ou inocência perante um tribunal ou durante fiscalizações de trânsito.

Dessa forma, o fardo dessa doença não é apenas o álcool no sangue, mas também a dúvida: quem acreditaria em alguém que jura não ter bebido quando seu próprio intestino funciona como uma cervejaria secreta?

Diagnóstico incorreto e novas abordagens

Muitos pacientes com a síndrome são inicialmente rotulados como alcoólatras que bebem em segredo – com consequências dramáticas para sua vida cotidiana, seus relacionamentos e, acima de tudo, sua credibilidade.

Os procedimentos de diagnóstico atuais são complexos, pois os pacientes devem seguir uma dieta rica em carboidratos sob supervisão rigorosa enquanto seus níveis de álcool no sangue são medidos. Schnabl e Hsu propõem diagnosticar a doença no futuro usando amostras de fezes e visando especificamente o metabolismo bacteriano.

Transplante de fezes como fonte de esperança

Ainda não existe uma terapia padronizada disponível. Em um paciente do estudo, os sintomas melhoraram significativamente após dois transplantes de fezes.

Um transplante de fezes (transplante de microbiota fecal, FMT) parece desagradável, mas é muito eficaz. Envolve a transferência de bactérias intestinais de um doador saudável para o intestino de um paciente para “reiniciar” seu microbioma alterado. A equipe agora investigará sistematicamente essa abordagem promissora em um grupo de oito pacientes.

Os especialistas veem as novas descobertas como um passo importante em direção à medicina personalizada do microbioma, mas alertam contra o otimismo prematuro: estudos maiores e dados de longo prazo são necessários antes que um tratamento possa ser estabelecido.



Folha SP

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Remédio para emagrecer pode gerar deficiência nutricional – 16/01/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/remedio-para-emagrecer-pode-gerar-deficiencia-nutricional-16-01-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/remedio-para-emagrecer-pode-gerar-deficiencia-nutricional-16-01-2026-equilibrio/#respond Fri, 16 Jan 2026 22:44:27 +0000 https://folhasaude.com.br/remedio-para-emagrecer-pode-gerar-deficiencia-nutricional-16-01-2026-equilibrio/ Medicamentos para perda de peso como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, atuam principalmente reduzindo a fome. Eles imitam um hormônio que o corpo já produz, chamado peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), que ajuda a regular o apetite e a sensação de saciedade. Ao retardar a velocidade com que os alimentos saem do estômago e agir nos centros do apetite no cérebro, estes medicamentos ajudam as pessoas a se sentirem saciadas mais rapidamente e a permanecerem saciadas por mais tempo, muitas vezes sem a fome constante que torna muitas dietas difíceis de manter. O efeito supressor do apetite desses medicamentos pode ser substancial. Estudos sugerem que as pessoas que tomam medicamentos GLP-1 reduzem sua ingestão de energia entre 16% e 40%. Mas quando a ingestão de alimentos diminui, o corpo ainda precisa de vitaminas, minerais e proteínas essenciais para manter células, músculos e órgãos funcionando corretamente. Se esses nutrientes não estiverem presentes em uma quantidade menor de alimentos, podem surgir deficiências. Uma maior ingestão de alimentos geralmente aumenta a probabilidade de atender às necessidades de vitaminas e minerais. Ter uma dieta variada ao longo da semana ajuda a cobrir as lacunas nutricionais, mesmo que algumas refeições sejam pobres em nutrientes. Mas quando as porções diminuem, essa rede de segurança desaparece. Com menos comida no prato, as escolhas alimentares precisam ser mais deliberadas e pensadas. Este não é um problema novo. As dietas tradicionais com restrição calórica sempre acarretaram um risco de deficiências nutricionais. A diferença é que a maioria dessas dietas falha porque as pessoas têm dificuldade em mantê-las. Ironicamente, essa falta de adesão às vezes limitava os riscos nutricionais a longo prazo. Quando as pessoas voltavam a comer de forma mais normal, as deficiências podiam ser corrigidas. Os medicamentos GLP-1 mudam esse padrão. Estudos mostram que muitas pessoas recuperam o peso rapidamente se param de tomá-los, o que significa que esses medicamentos muitas vezes são usados por longos prazos. Isso levanta uma nova preocupação. Se as deficiências nutricionais se desenvolvem enquanto alguém está comendo muito menos e esse padrão continua por meses ou anos, essas deficiências podem persistir e levar a problemas como perda muscular, imunidade enfraquecida, anemia, perda óssea ou prejuízos à função neurológica. Como os medicamentos GLP-1 apenas recentemente passaram a ser amplamente utilizados para perda de peso, os dados de longo prazo sobre os impactos nutricionais ainda são limitados. Também é difícil para as pessoas reconhecerem as deficiências nutricionais sem exames de sangue, pois sintomas como fadiga, fraqueza ou queda de cabelo podem ser vagos e facilmente ignorados. Mas os primeiros sinais de alerta já estão aparecendo. Um estudo com pessoas que tomavam medicamentos GLP-1, tinham perdido peso e estavam se preparando para cirurgias de substituição de articulações constatou taxas mais altas de desnutrição e desnutrição grave. Exames de sangue mostraram níveis mais baixos de proteínas essenciais, sugerindo uma nutrição geral inadequada. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Outro estudo questionou pessoas que usavam medicamentos GLP-1 sobre o que comiam. Muitos relataram dietas pobres em fibras, cálcio, ferro, magnésio, potássio e várias vitaminas, incluindo A, C, D e E. A ingestão de frutas, vegetais, grãos e laticínios também estava abaixo dos níveis recomendados. Este estudo, no entanto, se baseou em informações alimentares autorrelatadas de um grupo relativamente pequeno de pessoas, então suas conclusões podem ser afetadas por memórias imprecisas ou subnotificação, e não se pode presumir que se apliquem a toda população. Mesmo assim, seus resultados destacam um padrão que merece atenção. Evidências mais fortes vêm de um grande estudo observacional com pessoas que receberam prescrição de medicamentos GLP-1. Em seis meses, cerca de 13% foram diagnosticadas com deficiência nutricional. Em um ano, esse número subiu para mais de 22%. Isso incluiu deficiências de vitaminas e minerais, anemia por deficiência de ferro e deficiência de proteínas. A deficiência de proteínas é particularmente preocupante, pois elas são essenciais para manter a massa muscular, a força e a função física. A perda de peso geralmente envolve perda de músculos e gordura, e isso pode ocorrer com o uso de medicamentos GLP-1. A falta de proteínas acelera a perda muscular, o que pode afetar o equilíbrio, a mobilidade e a saúde metabólica a longo prazo. Exercícios de resistência podem ajudar a proteger os músculos, mas sem proteína suficiente na dieta, seus benefícios são limitados. Em casos raros, mas graves, comer muito pouco enquanto se toma medicamentos GLP-1 levou a emergências médicas. Um relato de caso descreve um paciente que tomava tirzepatida e desenvolveu desidratação grave e cetoacidose após diarreia persistente e ingestão muito baixa de alimentos. A cetoacidose ocorre quando o corpo é forçado a queimar grandes quantidades de gordura para obter energia, produzindo compostos ácidos que podem se tornar fatais se se acumularem no organismo. Também houve raros relatos de pessoas que desenvolveram deficiência grave de vitamina B1 após náuseas prolongadas e ingestão mínima de alimentos com medicamentos GLP-1. Essa condição, conhecida como encefalopatia de Wernicke, afeta o cérebro e pode causar confusão mental, problemas de coordenação e danos neurológicos duradouros se não for tratada prontamente. Alimentos ricos em nutrientes Pessoas que utilizam medicamentos GLP-1 precisam priorizar alimentos ricos em nutrientes que forneçam uma quantidade elevada de vitaminas, minerais, fibras e proteínas em relação ao seu conteúdo calórico. Uma revisão de estudos recente, no entanto, descobriu que muitas pessoas que tomam medicamentos GLP-1 recebem poucos ou nenhum aconselhamento nutricional significativo. Sem orientação, pode ser difícil atender às suas necessidades nutricionais quando o apetite é drasticamente reduzido. Muitas pessoas com obesidade já enfrentam um risco maior de deficiências nutricionais, incluindo ferro e vitamina B6. A inflamação crônica pode interferir na forma como os nutrientes são absorvidos e utilizados pelo organismo. Comer menos enquanto se toma medicamentos GLP-1 pode, portanto, agravar vulnerabilidades nutricionais existentes. Isso ajuda a explicar o crescente interesse em refeições prontas ricas em nutrientes comercializadas para pessoas que usam medicamentos GLP-1. Essas refeições são normalmente ricas em fibras e projetadas para fornecer mais nutrientes por caloria. Em princípio, isso atende ao

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Medicamentos para perda de peso como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, atuam principalmente reduzindo a fome. Eles imitam um hormônio que o corpo já produz, chamado peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), que ajuda a regular o apetite e a sensação de saciedade.

Ao retardar a velocidade com que os alimentos saem do estômago e agir nos centros do apetite no cérebro, estes medicamentos ajudam as pessoas a se sentirem saciadas mais rapidamente e a permanecerem saciadas por mais tempo, muitas vezes sem a fome constante que torna muitas dietas difíceis de manter.

O efeito supressor do apetite desses medicamentos pode ser substancial. Estudos sugerem que as pessoas que tomam medicamentos GLP-1 reduzem sua ingestão de energia entre 16% e 40%.

Mas quando a ingestão de alimentos diminui, o corpo ainda precisa de vitaminas, minerais e proteínas essenciais para manter células, músculos e órgãos funcionando corretamente. Se esses nutrientes não estiverem presentes em uma quantidade menor de alimentos, podem surgir deficiências.

Uma maior ingestão de alimentos geralmente aumenta a probabilidade de atender às necessidades de vitaminas e minerais. Ter uma dieta variada ao longo da semana ajuda a cobrir as lacunas nutricionais, mesmo que algumas refeições sejam pobres em nutrientes. Mas quando as porções diminuem, essa rede de segurança desaparece. Com menos comida no prato, as escolhas alimentares precisam ser mais deliberadas e pensadas.

Este não é um problema novo. As dietas tradicionais com restrição calórica sempre acarretaram um risco de deficiências nutricionais. A diferença é que a maioria dessas dietas falha porque as pessoas têm dificuldade em mantê-las. Ironicamente, essa falta de adesão às vezes limitava os riscos nutricionais a longo prazo. Quando as pessoas voltavam a comer de forma mais normal, as deficiências podiam ser corrigidas.

Os medicamentos GLP-1 mudam esse padrão. Estudos mostram que muitas pessoas recuperam o peso rapidamente se param de tomá-los, o que significa que esses medicamentos muitas vezes são usados por longos prazos. Isso levanta uma nova preocupação. Se as deficiências nutricionais se desenvolvem enquanto alguém está comendo muito menos e esse padrão continua por meses ou anos, essas deficiências podem persistir e levar a problemas como perda muscular, imunidade enfraquecida, anemia, perda óssea ou prejuízos à função neurológica.

Como os medicamentos GLP-1 apenas recentemente passaram a ser amplamente utilizados para perda de peso, os dados de longo prazo sobre os impactos nutricionais ainda são limitados. Também é difícil para as pessoas reconhecerem as deficiências nutricionais sem exames de sangue, pois sintomas como fadiga, fraqueza ou queda de cabelo podem ser vagos e facilmente ignorados.

Mas os primeiros sinais de alerta já estão aparecendo. Um estudo com pessoas que tomavam medicamentos GLP-1, tinham perdido peso e estavam se preparando para cirurgias de substituição de articulações constatou taxas mais altas de desnutrição e desnutrição grave. Exames de sangue mostraram níveis mais baixos de proteínas essenciais, sugerindo uma nutrição geral inadequada.

Outro estudo questionou pessoas que usavam medicamentos GLP-1 sobre o que comiam. Muitos relataram dietas pobres em fibras, cálcio, ferro, magnésio, potássio e várias vitaminas, incluindo A, C, D e E. A ingestão de frutas, vegetais, grãos e laticínios também estava abaixo dos níveis recomendados.

Este estudo, no entanto, se baseou em informações alimentares autorrelatadas de um grupo relativamente pequeno de pessoas, então suas conclusões podem ser afetadas por memórias imprecisas ou subnotificação, e não se pode presumir que se apliquem a toda população. Mesmo assim, seus resultados destacam um padrão que merece atenção.

Evidências mais fortes vêm de um grande estudo observacional com pessoas que receberam prescrição de medicamentos GLP-1. Em seis meses, cerca de 13% foram diagnosticadas com deficiência nutricional. Em um ano, esse número subiu para mais de 22%. Isso incluiu deficiências de vitaminas e minerais, anemia por deficiência de ferro e deficiência de proteínas.

A deficiência de proteínas é particularmente preocupante, pois elas são essenciais para manter a massa muscular, a força e a função física. A perda de peso geralmente envolve perda de músculos e gordura, e isso pode ocorrer com o uso de medicamentos GLP-1. A falta de proteínas acelera a perda muscular, o que pode afetar o equilíbrio, a mobilidade e a saúde metabólica a longo prazo. Exercícios de resistência podem ajudar a proteger os músculos, mas sem proteína suficiente na dieta, seus benefícios são limitados.

Em casos raros, mas graves, comer muito pouco enquanto se toma medicamentos GLP-1 levou a emergências médicas. Um relato de caso descreve um paciente que tomava tirzepatida e desenvolveu desidratação grave e cetoacidose após diarreia persistente e ingestão muito baixa de alimentos. A cetoacidose ocorre quando o corpo é forçado a queimar grandes quantidades de gordura para obter energia, produzindo compostos ácidos que podem se tornar fatais se se acumularem no organismo.

Também houve raros relatos de pessoas que desenvolveram deficiência grave de vitamina B1 após náuseas prolongadas e ingestão mínima de alimentos com medicamentos GLP-1. Essa condição, conhecida como encefalopatia de Wernicke, afeta o cérebro e pode causar confusão mental, problemas de coordenação e danos neurológicos duradouros se não for tratada prontamente.

Alimentos ricos em nutrientes

Pessoas que utilizam medicamentos GLP-1 precisam priorizar alimentos ricos em nutrientes que forneçam uma quantidade elevada de vitaminas, minerais, fibras e proteínas em relação ao seu conteúdo calórico.

Uma revisão de estudos recente, no entanto, descobriu que muitas pessoas que tomam medicamentos GLP-1 recebem poucos ou nenhum aconselhamento nutricional significativo. Sem orientação, pode ser difícil atender às suas necessidades nutricionais quando o apetite é drasticamente reduzido.

Muitas pessoas com obesidade já enfrentam um risco maior de deficiências nutricionais, incluindo ferro e vitamina B6. A inflamação crônica pode interferir na forma como os nutrientes são absorvidos e utilizados pelo organismo. Comer menos enquanto se toma medicamentos GLP-1 pode, portanto, agravar vulnerabilidades nutricionais existentes.

Isso ajuda a explicar o crescente interesse em refeições prontas ricas em nutrientes comercializadas para pessoas que usam medicamentos GLP-1. Essas refeições são normalmente ricas em fibras e projetadas para fornecer mais nutrientes por caloria. Em princípio, isso atende ao que as pessoas que tomam medicamentos para suprimir o apetite precisam.

Mas não há nada de mágico nesses produtos. Os mesmos objetivos nutricionais podem ser alcançados em casa a um custo menor. Adicionar sementes, nozes ou manteigas de nozes às refeições, usar grãos como quinoa e misturar vegetais e lentilhas em molhos, sopas e ensopados pode aumentar significativamente a ingestão de nutrientes. Manter uma pequena seleção de ingredientes ricos em nutrientes à mão e adicionar um ou dois a cada refeição pode fazer uma diferença real.

Dito isso, a conveniência é importante. Refeições preparadas projetadas para serem ricas em nutrientes podem ser uma opção útil para pessoas com limitações de tempo, das habilidades culinárias ou de conhecimentos nutricionais —e que podem pagar por elas.

Os medicamentos GLP-1 são ferramentas poderosas para a perda de peso. Mas eles não mudam apenas a quantidade de alimentos que as pessoas comem. Eles também afetam o quanto as pessoas precisam pensar cuidadosamente sobre o que comem. Até que evidências de longo prazo estejam disponíveis, concentrar-se na densidade nutricional, na ingestão adequada de proteínas e em exercícios de resistência regulares continua sendo essencial para qualquer pessoa que use esses medicamentos.

A matéria foi originalmente publicada no The Conversation



Folha SP

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HIV: Brasil não pode fabricar genérico do lenacapavir – 15/01/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/hiv-brasil-nao-pode-fabricar-generico-do-lenacapavir-15-01-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/hiv-brasil-nao-pode-fabricar-generico-do-lenacapavir-15-01-2026-equilibrio-e-saude/#respond Thu, 15 Jan 2026 22:41:37 +0000 https://folhasaude.com.br/hiv-brasil-nao-pode-fabricar-generico-do-lenacapavir-15-01-2026-equilibrio-e-saude/ O Brasil não poderá fabricar a versão genérica do lenacapavir, medicamento injetável de prevenção ao HIV. A decisão é da Gilead Sciences, farmacêutica detentora da patente do medicamento. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou na segunda-feira (12) o registro da injeção para profilaxia pré-exposição ao vírus, visando reduzir o risco de infecção por via sexual. Apesar do registro concedido, o produto ainda depende da definição do preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). A disponibilização no sistema público de saúde será avaliada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e pelo Ministério da Saúde. Desde o ano passado, a Gilead realiza acordos de licenciamento para a produção de fórmulas genéricas do lenacapavir em todo o mundo. Foram contemplados, até agora, 120 países, os considerados pela empresa mais vulneráveis pela baixa renda da população. O Brasil não foi um deles. Nem será, segundo a farmacêutica. “Os acordos de licenciamento voluntário anunciados para a produção de versões genéricas do lenacapavir permanecem inalterados. Eles contemplam 120 países de baixa e média renda, definidos com base em critérios epidemiológicos e de capacidade de financiamento dos sistemas de saúde. O Brasil não faz parte desse grupo”, afirma a Gilead à Folha. Para países como o Brasil —considerado pela empresa com boa capacidade de financiamento da saúde pública, apesar do número de infecções por HIV— a política de acesso ao medicamento envolve outras estratégias, que consideram as especificidades locais e os caminhos regulatórios, como a definição de um preço máximo para a fórmula pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). A Gilead diz seguir comprometida em colaborar com autoridades e parceiros para apoiar o acesso ao lenacapavir no país, nos marcos regulatórios e institucionais vigentes. Apesar da iniciativa da farmacêutica, o preço do medicamento pode ser uma barreira à sua distribuição pelo SUS (Sistema Único de Saúde). É o que diz Beatriz Grinsztejn, pesquisadora principal do projeto de viabilidade e implantação do Lenacapavir no Brasil, conduzido pela FioCruz, e presidente da International Aids Society (Organização Internacional da Aids, em português). Um estudo publicado em junho do ano passado na revista científica Lancet avaliou que uma versão genérica do lenacapavir poderia ter um custo muito abaixo do valor atual. Comercializado pela biofarmacêutica Gilead, o tratamento hoje custa US$ 25,3 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 136 mil) nos Estados Unidos, podendo chegar a US$ 44,8 mil (R$ 241 mil) em algumas situações. Se fosse produzido por outros laboratórios, porém, o tratamento poderia custar de US$ 25 a US$ 47 por ano (de R$ 135 a R$ 253), segundo o levantamento. “É um absurdo e uma tristeza. Um país com essas dimensões não poderia ter ficado de fora dessa lista de genéricos. Com certeza, isso pode ser um problema no momento de avaliar a viabilidade para distribuição no SUS”, avalia Grinsztejn. A Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) criticou publicamente o valor aplicado ao produto, dizendo ser incompreensível e injustificável, e solicitou que a farmacêutica o torne mais barato para “garantir ao mundo uma chance real de acabar com a Aids”. A reportagem procurou tanto o Ministério da Saúde quanto a Anvisa para comentar o tema. Ambos os órgãos disseram que a decisão só cabe à Gilead. Como funciona o medicamento? O lenacapavir é um inibidor do capsídeo, uma espécie de “casca” do HIV. Essa estrutura proteica é fundamental para proteger o material genético do vírus e permitir sua reprodução. O fármaco se liga diretamente ao capsídeo do HIV-1 e desregula seu funcionamento. Após entrar na célula, o vírus precisa abrir essa estrutura no momento exato para se replicar. Com o medicamento, essa abertura ocorre cedo demais —ou tarde demais—, o que impede o correto funcionamento do RNA viral. A estratégia é inovadora. Até então, os antirretrovirais atuavam principalmente sobre enzimas do vírus, bloqueando a integração do DNA viral ao DNA da célula humana. Embora as PrEPs disponíveis tenham alta eficácia, o HIV pode sofrer mutações nessas enzimas, levando à resistência aos medicamentos. Ao agir sobre o capsídeo, o lenacapavir dificulta esse processo, já que mutações nessa estrutura costumam comprometer a própria viabilidade do vírus. Outro benefício do medicamento é sua periodicidade. Ele deve ser aplicado apenas a cada seis meses. HIV/Aids no Brasil O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, indica que o Brasil ainda enfrenta desafios na prevenção de novas infecções, mas registra avanços. O país contabilizou 39.216 detecções de HIV em 2024, o equivalente a 18,4 casos por 100 mil habitantes. A quantidade ficou um pouco acima dos 38.222 registros de 2023. Já os casos de Aids tiveram queda de 1,5%, indo de 37.527 para 36.955. A mortalidade também diminuiu, chegando a 9.157 óbitos, o menor valor da série histórica. O perfil das novas infecções permanece concentrado entre homens, especialmente na faixa etária de 20 a 29 anos, com predomínio da transmissão por via sexual. Folha SP

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O Brasil não poderá fabricar a versão genérica do lenacapavir, medicamento injetável de prevenção ao HIV. A decisão é da Gilead Sciences, farmacêutica detentora da patente do medicamento. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou na segunda-feira (12) o registro da injeção para profilaxia pré-exposição ao vírus, visando reduzir o risco de infecção por via sexual.

Apesar do registro concedido, o produto ainda depende da definição do preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). A disponibilização no sistema público de saúde será avaliada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e pelo Ministério da Saúde.

Desde o ano passado, a Gilead realiza acordos de licenciamento para a produção de fórmulas genéricas do lenacapavir em todo o mundo. Foram contemplados, até agora, 120 países, os considerados pela empresa mais vulneráveis pela baixa renda da população. O Brasil não foi um deles. Nem será, segundo a farmacêutica.

“Os acordos de licenciamento voluntário anunciados para a produção de versões genéricas do lenacapavir permanecem inalterados. Eles contemplam 120 países de baixa e média renda, definidos com base em critérios epidemiológicos e de capacidade de financiamento dos sistemas de saúde. O Brasil não faz parte desse grupo”, afirma a Gilead à Folha.

Para países como o Brasil —considerado pela empresa com boa capacidade de financiamento da saúde pública, apesar do número de infecções por HIV— a política de acesso ao medicamento envolve outras estratégias, que consideram as especificidades locais e os caminhos regulatórios, como a definição de um preço máximo para a fórmula pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).

A Gilead diz seguir comprometida em colaborar com autoridades e parceiros para apoiar o acesso ao lenacapavir no país, nos marcos regulatórios e institucionais vigentes.

Apesar da iniciativa da farmacêutica, o preço do medicamento pode ser uma barreira à sua distribuição pelo SUS (Sistema Único de Saúde). É o que diz Beatriz Grinsztejn, pesquisadora principal do projeto de viabilidade e implantação do Lenacapavir no Brasil, conduzido pela FioCruz, e presidente da International Aids Society (Organização Internacional da Aids, em português).

Um estudo publicado em junho do ano passado na revista científica Lancet avaliou que uma versão genérica do lenacapavir poderia ter um custo muito abaixo do valor atual.

Comercializado pela biofarmacêutica Gilead, o tratamento hoje custa US$ 25,3 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 136 mil) nos Estados Unidos, podendo chegar a US$ 44,8 mil (R$ 241 mil) em algumas situações. Se fosse produzido por outros laboratórios, porém, o tratamento poderia custar de US$ 25 a US$ 47 por ano (de R$ 135 a R$ 253), segundo o levantamento.

“É um absurdo e uma tristeza. Um país com essas dimensões não poderia ter ficado de fora dessa lista de genéricos. Com certeza, isso pode ser um problema no momento de avaliar a viabilidade para distribuição no SUS”, avalia Grinsztejn.

A Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) criticou publicamente o valor aplicado ao produto, dizendo ser incompreensível e injustificável, e solicitou que a farmacêutica o torne mais barato para “garantir ao mundo uma chance real de acabar com a Aids”.

A reportagem procurou tanto o Ministério da Saúde quanto a Anvisa para comentar o tema. Ambos os órgãos disseram que a decisão só cabe à Gilead.

Como funciona o medicamento?

O lenacapavir é um inibidor do capsídeo, uma espécie de “casca” do HIV. Essa estrutura proteica é fundamental para proteger o material genético do vírus e permitir sua reprodução.

O fármaco se liga diretamente ao capsídeo do HIV-1 e desregula seu funcionamento. Após entrar na célula, o vírus precisa abrir essa estrutura no momento exato para se replicar. Com o medicamento, essa abertura ocorre cedo demais —ou tarde demais—, o que impede o correto funcionamento do RNA viral.

A estratégia é inovadora. Até então, os antirretrovirais atuavam principalmente sobre enzimas do vírus, bloqueando a integração do DNA viral ao DNA da célula humana. Embora as PrEPs disponíveis tenham alta eficácia, o HIV pode sofrer mutações nessas enzimas, levando à resistência aos medicamentos.

Ao agir sobre o capsídeo, o lenacapavir dificulta esse processo, já que mutações nessa estrutura costumam comprometer a própria viabilidade do vírus.

Outro benefício do medicamento é sua periodicidade. Ele deve ser aplicado apenas a cada seis meses.

HIV/Aids no Brasil

O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, indica que o Brasil ainda enfrenta desafios na prevenção de novas infecções, mas registra avanços.

O país contabilizou 39.216 detecções de HIV em 2024, o equivalente a 18,4 casos por 100 mil habitantes. A quantidade ficou um pouco acima dos 38.222 registros de 2023.

Já os casos de Aids tiveram queda de 1,5%, indo de 37.527 para 36.955. A mortalidade também diminuiu, chegando a 9.157 óbitos, o menor valor da série histórica.

O perfil das novas infecções permanece concentrado entre homens, especialmente na faixa etária de 20 a 29 anos, com predomínio da transmissão por via sexual.



Folha SP

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Morte de pet pode levar a luto mais intenso do que parente – 14/01/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/morte-de-pet-pode-levar-a-luto-mais-intenso-do-que-parente-14-01-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/morte-de-pet-pode-levar-a-luto-mais-intenso-do-que-parente-14-01-2026-equilibrio/#respond Wed, 14 Jan 2026 22:35:59 +0000 https://folhasaude.com.br/morte-de-pet-pode-levar-a-luto-mais-intenso-do-que-parente-14-01-2026-equilibrio/ Que a morte de um animal de estimação cause tristeza em seus tutores não é uma novidade. Mas você acredita que a perda de um animal pode levar a um caso de luto, podendo até ser mais profundo que a morte de um parente? Essa é a conclusão de um novo estudo publicado nesta quarta-feira (14). A conclusão da pesquisa é um indicativo de que a morte de um animal de estimação pode levar ao transtorno do luto prolongado, algo que vai de encontro a diretrizes de agências especializadas. O luto prolongado compreende viver o sentimento de morte de forma intensa, persistente e incapacitante. A condição consta tanto nas últimas edições da Classificação Internacional de Doenças, da OMS (Organização Mundial da Saúde), quanto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da APA (Associação Americana de Psiquiatria). A morte de um animal não é encarada como um evento que pode causar esse transtorno. No entanto, o novo estudo veiculado na revista científica Plos One defende a importância de revisar essa diretriz. A pesquisa partiu de um rol inicial de 975 adultos do Reino Unido que proveram informações online sobre diferentes lutos vividos. Da amostra total de integrantes, 295 relataram que já passaram por perda tanto de entes queridos quanto de animais de estimação. Ao serem questionados sobre qual luto foi mais doloroso, 21% desses participantes afirmaram que foi a morte de um animal a mais difícil. Somente a morte de um pai ou mãe apresentou um percentual maior que esse: 42% do total das respostas. De acordo com os dados do estudo, a morte de um amigo próximo, parceiro ou irmãos foi mencionada menos vezes que a perda de um animal de estimação. O estudo também levou em consideração o transtorno de luto prolongado –no caso, 84 pessoas dentro do total de participantes entraram no diagnóstico. Entre aqueles que perderam animais de estimação, 7,5% desenvolveram a condição de viver o luto de forma persistente e incapacitante. A taxa é a menor quando se compara com a perda de humanos, mas ela não difere muito para alguns casos. Por exemplo, 7,8% dos participantes que vivenciaram a morte de um amigo próximo passaram pelo transtorno, enquanto que essa taxa foi de 8,9% para um irmão. Os dados coletados durante a pesquisa viabilizam a conclusão de que o luto prolongado pode ser vivido independente da espécie de ser vivo que morreu. Maria Helena Pereira Franco, professora titular convidada da PUC-SP e presidente da Associação Brasileira Multiprofissional sobre o Luto (ABMLuto), concorda e afirma que a conversa sobre o luto após a perda de um animal aparenta estar mais fácil há alguns anos, principalmente depois da pandemia de Covid-19. Segundo Franco, que não tem relação com o novo artigo, alguns setores populacionais são mais suscetíveis a viver um luto profundo depois da morte de um animal de estimação. Idosos que vivem sozinhos e têm um animal para fazer companhia entram nesse rol. “Para essa pessoa idosa, a morte do animal lhe apresenta um luto que não pode ser ignorado, ao se somar à experiência de solidão e o luto pela perda de pessoas da sua geração”, afirma. Reconhecer o luto é importante porque permite com que os enlutados possam ter condições de passar por esse momento. Segundo a professora da PUC-SP, não aceitar diferentes tipos de luto faz com que ele não possa ser vivido pelo enlutado. O cenário pode levar à repressão e falta de apoio. “O não reconhecimento do luto amplia o risco de desenvolvimento de transtorno de luto prolongado”, afirma. São por razões como essas que Franco concorda com o autor do artigo a respeito da possibilidade do luto prolongado ser desenvolvido a partir da perda de um animal. No entanto, a professora da PUC-SP também ressalta que o artigo tem limitações: ter dados somente de participantes do Reino Unido é um exemplo, já que o estudo foi baseado somente em uma realidade cultural. Folha SP

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Que a morte de um animal de estimação cause tristeza em seus tutores não é uma novidade. Mas você acredita que a perda de um animal pode levar a um caso de luto, podendo até ser mais profundo que a morte de um parente? Essa é a conclusão de um novo estudo publicado nesta quarta-feira (14). A conclusão da pesquisa é um indicativo de que a morte de um animal de estimação pode levar ao transtorno do luto prolongado, algo que vai de encontro a diretrizes de agências especializadas.

O luto prolongado compreende viver o sentimento de morte de forma intensa, persistente e incapacitante. A condição consta tanto nas últimas edições da Classificação Internacional de Doenças, da OMS (Organização Mundial da Saúde), quanto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da APA (Associação Americana de Psiquiatria). A morte de um animal não é encarada como um evento que pode causar esse transtorno.

No entanto, o novo estudo veiculado na revista científica Plos One defende a importância de revisar essa diretriz. A pesquisa partiu de um rol inicial de 975 adultos do Reino Unido que proveram informações online sobre diferentes lutos vividos.

Da amostra total de integrantes, 295 relataram que já passaram por perda tanto de entes queridos quanto de animais de estimação. Ao serem questionados sobre qual luto foi mais doloroso, 21% desses participantes afirmaram que foi a morte de um animal a mais difícil. Somente a morte de um pai ou mãe apresentou um percentual maior que esse: 42% do total das respostas. De acordo com os dados do estudo, a morte de um amigo próximo, parceiro ou irmãos foi mencionada menos vezes que a perda de um animal de estimação.

O estudo também levou em consideração o transtorno de luto prolongado –no caso, 84 pessoas dentro do total de participantes entraram no diagnóstico. Entre aqueles que perderam animais de estimação, 7,5% desenvolveram a condição de viver o luto de forma persistente e incapacitante. A taxa é a menor quando se compara com a perda de humanos, mas ela não difere muito para alguns casos. Por exemplo, 7,8% dos participantes que vivenciaram a morte de um amigo próximo passaram pelo transtorno, enquanto que essa taxa foi de 8,9% para um irmão.

Os dados coletados durante a pesquisa viabilizam a conclusão de que o luto prolongado pode ser vivido independente da espécie de ser vivo que morreu. Maria Helena Pereira Franco, professora titular convidada da PUC-SP e presidente da Associação Brasileira Multiprofissional sobre o Luto (ABMLuto), concorda e afirma que a conversa sobre o luto após a perda de um animal aparenta estar mais fácil há alguns anos, principalmente depois da pandemia de Covid-19.

Segundo Franco, que não tem relação com o novo artigo, alguns setores populacionais são mais suscetíveis a viver um luto profundo depois da morte de um animal de estimação. Idosos que vivem sozinhos e têm um animal para fazer companhia entram nesse rol.

“Para essa pessoa idosa, a morte do animal lhe apresenta um luto que não pode ser ignorado, ao se somar à experiência de solidão e o luto pela perda de pessoas da sua geração”, afirma.

Reconhecer o luto é importante porque permite com que os enlutados possam ter condições de passar por esse momento.

Segundo a professora da PUC-SP, não aceitar diferentes tipos de luto faz com que ele não possa ser vivido pelo enlutado. O cenário pode levar à repressão e falta de apoio. “O não reconhecimento do luto amplia o risco de desenvolvimento de transtorno de luto prolongado”, afirma.

São por razões como essas que Franco concorda com o autor do artigo a respeito da possibilidade do luto prolongado ser desenvolvido a partir da perda de um animal. No entanto, a professora da PUC-SP também ressalta que o artigo tem limitações: ter dados somente de participantes do Reino Unido é um exemplo, já que o estudo foi baseado somente em uma realidade cultural.



Folha SP

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Ministério rejeita vacina contra herpes-zóster no SUS – 13/01/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/ministerio-rejeita-vacina-contra-herpes-zoster-no-sus-13-01-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/ministerio-rejeita-vacina-contra-herpes-zoster-no-sus-13-01-2026-equilibrio-e-saude/#respond Tue, 13 Jan 2026 22:19:07 +0000 https://folhasaude.com.br/ministerio-rejeita-vacina-contra-herpes-zoster-no-sus-13-01-2026-equilibrio-e-saude/ A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), órgão do governo brasileiro responsável por decidir quais medicamentos, vacinas e tratamentos devem ser oferecidos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), rejeitou por unanimidade a incorporação da vacina da herpes-zóster —recombinante adjuvada— no sistema público para idosos com 80 anos ou mais e imunocomprometidos a partir de 18 anos. A recomendação da comissão é de 15 de agosto de 2025 e foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (12). Na prática, a decisão mantém o que já acontecia antes: a vacina segue disponível apenas na rede privada e demanda duas doses, custando cerca de R$ 900 cada aplicação —cerca de R$ 1.800 no total. “Reconheceu-se a importância da vacina. No entanto, ela não foi considerada custo-efetiva, uma vez que o impacto orçamentário estimado ultrapassaria R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos. Para efeito de comparação, todos os medicamentos distribuídos pelo Programa Farmácia Popular custaram R$ 4,2 bilhões no ano passado”, disse o Ministério da Saúde em nota. Segundo a pasta, até o momento, o laboratório responsável não apresentou nova proposta. O Ministério disse que manifestou interesse na incorporação da vacina e seguirá em negociação para a busca de um preço compatível com a disponibilidade orçamentária. No Brasil, a vacina é aprovada para pessoas com 50 anos ou mais que possuam imunocompetência, ou seja, que não apresentem comprometimento imunológico patológico. Em pacientes imunocomprometidos, como indivíduos com HIV, a vacina está liberada a partir dos 18 anos. Em abril do ano passado, quando o processo para incorporar a vacina foi iniciado, o ministro da Saúde Alexandre Padilha disse que o imunizante era uma prioridade da pasta. “Pode ter certeza de que é uma prioridade nossa, enquanto ministro da Saúde, que essa vacina possa estar no Sistema Único de Saúde. A gente pode fazer grandes campanhas de vacinação para as pessoas que têm indicação de receber essa vacina”, afirmou o ministro à época. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, cerca de 30% das pessoas terão herpes-zóster uma vez na vida. Médicos infectologistas ouvidos pela Folha lamentaram a decisão. “Lamento profundamente a ausência no SUS de uma vacina tão promissora, com resposta imune tão significativa, na programação de imunização de grupos de risco específicos”, disse Leandro Curi, infectologista do Hospital Felício Rocho. Na perspectiva de Evaldo Stanislau, infectologista e coordenador de Medicina na São Judas Inspirali, a vacina recombinante adjuvada é “absolutamente prioritária” no SUS diante da alta prevalência e gravidade da infecção. “A não incorporação fará persistir o quadro atual: idosos e imunocomprometidos que não se vacinaram por falta de condições econômicas continuarão suscetíveis à doença”, afirma. Segundo Stanislau, investir na vacina sai mais barato do que tratar a doença. “O tratamento com antivirais e medicamentos para dor é extremamente caro, somado aos custos de exames e consultas médicas. Portanto, é muito mais vantajoso investir na prevenção através da vacina do que custear o tratamento”, explica. É consenso entre os especialistas que não há alternativas nem estratégia preventiva eficaz contra o herpes-zóster no lugar da vacina barrada. “Há pouco que se possa fazer. Manter o sistema imunológico saudável tratando as doenças imunossupressoras de base, como HIV, por exemplo, é uma ótima forma de se proteger, mas não garante proteção total”, afirma Sumire Sakabe, infectologista do Hospital Nove de Julho. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar O que é a herpes-zóster? A herpes-zóster, popularmente chamada de “cobreiro”, é causada pelo vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo da catapora. Após a infecção inicial na infância, o vírus não some. Ele fica “guardado” nos gânglios nervosos. “A reativação ocorre a partir de uma situação de diminuição da imunidade. Isso pode acontecer devido à aquisição de uma doença, uma infecção, pelo uso de certos medicamentos ou, mais comumente, pelo envelhecimento”, explica Stanislau. Nesses casos, o vírus escapa do controle imunológico, viaja pelo nervo e chega à pele, causando os sintomas, que começam com uma intensa queimação ou “pinicação”. Com o tempo, surge uma vermelhidão na pele, seguida pelo aparecimento de pequenas bolhas cheias de líquido, que podem transmitir a doença para quem nunca teve catapora. Passados alguns dias, essas vesículas ressecam, transformando-se em feridas e crostas. A manifestação fica restrita a apenas uma metade do copo, pois segue exatamente o trajeto do nervo, e pode aparecer em qualquer região do corpo. Febre e prostração podem ocorrer, e há formas sem lesões visíveis, complicando o diagnóstico. “Pacientes idosos, especialmente aqueles com mais de 50 anos, apresentam maior suscetibilidade, em comparação com indivíduos jovens e saudáveis”, afirma Curi. Indivíduos com o sistema imunológico fragilizado são mais vulneráveis ao herpes zóste, como pessoas que vivem com HIV, câncer e diabetes. “Pessoas saudáveis também podem, eventualmente, apresentar zóster, particularmente em situações de estresse prolongado, como falta de sono e fadiga”, diz Sakabe. Como funciona a vacina? A vacina anterior contra herpes zóster, a Zostavax, da MSD, produzida com vírus vivos atenuados, apresentava riscos potenciais e uma resposta imune menos eficaz, segundo Curi, do Hospital Felício Rocho. Por essa razão, a vacina foi descontinuada e sua disponibilidade é limitada. A vacina atualmente mais utilizada é a recombinante adjuvada, comercializada sob o nome Shingrix, da farmacêutica GSK. A vacina é feita com vírus inativado. Ela estimula a resposta imunológica do paciente e, dessa forma, reduz de maneira substancial —quase integral— a possibilidade de ocorrência da reativação da infecção ou da infecção propriamente dita, segundo Stanislau, da São Judas Inspirali. Sakabe, do Hospital Nove de Julho, explica que ela é altamente eficaz e segura, com duas doses aplicadas inclusive em quem já teve zóster, pois a doença pode recorrer. O esquema de vacinação preconizado é de duas doses, com intervalo entre dois e seis meses, sendo o limite máximo de 180 dias. Folha SP

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A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), órgão do governo brasileiro responsável por decidir quais medicamentos, vacinas e tratamentos devem ser oferecidos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), rejeitou por unanimidade a incorporação da vacina da herpes-zóster —recombinante adjuvada— no sistema público para idosos com 80 anos ou mais e imunocomprometidos a partir de 18 anos.

A recomendação da comissão é de 15 de agosto de 2025 e foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (12). Na prática, a decisão mantém o que já acontecia antes: a vacina segue disponível apenas na rede privada e demanda duas doses, custando cerca de R$ 900 cada aplicação —cerca de R$ 1.800 no total.

“Reconheceu-se a importância da vacina. No entanto, ela não foi considerada custo-efetiva, uma vez que o impacto orçamentário estimado ultrapassaria R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos. Para efeito de comparação, todos os medicamentos distribuídos pelo Programa Farmácia Popular custaram R$ 4,2 bilhões no ano passado”, disse o Ministério da Saúde em nota.

Segundo a pasta, até o momento, o laboratório responsável não apresentou nova proposta. O Ministério disse que manifestou interesse na incorporação da vacina e seguirá em negociação para a busca de um preço compatível com a disponibilidade orçamentária.

No Brasil, a vacina é aprovada para pessoas com 50 anos ou mais que possuam imunocompetência, ou seja, que não apresentem comprometimento imunológico patológico. Em pacientes imunocomprometidos, como indivíduos com HIV, a vacina está liberada a partir dos 18 anos.

Em abril do ano passado, quando o processo para incorporar a vacina foi iniciado, o ministro da Saúde Alexandre Padilha disse que o imunizante era uma prioridade da pasta.

“Pode ter certeza de que é uma prioridade nossa, enquanto ministro da Saúde, que essa vacina possa estar no Sistema Único de Saúde. A gente pode fazer grandes campanhas de vacinação para as pessoas que têm indicação de receber essa vacina”, afirmou o ministro à época.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, cerca de 30% das pessoas terão herpes-zóster uma vez na vida.

Médicos infectologistas ouvidos pela Folha lamentaram a decisão. “Lamento profundamente a ausência no SUS de uma vacina tão promissora, com resposta imune tão significativa, na programação de imunização de grupos de risco específicos”, disse Leandro Curi, infectologista do Hospital Felício Rocho.

Na perspectiva de Evaldo Stanislau, infectologista e coordenador de Medicina na São Judas Inspirali, a vacina recombinante adjuvada é “absolutamente prioritária” no SUS diante da alta prevalência e gravidade da infecção.

“A não incorporação fará persistir o quadro atual: idosos e imunocomprometidos que não se vacinaram por falta de condições econômicas continuarão suscetíveis à doença”, afirma.

Segundo Stanislau, investir na vacina sai mais barato do que tratar a doença. “O tratamento com antivirais e medicamentos para dor é extremamente caro, somado aos custos de exames e consultas médicas. Portanto, é muito mais vantajoso investir na prevenção através da vacina do que custear o tratamento”, explica.

É consenso entre os especialistas que não há alternativas nem estratégia preventiva eficaz contra o herpes-zóster no lugar da vacina barrada.

“Há pouco que se possa fazer. Manter o sistema imunológico saudável tratando as doenças imunossupressoras de base, como HIV, por exemplo, é uma ótima forma de se proteger, mas não garante proteção total”, afirma Sumire Sakabe, infectologista do Hospital Nove de Julho.

O que é a herpes-zóster?

A herpes-zóster, popularmente chamada de “cobreiro”, é causada pelo vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo da catapora. Após a infecção inicial na infância, o vírus não some. Ele fica “guardado” nos gânglios nervosos.

“A reativação ocorre a partir de uma situação de diminuição da imunidade. Isso pode acontecer devido à aquisição de uma doença, uma infecção, pelo uso de certos medicamentos ou, mais comumente, pelo envelhecimento”, explica Stanislau.

Nesses casos, o vírus escapa do controle imunológico, viaja pelo nervo e chega à pele, causando os sintomas, que começam com uma intensa queimação ou “pinicação”.

Com o tempo, surge uma vermelhidão na pele, seguida pelo aparecimento de pequenas bolhas cheias de líquido, que podem transmitir a doença para quem nunca teve catapora. Passados alguns dias, essas vesículas ressecam, transformando-se em feridas e crostas.

A manifestação fica restrita a apenas uma metade do copo, pois segue exatamente o trajeto do nervo, e pode aparecer em qualquer região do corpo.

Febre e prostração podem ocorrer, e há formas sem lesões visíveis, complicando o diagnóstico.

“Pacientes idosos, especialmente aqueles com mais de 50 anos, apresentam maior suscetibilidade, em comparação com indivíduos jovens e saudáveis”, afirma Curi.

Indivíduos com o sistema imunológico fragilizado são mais vulneráveis ao herpes zóste, como pessoas que vivem com HIV, câncer e diabetes.

“Pessoas saudáveis também podem, eventualmente, apresentar zóster, particularmente em situações de estresse prolongado, como falta de sono e fadiga”, diz Sakabe.

Como funciona a vacina?

A vacina anterior contra herpes zóster, a Zostavax, da MSD, produzida com vírus vivos atenuados, apresentava riscos potenciais e uma resposta imune menos eficaz, segundo Curi, do Hospital Felício Rocho. Por essa razão, a vacina foi descontinuada e sua disponibilidade é limitada.

A vacina atualmente mais utilizada é a recombinante adjuvada, comercializada sob o nome Shingrix, da farmacêutica GSK.

A vacina é feita com vírus inativado. Ela estimula a resposta imunológica do paciente e, dessa forma, reduz de maneira substancial —quase integral— a possibilidade de ocorrência da reativação da infecção ou da infecção propriamente dita, segundo Stanislau, da São Judas Inspirali.

Sakabe, do Hospital Nove de Julho, explica que ela é altamente eficaz e segura, com duas doses aplicadas inclusive em quem já teve zóster, pois a doença pode recorrer.

O esquema de vacinação preconizado é de duas doses, com intervalo entre dois e seis meses, sendo o limite máximo de 180 dias.



Folha SP

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Vacinas em idosos vão além da prevenção de infecções – 12/01/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/vacinas-em-idosos-vao-alem-da-prevencao-de-infeccoes-12-01-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/vacinas-em-idosos-vao-alem-da-prevencao-de-infeccoes-12-01-2026-equilibrio-e-saude/#respond Mon, 12 Jan 2026 22:14:11 +0000 https://folhasaude.com.br/vacinas-em-idosos-vao-alem-da-prevencao-de-infeccoes-12-01-2026-equilibrio-e-saude/ Vamos ser claros: a principal razão para ser vacinado contra o herpes-zóster é que duas doses fornecem 90% de proteção contra uma doença que pode causar dor nervosa persistente, bolhas no corpo e outras consequências desagradáveis a longo prazo. A razão mais importante para os adultos mais velhos serem vacinados contra a infecção respiratória por VSR (vírus sincicial respiratório) é que o risco de serem hospitalizados com ela diminui em quase 70% no ano em que recebem a vacina, e em quase 60% ao longo de dois anos. E o principal motivo para arregaçar a manga para uma vacina anual contra a gripe é que, quando as pessoas são infectadas, ela também reduz a gravidade da doença, embora sua eficácia varie de acordo com o quão bem os cientistas previram qual cepa de influenza aparecerá. Mas outras razões para os idosos serem vacinados também estão surgindo. Elas são conhecidas, no jargão médico, como benefícios “fora do alvo”, o que significa que as vacinas fazem coisas boas além de prevenir as doenças para as quais foram projetadas. A lista de benefícios “fora do alvo” está se ampliando à medida que “a pesquisa se acumulou e acelerou nos últimos 10 anos”, diz William Schaffner, especialista em doenças infecciosas do Centro Médico da Universidade Vanderbilt. Algumas dessas proteções foram estabelecidas por anos de dados; outras são objetos de pesquisas mais recentes, e o benefício ainda não está tão claro. A vacina contra o VSR, por exemplo, só se tornou disponível em 2023. Ainda assim, os resultados “são realmente muito consistentes”, afirma Stefania Maggi, geriatra e pesquisadora sênior do Instituto de Neurociência do Conselho Nacional de Pesquisa em Pádua, Itália. Ela é a autora principal de uma recente meta-análise, publicada na revista britânica Age and Ageing, que encontrou riscos reduzidos de demência após a vacinação para uma série de doenças. Dados esses “efeitos subsequentes”, ela diz, as vacinas “são ferramentas-chave para promover o envelhecimento saudável e prevenir o declínio físico e cognitivo”. No entanto, muitos adultos mais velhos, cujos sistemas imunológicos enfraquecidos e altas taxas de doenças crônicas os colocam em maior risco de doenças infecciosas, não aproveitaram a vacinação. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos relataram em meados de dezembro que cerca de 37% dos adultos mais velhos ainda não haviam recebido a vacina contra a gripe. Apenas 42% já foram vacinados contra o VSR, e menos de um terço recebeu a vacina mais recente contra a Covid-19. O CDC recomenda a vacina pneumocócica de dose única para adultos com 50 anos ou mais. Uma análise no American Journal of Preventive Medicine, no entanto, estimou que de 2022, quando novas diretrizes foram emitidas, até 2024, apenas cerca de 12% daqueles entre 67 e 74 anos a receberam, e cerca de 8% daqueles com mais de 75 anos. As evidências mais fortes para benefícios fora do alvo, datando de 25 anos atrás, mostram risco cardiovascular reduzido após vacinas contra a gripe. Adultos mais velhos saudáveis vacinados contra a gripe têm riscos substancialmente menores de hospitalização por insuficiência cardíaca, bem como por pneumonia e outras infecções respiratórias. A vacinação contra a influenza também foi associada a riscos mais baixos de ataque cardíaco e derrame. Além disso, muitos desses estudos são anteriores às vacinas contra a gripe mais potentes agora recomendadas para adultos mais velhos. A vacina contra o VSR, que protege contra outra doença respiratória, poderia ter efeitos cardiovasculares semelhantes? Um recente estudo dinamarquês de grande porte com adultos mais velhos encontrou uma diminuição de quase 10% nas hospitalizações cardiorrespiratórias —envolvendo o coração e os pulmões— entre os vacinados em comparação com um grupo de controle, uma diminuição significativa. No entanto, taxas reduzidas de hospitalizações cardiovasculares e derrame não alcançaram significância estatística. Isso pode refletir um período de acompanhamento curto ou testes diagnósticos inadequados, alerta Helen Chu, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Washington e coautora de um editorial que acompanha o estudo na Jama. “Não acho que o VSR se comporte de maneira diferente da gripe”, diz Chu. “É apenas muito cedo para ter as informações para o VSR, mas acho que mostrará o mesmo efeito, talvez até mais.” A vacinação contra outra doença respiratória perigosa, a Covid-19, foi associada a um menor risco de desenvolver Covid longa, com seus efeitos prejudiciais à saúde física e mental. Provavelmente as descobertas mais provocativas dizem respeito à vacinação contra o herpes-zóster, também conhecido como cobreiro. Pesquisadores fizeram manchetes no ano passado quando documentaram uma associação entre a vacinação contra o herpes-zóster e taxas mais baixas de demência —mesmo com a vacina menos eficaz que desde então foi substituída pela Shingrix, aprovada em 2017. Em 21 estudos envolvendo mais de 104 milhões de participantes na Europa, Ásia e América do Norte, a vacinação contra o herpes-zóster foi associada a uma redução de 24% no risco de desenvolver demência. A vacinação contra a gripe foi associada a uma redução de 13%. Aqueles vacinados contra infecção pneumocócica tiveram uma redução de 36% no risco de Alzheimer. A vacina contra tétano, difteria e coqueluche é recomendada para adultos a cada 10 anos, com a vacinação entre adultos mais velhos frequentemente motivada pelo nascimento de um neto, que não pode ser totalmente vacinado por meses. Ela foi associada a uma diminuição de um terço na demência. Outros pesquisadores estão investigando os efeitos da vacinação contra o herpes-zóster em ataques cardíacos e derrames e da vacinação contra a Covid-19 na sobrevivência ao câncer. O que causa esses bônus da vacina? A maioria das hipóteses se concentra na inflamação que surge quando o sistema imunológico se mobiliza para combater uma infecção. “Você tem danos ao ambiente circundante” no corpo, “e isso leva tempo para se acalmar”, diz Chu. Os efeitos da inflamação podem durar muito mais do que a doença inicial. Isso pode permitir que outras infecções se estabeleçam, ou causar ataques cardíacos e derrames quando coágulos se formam em vasos sanguíneos

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Vamos ser claros: a principal razão para ser vacinado contra o herpes-zóster é que duas doses fornecem 90% de proteção contra uma doença que pode causar dor nervosa persistente, bolhas no corpo e outras consequências desagradáveis a longo prazo.

A razão mais importante para os adultos mais velhos serem vacinados contra a infecção respiratória por VSR (vírus sincicial respiratório) é que o risco de serem hospitalizados com ela diminui em quase 70% no ano em que recebem a vacina, e em quase 60% ao longo de dois anos.

E o principal motivo para arregaçar a manga para uma vacina anual contra a gripe é que, quando as pessoas são infectadas, ela também reduz a gravidade da doença, embora sua eficácia varie de acordo com o quão bem os cientistas previram qual cepa de influenza aparecerá.

Mas outras razões para os idosos serem vacinados também estão surgindo. Elas são conhecidas, no jargão médico, como benefícios “fora do alvo”, o que significa que as vacinas fazem coisas boas além de prevenir as doenças para as quais foram projetadas.

A lista de benefícios “fora do alvo” está se ampliando à medida que “a pesquisa se acumulou e acelerou nos últimos 10 anos”, diz William Schaffner, especialista em doenças infecciosas do Centro Médico da Universidade Vanderbilt.

Algumas dessas proteções foram estabelecidas por anos de dados; outras são objetos de pesquisas mais recentes, e o benefício ainda não está tão claro. A vacina contra o VSR, por exemplo, só se tornou disponível em 2023.

Ainda assim, os resultados “são realmente muito consistentes”, afirma Stefania Maggi, geriatra e pesquisadora sênior do Instituto de Neurociência do Conselho Nacional de Pesquisa em Pádua, Itália.

Ela é a autora principal de uma recente meta-análise, publicada na revista britânica Age and Ageing, que encontrou riscos reduzidos de demência após a vacinação para uma série de doenças. Dados esses “efeitos subsequentes”, ela diz, as vacinas “são ferramentas-chave para promover o envelhecimento saudável e prevenir o declínio físico e cognitivo”.

No entanto, muitos adultos mais velhos, cujos sistemas imunológicos enfraquecidos e altas taxas de doenças crônicas os colocam em maior risco de doenças infecciosas, não aproveitaram a vacinação.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos relataram em meados de dezembro que cerca de 37% dos adultos mais velhos ainda não haviam recebido a vacina contra a gripe. Apenas 42% já foram vacinados contra o VSR, e menos de um terço recebeu a vacina mais recente contra a Covid-19.

O CDC recomenda a vacina pneumocócica de dose única para adultos com 50 anos ou mais. Uma análise no American Journal of Preventive Medicine, no entanto, estimou que de 2022, quando novas diretrizes foram emitidas, até 2024, apenas cerca de 12% daqueles entre 67 e 74 anos a receberam, e cerca de 8% daqueles com mais de 75 anos.

As evidências mais fortes para benefícios fora do alvo, datando de 25 anos atrás, mostram risco cardiovascular reduzido após vacinas contra a gripe.

Adultos mais velhos saudáveis vacinados contra a gripe têm riscos substancialmente menores de hospitalização por insuficiência cardíaca, bem como por pneumonia e outras infecções respiratórias. A vacinação contra a influenza também foi associada a riscos mais baixos de ataque cardíaco e derrame.

Além disso, muitos desses estudos são anteriores às vacinas contra a gripe mais potentes agora recomendadas para adultos mais velhos.

A vacina contra o VSR, que protege contra outra doença respiratória, poderia ter efeitos cardiovasculares semelhantes? Um recente estudo dinamarquês de grande porte com adultos mais velhos encontrou uma diminuição de quase 10% nas hospitalizações cardiorrespiratórias —envolvendo o coração e os pulmões— entre os vacinados em comparação com um grupo de controle, uma diminuição significativa.

No entanto, taxas reduzidas de hospitalizações cardiovasculares e derrame não alcançaram significância estatística. Isso pode refletir um período de acompanhamento curto ou testes diagnósticos inadequados, alerta Helen Chu, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Washington e coautora de um editorial que acompanha o estudo na Jama.

“Não acho que o VSR se comporte de maneira diferente da gripe”, diz Chu. “É apenas muito cedo para ter as informações para o VSR, mas acho que mostrará o mesmo efeito, talvez até mais.”

A vacinação contra outra doença respiratória perigosa, a Covid-19, foi associada a um menor risco de desenvolver Covid longa, com seus efeitos prejudiciais à saúde física e mental.

Provavelmente as descobertas mais provocativas dizem respeito à vacinação contra o herpes-zóster, também conhecido como cobreiro. Pesquisadores fizeram manchetes no ano passado quando documentaram uma associação entre a vacinação contra o herpes-zóster e taxas mais baixas de demência —mesmo com a vacina menos eficaz que desde então foi substituída pela Shingrix, aprovada em 2017.

Em 21 estudos envolvendo mais de 104 milhões de participantes na Europa, Ásia e América do Norte, a vacinação contra o herpes-zóster foi associada a uma redução de 24% no risco de desenvolver demência. A vacinação contra a gripe foi associada a uma redução de 13%. Aqueles vacinados contra infecção pneumocócica tiveram uma redução de 36% no risco de Alzheimer.

A vacina contra tétano, difteria e coqueluche é recomendada para adultos a cada 10 anos, com a vacinação entre adultos mais velhos frequentemente motivada pelo nascimento de um neto, que não pode ser totalmente vacinado por meses. Ela foi associada a uma diminuição de um terço na demência.

Outros pesquisadores estão investigando os efeitos da vacinação contra o herpes-zóster em ataques cardíacos e derrames e da vacinação contra a Covid-19 na sobrevivência ao câncer.

O que causa esses bônus da vacina? A maioria das hipóteses se concentra na inflamação que surge quando o sistema imunológico se mobiliza para combater uma infecção. “Você tem danos ao ambiente circundante” no corpo, “e isso leva tempo para se acalmar”, diz Chu.

Os efeitos da inflamação podem durar muito mais do que a doença inicial. Isso pode permitir que outras infecções se estabeleçam, ou causar ataques cardíacos e derrames quando coágulos se formam em vasos sanguíneos estreitados. “Se você prevenir a infecção, você previne esse outro dano.”



Folha SP

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Cinco treinos para iniciantes adotarem uma rotina fitness – 11/01/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/cinco-treinos-para-iniciantes-adotarem-uma-rotina-fitness-11-01-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/cinco-treinos-para-iniciantes-adotarem-uma-rotina-fitness-11-01-2026-equilibrio/#respond Sun, 11 Jan 2026 20:48:35 +0000 https://folhasaude.com.br/cinco-treinos-para-iniciantes-adotarem-uma-rotina-fitness-11-01-2026-equilibrio/ O Ano Novo é um momento perfeito para iniciar o hábito de praticar exercícios, mas pode ser difícil descobrir por onde começar. Jenny Liebl, treinadora da Associação Internacional de Ciências do Esporte, recomenda que novos praticantes comecem fazendo uma lista de motivos pelos quais querem se exercitar, concentrando-se em como desejam se sentir —por exemplo, menos cansados pela manhã, com mais flexibilidade ou mais energia. Ao experimentar diferentes treinos, observe como você está se sentindo ao longo do tempo, diz Liebl. “Depois de uma ou duas semanas de prática, como está seu sono? Como estão seus joelhos e suas costas?”, sugere. Essa abordagem permite que você use a si mesmo como referência, diz ela, em vez de se comparar com outras pessoas. Muitos iniciantes são muito duros consigo mesmos e presumem que não estão fazendo o suficiente, o que torna difícil continuar, acrescenta Liebl. Não importa com que frequência você se exercita no início, desde que você consiga encontrar uma rotina. Escolha um horário em sua agenda para se exercitar —digamos, uma vez por semana— e seja consistente. “Não importa o que você faça, se fizer com consistência, é aí que você verá resultados”, afirma Liebl. Você não precisa encontrar o treino perfeito no primeiro dia. Use o primeiro mês do ano para explorar diferentes tipos de movimento e saber do que você gosta e o que faz você se sentir bem. Você pode se surpreender. Com isso em mente, aqui vão cinco treinos para iniciantes para ajudá-lo a se movimentar. Mova-se Quer praticar exercícios? Receba uma newsletter com quatro treinos para começar O TREINO QUE NÃO PARECE TREINO Para algumas pessoas, simplesmente chamar algo de treino pode ser um bloqueio mental. Então comece apenas com um conjunto simples de movimentos pela manhã para se preparar para o dia. Você nem precisa sair do seu quarto. Quanto tempo: 10 minutos Para que serve: Começar a se movimentar e desenvolver um hábito Frequência: Uma vez por semana para começar A mobilidade, que é a mistura de flexibilidade e força, é importante para movimentos cotidianos como se abaixar ou alcançar uma prateleira alta. Melhorá-la leva menos tempo do que você imagina, se você se dedicar. A chave é encontrar movimentos que desenvolvam força em toda a sua amplitude. Quanto tempo: 10 minutos Para que serve: Sentir-se mais confortável e estável enquanto se movimenta Frequência: Até 3 vezes por semana INTRODUÇÃO AO PILATES Pilates não é apenas mais uma moda de exercícios, é uma ótima maneira de desenvolver força para a vida diária. Muitas aulas em estúdio são construídas em torno de um aparelho chamado reformer, que usa molas e faixas para criar resistência. Mas você também pode fazer uma versão eficaz do treino em casa, no solo, sem nenhum equipamento. Quanto tempo: 10 minutos Para que serve: Desenvolver força no core, melhorar a postura e fortalecer a conexão mente-corpo Frequência: Uma vez por semana para começar IOGA PARA RELAXAR Ioga é outra excelente maneira de construir um hábito fitness. A prática pode ajudá-lo a relaxar, melhorar sua flexibilidade e ajudá-lo a se sentir mais confortável após um longo dia sentado. Uma sessão suave à noite também pode ser uma ferramenta útil para se preparar para dormir após um longo dia. Quanto tempo: 10 minutos Para que serve: Acalmar sua mente e relaxar seu corpo Com que frequência: Até 3 vezes por semana TREINO PARA MELHORAR O EQUILÍBRIO Equilíbrio, assim como força e flexibilidade, é importante manter à medida que você envelhece. É uma boa ideia testar-se de vez em quando para ver quão estável você se sente em seus pés. Se você não estiver satisfeito com os resultados, esses exercícios podem ajudá-lo a melhorar. Quanto tempo: Menos de 10 minutos Para que serve: Melhorar seu senso de equilíbrio e estabilidade Frequência: Até 2 ou 3 vezes por semana Folha SP

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O Ano Novo é um momento perfeito para iniciar o hábito de praticar exercícios, mas pode ser difícil descobrir por onde começar.

Jenny Liebl, treinadora da Associação Internacional de Ciências do Esporte, recomenda que novos praticantes comecem fazendo uma lista de motivos pelos quais querem se exercitar, concentrando-se em como desejam se sentir —por exemplo, menos cansados pela manhã, com mais flexibilidade ou mais energia.

Ao experimentar diferentes treinos, observe como você está se sentindo ao longo do tempo, diz Liebl. “Depois de uma ou duas semanas de prática, como está seu sono? Como estão seus joelhos e suas costas?”, sugere.

Essa abordagem permite que você use a si mesmo como referência, diz ela, em vez de se comparar com outras pessoas. Muitos iniciantes são muito duros consigo mesmos e presumem que não estão fazendo o suficiente, o que torna difícil continuar, acrescenta Liebl.

Não importa com que frequência você se exercita no início, desde que você consiga encontrar uma rotina. Escolha um horário em sua agenda para se exercitar —digamos, uma vez por semana— e seja consistente.

“Não importa o que você faça, se fizer com consistência, é aí que você verá resultados”, afirma Liebl.

Você não precisa encontrar o treino perfeito no primeiro dia. Use o primeiro mês do ano para explorar diferentes tipos de movimento e saber do que você gosta e o que faz você se sentir bem. Você pode se surpreender.

Com isso em mente, aqui vão cinco treinos para iniciantes para ajudá-lo a se movimentar.

O TREINO QUE NÃO PARECE TREINO

Para algumas pessoas, simplesmente chamar algo de treino pode ser um bloqueio mental. Então comece apenas com um conjunto simples de movimentos pela manhã para se preparar para o dia. Você nem precisa sair do seu quarto.

  • Quanto tempo: 10 minutos
  • Para que serve: Começar a se movimentar e desenvolver um hábito
  • Frequência: Uma vez por semana para começar

A mobilidade, que é a mistura de flexibilidade e força, é importante para movimentos cotidianos como se abaixar ou alcançar uma prateleira alta. Melhorá-la leva menos tempo do que você imagina, se você se dedicar. A chave é encontrar movimentos que desenvolvam força em toda a sua amplitude.

  • Quanto tempo: 10 minutos
  • Para que serve: Sentir-se mais confortável e estável enquanto se movimenta
  • Frequência: Até 3 vezes por semana

INTRODUÇÃO AO PILATES

Pilates não é apenas mais uma moda de exercícios, é uma ótima maneira de desenvolver força para a vida diária.

Muitas aulas em estúdio são construídas em torno de um aparelho chamado reformer, que usa molas e faixas para criar resistência. Mas você também pode fazer uma versão eficaz do treino em casa, no solo, sem nenhum equipamento.

  • Quanto tempo: 10 minutos
  • Para que serve: Desenvolver força no core, melhorar a postura e fortalecer a conexão mente-corpo
  • Frequência: Uma vez por semana para começar

IOGA PARA RELAXAR

Ioga é outra excelente maneira de construir um hábito fitness. A prática pode ajudá-lo a relaxar, melhorar sua flexibilidade e ajudá-lo a se sentir mais confortável após um longo dia sentado. Uma sessão suave à noite também pode ser uma ferramenta útil para se preparar para dormir após um longo dia.

  • Quanto tempo: 10 minutos
  • Para que serve: Acalmar sua mente e relaxar seu corpo
  • Com que frequência: Até 3 vezes por semana

TREINO PARA MELHORAR O EQUILÍBRIO

Equilíbrio, assim como força e flexibilidade, é importante manter à medida que você envelhece. É uma boa ideia testar-se de vez em quando para ver quão estável você se sente em seus pés. Se você não estiver satisfeito com os resultados, esses exercícios podem ajudá-lo a melhorar.

  • Quanto tempo: Menos de 10 minutos
  • Para que serve: Melhorar seu senso de equilíbrio e estabilidade
  • Frequência: Até 2 ou 3 vezes por semana



Folha SP

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Primeira morte por dengue de 2026 é investigada em SP – 10/01/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/primeira-morte-por-dengue-de-2026-e-investigada-em-sp-10-01-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/primeira-morte-por-dengue-de-2026-e-investigada-em-sp-10-01-2026-equilibrio-e-saude/#respond Sat, 10 Jan 2026 20:19:32 +0000 https://folhasaude.com.br/primeira-morte-por-dengue-de-2026-e-investigada-em-sp-10-01-2026-equilibrio-e-saude/ O município de Nova Guataporanga (a 658 km de São Paulo) investiga a primeira morte por dengue no estado em 2026. Trata-se de um homem de 53 anos. A informação é da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo. A cidade, localizada no Departamento Regional de Saúde de Presidente Prudente, tem dois casos da doença confirmados, segundo o painel de arboviroses da pasta. Os dados na plataforma foram atualizados neste sábado (10). Na mesma época, em 2025, havia um caso investigado no local. A reportagem não conseguiu contato com o município. Em uma rede social da Secretaria da Saúde de Nova Guataporanga, há alertas sobre a circulação do vírus. As primeiras ações de combate ao mosquito Aedes aegypti —que também transmite zika e chikungunya— foram realizadas nos dias 5 e 6 de janeiro. De acordo com o painel, em todo o estado, em 2026, há 1.538 casos prováveis de dengue —289 confirmados e 1.249 em investigação. No mesmo período do ano passado eram 23.435 casos prováveis, com 23.149 confirmados e 36 mortes. No total, 55 cidades paulistas têm casos confirmados de dengue. São Paulo lidera a lista, com 90. Presidente Prudente, Jacareí e São José dos Campos possuem 30, 28 e 18, respectivamente. Em nota, a Secretaria da Saúde afirma que desde o início da atual gestão, o Governo de São Paulo tem investido e adotado medidas para controle e monitoramento contínuo do cenário da dengue e outras arboviroses. Em 2024 e 2025, o estado repassou cerca de R$ 1,3 bilhão para as 645 cidades paulistas utilizarem no combate às arboviroses e fortalecimento da atenção básica, por meio do programa IGM SUS Paulista. Em parceria com os municípios paulistas, a secretaria realiza capacitações para profissionais de saúde, com o intuito de reduzir a incidência e mortalidade das doenças e coordenar a resposta estadual de forma integrada entre todos os níveis de atenção à saúde. A vacina de dose única do Instituto Butantan contra a dengue começará a ser aplicada no SUS (Sistema Único de Saúde) em 17 de janeiro nos municípios de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). No dia seguinte, Botucatu (SP) abrirá a sua campanha de imunização. O público-alvo será composto pela população de 15 a 59 anos. Na sequência, serão imunizados os profissionais de saúde da atenção primária que atuam na “linha de frente do SUS”, como médicos, enfermeiros e agentes de saúde, segundo o Ministério da Saúde. O teste será feito com uma parte do lote de 1,3 milhão de vacinas já entregue pelo Butantan. O instituto prevê a oferta de 30 milhões de doses anuais a partir do segundo semestre de 2026, com possibilidade de ampliação, a depender da demanda e da capacidade produtiva. Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar O Brasil poderá chegar a 1,8 milhão de brasileiros com dengue em 2026. Destes, 54% são esperados no estado de São Paulo. O ano de 2026 deverá ser o segundo maior em número de infecções desde 2010. A estimativa —que considera o período de 12 meses a partir de outubro de 2025— é resultado do InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge, uma ação internacional dos projetos InfoDengue e Mosqlimate, em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a FGV (Fundação Getulio Vargas). As análises para a próxima temporada sugerem um ano com características epidêmicas, mas sem sinais de alcançar os extremos de incidência observados em 2024. Dengue A dengue possui quatro sorotipos. Quando um indivíduo é infectado por um deles adquire imunidade contra aquele vírus, mas ainda fica suscetível aos demais. Quem apresentar febre alta (38°C a 40°C) de início repentino e pelo menos duas manifestações —dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás nos olhos— deve procurar uma unidade de saúde. Passada a fase crítica, a maioria se recupera. Em alguns casos, a doença pode progredir para formas graves e óbito. Os sinais de alarme para a gravidade são dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico),hipotensão postural (queda da pressão arterial ao levantar-se da posição sentada ou deitada), sensação de desmaio, letargia e/ou irritabilidade, aumento do tamanho do fígado, sangramento de mucosa eaumento progressivo do hematócrito. Não há tratamento específico para a dengue. Repouso e hidratação são essenciais. Folha SP

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O município de Nova Guataporanga (a 658 km de São Paulo) investiga a primeira morte por dengue no estado em 2026. Trata-se de um homem de 53 anos.

A informação é da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo.

A cidade, localizada no Departamento Regional de Saúde de Presidente Prudente, tem dois casos da doença confirmados, segundo o painel de arboviroses da pasta. Os dados na plataforma foram atualizados neste sábado (10). Na mesma época, em 2025, havia um caso investigado no local.

A reportagem não conseguiu contato com o município. Em uma rede social da Secretaria da Saúde de Nova Guataporanga, há alertas sobre a circulação do vírus. As primeiras ações de combate ao mosquito Aedes aegypti —que também transmite zika e chikungunya— foram realizadas nos dias 5 e 6 de janeiro.

De acordo com o painel, em todo o estado, em 2026, há 1.538 casos prováveis de dengue —289 confirmados e 1.249 em investigação. No mesmo período do ano passado eram 23.435 casos prováveis, com 23.149 confirmados e 36 mortes.

No total, 55 cidades paulistas têm casos confirmados de dengue. São Paulo lidera a lista, com 90. Presidente Prudente, Jacareí e São José dos Campos possuem 30, 28 e 18, respectivamente.

Em nota, a Secretaria da Saúde afirma que desde o início da atual gestão, o Governo de São Paulo tem investido e adotado medidas para controle e monitoramento contínuo do cenário da dengue e outras arboviroses.

Em 2024 e 2025, o estado repassou cerca de R$ 1,3 bilhão para as 645 cidades paulistas utilizarem no combate às arboviroses e fortalecimento da atenção básica, por meio do programa IGM SUS Paulista.

Em parceria com os municípios paulistas, a secretaria realiza capacitações para profissionais de saúde, com o intuito de reduzir a incidência e mortalidade das doenças e coordenar a resposta estadual de forma integrada entre todos os níveis de atenção à saúde.

A vacina de dose única do Instituto Butantan contra a dengue começará a ser aplicada no SUS (Sistema Único de Saúde) em 17 de janeiro nos municípios de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). No dia seguinte, Botucatu (SP) abrirá a sua campanha de imunização.

O público-alvo será composto pela população de 15 a 59 anos. Na sequência, serão imunizados os profissionais de saúde da atenção primária que atuam na “linha de frente do SUS”, como médicos, enfermeiros e agentes de saúde, segundo o Ministério da Saúde. O teste será feito com uma parte do lote de 1,3 milhão de vacinas já entregue pelo Butantan.

O instituto prevê a oferta de 30 milhões de doses anuais a partir do segundo semestre de 2026, com possibilidade de ampliação, a depender da demanda e da capacidade produtiva.

Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno.

O Brasil poderá chegar a 1,8 milhão de brasileiros com dengue em 2026. Destes, 54% são esperados no estado de São Paulo. O ano de 2026 deverá ser o segundo maior em número de infecções desde 2010.

A estimativa —que considera o período de 12 meses a partir de outubro de 2025— é resultado do InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge, uma ação internacional dos projetos InfoDengue e Mosqlimate, em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a FGV (Fundação Getulio Vargas).

As análises para a próxima temporada sugerem um ano com características epidêmicas, mas sem sinais de alcançar os extremos de incidência observados em 2024.

Dengue

A dengue possui quatro sorotipos. Quando um indivíduo é infectado por um deles adquire imunidade contra aquele vírus, mas ainda fica suscetível aos demais.

Quem apresentar febre alta (38°C a 40°C) de início repentino e pelo menos duas manifestações —dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás nos olhos— deve procurar uma unidade de saúde.

Passada a fase crítica, a maioria se recupera. Em alguns casos, a doença pode progredir para formas graves e óbito.

Os sinais de alarme para a gravidade são dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico),
hipotensão postural (queda da pressão arterial ao levantar-se da posição sentada ou deitada), sensação de desmaio, letargia e/ou irritabilidade, aumento do tamanho do fígado, sangramento de mucosa e
aumento progressivo do hematócrito.

Não há tratamento específico para a dengue. Repouso e hidratação são essenciais.



Folha SP

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Vídeos curtos e rápidos prejudicam a saúde dos olhos – 09/01/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/videos-curtos-e-rapidos-prejudicam-a-saude-dos-olhos-09-01-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/videos-curtos-e-rapidos-prejudicam-a-saude-dos-olhos-09-01-2026-equilibrio-e-saude/#respond Fri, 09 Jan 2026 20:11:35 +0000 https://folhasaude.com.br/videos-curtos-e-rapidos-prejudicam-a-saude-dos-olhos-09-01-2026-equilibrio-e-saude/ Um estudo realizado na Índia alerta sobre o impacto na saúde ocular do tipo de conteúdo consumido no celular. Ao comparar leitura de e-books, vídeos convencionais e vídeos curtos e dinâmicos populares nas redes sociais, os pesquisadores observaram que esses últimos sobrecarregam mais os olhos, provocando maior oscilação no tamanho da pupila e redução da frequência de piscadas, sinais comuns de fadiga ocular digital. Publicada no Journal of Eye Movement Research, a pesquisa acompanhou 30 jovens adultos durante uma hora de uso contínuo do smartphone. Os pesquisadores criaram um sistema portátil para medir em tempo real a taxa de piscadas, o intervalo entre elas e o diâmetro da pupila. O equipamento tinha uma câmera infravermelha acoplada a um microprocessador e registrou as alterações oculares sem interferir no uso natural do celular. Ao longo do experimento, os pesquisadores perceberam que houve queda significativa na taxa de piscadas em todas as atividades analisadas: durante a leitura, ao assistir a vídeos mais longos e ao consumir Reels (como são chamados os vídeos curtos no Instagram). Esse comportamento faz com que os olhos permaneçam abertos por mais tempo, favorecendo o ressecamento e o cansaço visual. Além disso, enquanto o diâmetro da pupila se manteve relativamente estável durante a leitura e os vídeos longos, nos conteúdos curtos e rápidos houve variações mais intensas. “A fadiga ocular, clinicamente chamada de astenopia, é um conjunto de sintomas que surge quando o sistema visual fica sobrecarregado por esforço contínuo, especialmente em tarefas de perto. Ela está associada à redução da frequência de piscadas, ao esforço de foco e a fatores como brilho excessivo e iluminação inadequada”, explica o oftalmologista Lucas Zago, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia. É o caso dos vídeos curtos, diariamente consumidos em redes sociais como Instagram, TikTok e YouTube. “Eles são compostos por mudanças rápidas e constantes de brilho, contraste e imagens. Isso exige uma adaptação contínua do sistema visual, fazendo com que a pupila se contraia e dilate o tempo todo. Esse esforço repetido favorece o surgimento da fadiga ocular, diferentemente de conteúdos mais estáticos, como a leitura”, afirma Zago. Na prática clínica, esse padrão já é bem conhecido. “Temos observado um aumento de pacientes com queixas visuais associadas ao uso intenso de redes sociais. Alguns centros, inclusive, têm chamado esse conjunto de sintomas de uma espécie de reel vision syndrome”, relata o oftalmologista. Problema cada vez mais comum A ideia de investigar os impactos do uso do celular na saúde ocular partiu de uma constatação cada vez mais preocupante: o smartphone deixou de ser um acessório e passou a ocupar lugar central na vida cotidiana das pessoas. Em 2023, mais de 68% da população mundial já possuía um aparelho. No Brasil, a dependência é ainda maior: em 2024, 167,5 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais tinham um celular para uso pessoal, o que representa quase 9 em cada 10 pessoas nessa faixa etária (88,9%). É o que revela a última edição da Pnad Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação, pesquisa anual conduzida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse uso gera diversos incômodos. Na pesquisa indiana, 60% dos participantes relataram desconforto ocular, dor no pescoço ou fadiga nas mãos, e 83% associaram o tempo excessivo de tela a ansiedade, distúrbios do sono ou exaustão mental. Em relação aos olhos, os efeitos não são apenas momentâneos. “No curto prazo, podem surgir ardor, lacrimejamento, visão borrada e dor de cabeça. No longo prazo, especialmente em pessoas predispostas, a redução frequente das piscadas pode piorar quadros de olho seco e comprometer a lubrificação ocular”, alerta Lucas Zago. Embora muitos sintomas sejam passageiros, é importante ficar atento aos sinais de alerta. “Sensação leve de cansaço, ressecamento discreto ou visão embaçada que melhora após uma pausa costumam ser temporários”, explica o oftalmologista. “Já dor ocular intensa, vermelhidão persistente, sensibilidade exagerada à luz, visão dupla ou dor de cabeça frequente justificam uma avaliação oftalmológica.” Como proteger os olhos Entre as principais recomendações está seguir a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto a cerca de 20 pés de distância (cerca de seis metros). Outras medidas indicadas são ajustar o brilho da tela ao ambiente, evitar o uso do celular no escuro, manter distância adequada dos olhos e lembrar de piscar com mais frequência. Em alguns casos, o uso de lágrimas artificiais pode ajudar, desde que com orientação médica. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Os pequenos merecem atenção especial. “O sistema visual e o sistema nervoso central das crianças ainda estão em desenvolvimento. Aquelas abaixo de 2 anos não devem ter nenhuma exposição a telas, e o uso excessivo está associado a maior risco de desenvolvimento e progressão da miopia”, adverte o médico do Einstein. Por isso, atividades ao ar livre e o uso consciente das telas devem ser sempre estimulados. Folha SP

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Um estudo realizado na Índia alerta sobre o impacto na saúde ocular do tipo de conteúdo consumido no celular. Ao comparar leitura de e-books, vídeos convencionais e vídeos curtos e dinâmicos populares nas redes sociais, os pesquisadores observaram que esses últimos sobrecarregam mais os olhos, provocando maior oscilação no tamanho da pupila e redução da frequência de piscadas, sinais comuns de fadiga ocular digital.

Publicada no Journal of Eye Movement Research, a pesquisa acompanhou 30 jovens adultos durante uma hora de uso contínuo do smartphone. Os pesquisadores criaram um sistema portátil para medir em tempo real a taxa de piscadas, o intervalo entre elas e o diâmetro da pupila. O equipamento tinha uma câmera infravermelha acoplada a um microprocessador e registrou as alterações oculares sem interferir no uso natural do celular.

Ao longo do experimento, os pesquisadores perceberam que houve queda significativa na taxa de piscadas em todas as atividades analisadas: durante a leitura, ao assistir a vídeos mais longos e ao consumir Reels (como são chamados os vídeos curtos no Instagram). Esse comportamento faz com que os olhos permaneçam abertos por mais tempo, favorecendo o ressecamento e o cansaço visual. Além disso, enquanto o diâmetro da pupila se manteve relativamente estável durante a leitura e os vídeos longos, nos conteúdos curtos e rápidos houve variações mais intensas.

“A fadiga ocular, clinicamente chamada de astenopia, é um conjunto de sintomas que surge quando o sistema visual fica sobrecarregado por esforço contínuo, especialmente em tarefas de perto. Ela está associada à redução da frequência de piscadas, ao esforço de foco e a fatores como brilho excessivo e iluminação inadequada”, explica o oftalmologista Lucas Zago, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.

É o caso dos vídeos curtos, diariamente consumidos em redes sociais como Instagram, TikTok e YouTube. “Eles são compostos por mudanças rápidas e constantes de brilho, contraste e imagens. Isso exige uma adaptação contínua do sistema visual, fazendo com que a pupila se contraia e dilate o tempo todo. Esse esforço repetido favorece o surgimento da fadiga ocular, diferentemente de conteúdos mais estáticos, como a leitura”, afirma Zago.

Na prática clínica, esse padrão já é bem conhecido. “Temos observado um aumento de pacientes com queixas visuais associadas ao uso intenso de redes sociais. Alguns centros, inclusive, têm chamado esse conjunto de sintomas de uma espécie de reel vision syndrome”, relata o oftalmologista.

Problema cada vez mais comum

A ideia de investigar os impactos do uso do celular na saúde ocular partiu de uma constatação cada vez mais preocupante: o smartphone deixou de ser um acessório e passou a ocupar lugar central na vida cotidiana das pessoas. Em 2023, mais de 68% da população mundial já possuía um aparelho.

No Brasil, a dependência é ainda maior: em 2024, 167,5 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais tinham um celular para uso pessoal, o que representa quase 9 em cada 10 pessoas nessa faixa etária (88,9%). É o que revela a última edição da Pnad Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação, pesquisa anual conduzida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Esse uso gera diversos incômodos. Na pesquisa indiana, 60% dos participantes relataram desconforto ocular, dor no pescoço ou fadiga nas mãos, e 83% associaram o tempo excessivo de tela a ansiedade, distúrbios do sono ou exaustão mental.

Em relação aos olhos, os efeitos não são apenas momentâneos. “No curto prazo, podem surgir ardor, lacrimejamento, visão borrada e dor de cabeça. No longo prazo, especialmente em pessoas predispostas, a redução frequente das piscadas pode piorar quadros de olho seco e comprometer a lubrificação ocular”, alerta Lucas Zago.

Embora muitos sintomas sejam passageiros, é importante ficar atento aos sinais de alerta. “Sensação leve de cansaço, ressecamento discreto ou visão embaçada que melhora após uma pausa costumam ser temporários”, explica o oftalmologista. “Já dor ocular intensa, vermelhidão persistente, sensibilidade exagerada à luz, visão dupla ou dor de cabeça frequente justificam uma avaliação oftalmológica.”

Como proteger os olhos

Entre as principais recomendações está seguir a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto a cerca de 20 pés de distância (cerca de seis metros). Outras medidas indicadas são ajustar o brilho da tela ao ambiente, evitar o uso do celular no escuro, manter distância adequada dos olhos e lembrar de piscar com mais frequência. Em alguns casos, o uso de lágrimas artificiais pode ajudar, desde que com orientação médica.

Os pequenos merecem atenção especial. “O sistema visual e o sistema nervoso central das crianças ainda estão em desenvolvimento. Aquelas abaixo de 2 anos não devem ter nenhuma exposição a telas, e o uso excessivo está associado a maior risco de desenvolvimento e progressão da miopia”, adverte o médico do Einstein. Por isso, atividades ao ar livre e o uso consciente das telas devem ser sempre estimulados.



Folha SP

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