Arquivo de Saúde e Bem-Estar - Folha - Saúde https://folhasaude.com.br/category/saude/ Thu, 05 Mar 2026 04:39:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://folhasaude.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Five-Icon-Folha1-150x150.png Arquivo de Saúde e Bem-Estar - Folha - Saúde https://folhasaude.com.br/category/saude/ 32 32 Viver em zona de guerra provoca dependência de adrenalina? – 04/03/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/viver-em-zona-de-guerra-provoca-dependencia-de-adrenalina-04-03-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/viver-em-zona-de-guerra-provoca-dependencia-de-adrenalina-04-03-2026-equilibrio/#respond Thu, 05 Mar 2026 04:39:50 +0000 https://folhasaude.com.br/viver-em-zona-de-guerra-provoca-dependencia-de-adrenalina-04-03-2026-equilibrio/ “Na minha cabeça, eu entendo que as explosões são perigosas e assustadoras… mas, no meu corpo, eu só quero sentir isso de novo”, diz Margarita. Quatro anos após a invasão em larga escala da Rússia, muitos ucranianos relatam emoções complexas. Os bombardeios se tornaram tão familiares que alguns afirmam sentir, ao mesmo tempo, medo e excitação durante as explosões, algo que os psicólogos passaram a chamar de “vício em adrenalina”. Centenas de pessoas reagiram quando o psiquiatra Yevhen Skrypnyk, do Centro de Saúde Pública do Ministério da Saúde da Ucrânia, publicou sobre o tema nas redes sociais, descrevendo como o “novo problema psicológico dos ucranianos”. Muitos disseram se identificar com o relato, mas afirmaram sentir vergonha e medo dessas emoções. Outros responderam dizendo que esse é um conceito absurdo e questionaram como alguém poderia sentir prazer diante de um evento aterrorizante que causa sofrimento. O que desencadeia essas emoções e o que elas revelam sobre a saúde mental de pessoas que vivem em zonas de guerra? ‘Em constante expectativa’ Margarita, 27, que vive em Kiev, capital da Ucrânia, acredita que pode ter experimentado o chamado “vício em adrenalina”. Desde que voltou para casa com o marido, em junho de 2022, ela ouve bombardeios com frequência em seu apartamento no bairro de Podil. Em entrevista à BBC Ucrânia, ela diz que reage de forma neutra aos alertas de ataque aéreo, mas que as explosões “despertam interesse”. De maneira subconsciente, ela diz, sente vontade de estar no centro de uma emergência, seja como testemunha, seja para ajudar outras pessoas. “Quase a cada bombardeio em massa, surge a excitação: ‘E se as janelas estilhaçarem?'”, diz. “Essa é a minha fantasia ‘preferida’ —relativamente segura, inocente, mas revigorante. Como se eu estivesse em constante expectativa.” Margarita afirma que alguns desses pensamentos a assustavam, mas que diminuíram durante a gravidez e após o nascimento do filho. Agora, durante os bombardeios, seu “mecanismo de defesa” é acionado com mais intensidade, e ela se preocupa com o que pode acontecer caso o ataque seja grave. “Lá fora é inverno, está congelando. Eu não quero a ação e o brilho de antes.” O que causa o ‘vício em adrenalina’? O chamado “vício em adrenalina” é um estado psicológico, não uma doença mental, afirma Skrypnyk, do Centro de Saúde Pública do Ministério da Saúde da Ucrânia, em entrevista à BBC. Quando as pessoas vivem sob estresse constante, explica ele, os hormônios cortisol e adrenalina são liberados. Eles suprimem a liberação de dopamina, o chamado hormônio do prazer, o que faz com que as atividades que antes proporcionavam satisfação deixem de ter o mesmo efeito. Quando explosões ocorrem em torno de pessoas já nesse estado, provocam um pico de adrenalina, capaz de gerar uma sensação intensa em um momento em que a dopamina está reduzida. Algumas pessoas podem se tornar dependentes dessa estimulação intensa do sistema nervoso. “Antes, era preciso algo extremo para provocar isso, como um acidente de trânsito, um salto de paraquedas ou ao escalar uma montanha”, diz Skrypnyk. Segundo ele, hoje a forma mais simples é esperar por um ataque de drone. Ainda assim, o vício em adrenalina não deve ser confundido com “masoquismo”, afirma Valeria Paliy, vice-presidente da Associação Nacional de Psicologia da Ucrânia. Trata-se, segundo ela, do desejo de alívio após períodos de ansiedade. Isso é o mesmo que TEPT? O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é precedido por um evento traumático específico e envolve revivescências, lembranças intrusivas, crises de choro, ansiedade e estado constante de alerta diante de possíveis ameaças. O “vício em adrenalina”, segundo Skrypnyk, se aproxima mais de um transtorno de adaptação que pode ocorrer em qualquer pessoa. Mas pessoas com transtornos de ansiedade, explica ele, chegam a se sentir mais calmos durante explosões, pois seus níveis de adrenalina já estão elevados. “No início da guerra, homens e mulheres que não eram ansiosos entravam em pânico e corriam, enquanto pacientes com transtornos de ansiedade arrumavam as malas com tranquilidade, acalmavam seus cônjuges e agiam de forma mais consistente e concentrada”, afirma Skrypnyk. Iryna, de Kiev, relatou ter vivenciado algo semelhante. “Há essa reação interna estranha do sistema nervoso, quando você deveria estar no seu pior momento e se sente na melhor versão de si mesma”, diz. Durante os bombardeios, explica, as ansiedades e os pensamentos que antes a atrapalhavam desaparecem, dando lugar a uma sensação de concentração. O psicoterapeuta Volodymyr Stanchyshyn, de Lviv, autor de “Emotional Swings of War” (Oscilações Emocionais da Guerra, em tradução livre), afirma compreender por que as pessoas vivenciam emoções tão complexas. Em meio às explosões, diz ele, as pessoas passam a ter uma única tarefa: sobreviver. “Nesse momento, a pessoa sente alívio, porque todo o resto é colocado em pausa.” O “vício em adrenalina” não deve ser considerado um grande problema, acrescenta Stanchyshyn, mas “uma característica da nossa psique que vale a pena observar”. ‘Você se acostuma rapidamente às coisas boas’ Alguns dos entrevistados pela BBC News Ucrânia afirmam que essa sensação passou com o tempo. Mykola, morador da vila de Chayki, no distrito de Bucha, relata que sentiu isso de forma intensa nas primeiras semanas da invasão em larga escala, quando as forças russas se aproximaram de Kiev. Naquele período, diz ele, quase todos os moradores de seu condomínio haviam deixado o local, incluindo a sua família. No entanto, ele permaneceu no apartamento, observando as explosões do 12º andar. “Havia batalhas de artilharia, combates aéreos com bayraktars [drones], havia também aviões de caça que eram abatidos à noite. Quando tudo estava em chamas ao redor, eu fazia café e assistia a esses acontecimentos da varanda por mais de um mês”, conta Mykola. Quando os russos deixaram a região, ele se lembra de ter pensado: “Sinto falta disso”. Mas, acrescenta, “você se acostuma rapidamente às coisas boas”, e em duas semanas a sensação desapareceu. A experiência da guerra terá consequências de longo prazo? Ainda não há dados suficientes para responder. De modo geral, a anedonia —a incapacidade de sentir prazer em atividades que antes traziam satisfação— está

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“Na minha cabeça, eu entendo que as explosões são perigosas e assustadoras… mas, no meu corpo, eu só quero sentir isso de novo”, diz Margarita.

Quatro anos após a invasão em larga escala da Rússia, muitos ucranianos relatam emoções complexas.

Os bombardeios se tornaram tão familiares que alguns afirmam sentir, ao mesmo tempo, medo e excitação durante as explosões, algo que os psicólogos passaram a chamar de “vício em adrenalina”.

Centenas de pessoas reagiram quando o psiquiatra Yevhen Skrypnyk, do Centro de Saúde Pública do Ministério da Saúde da Ucrânia, publicou sobre o tema nas redes sociais, descrevendo como o “novo problema psicológico dos ucranianos”. Muitos disseram se identificar com o relato, mas afirmaram sentir vergonha e medo dessas emoções.

Outros responderam dizendo que esse é um conceito absurdo e questionaram como alguém poderia sentir prazer diante de um evento aterrorizante que causa sofrimento.

O que desencadeia essas emoções e o que elas revelam sobre a saúde mental de pessoas que vivem em zonas de guerra?

‘Em constante expectativa’

Margarita, 27, que vive em Kiev, capital da Ucrânia, acredita que pode ter experimentado o chamado “vício em adrenalina”. Desde que voltou para casa com o marido, em junho de 2022, ela ouve bombardeios com frequência em seu apartamento no bairro de Podil.

Em entrevista à BBC Ucrânia, ela diz que reage de forma neutra aos alertas de ataque aéreo, mas que as explosões “despertam interesse”. De maneira subconsciente, ela diz, sente vontade de estar no centro de uma emergência, seja como testemunha, seja para ajudar outras pessoas.

“Quase a cada bombardeio em massa, surge a excitação: ‘E se as janelas estilhaçarem?'”, diz. “Essa é a minha fantasia ‘preferida’ —relativamente segura, inocente, mas revigorante. Como se eu estivesse em constante expectativa.”

Margarita afirma que alguns desses pensamentos a assustavam, mas que diminuíram durante a gravidez e após o nascimento do filho.

Agora, durante os bombardeios, seu “mecanismo de defesa” é acionado com mais intensidade, e ela se preocupa com o que pode acontecer caso o ataque seja grave. “Lá fora é inverno, está congelando. Eu não quero a ação e o brilho de antes.”

O que causa o ‘vício em adrenalina’?

O chamado “vício em adrenalina” é um estado psicológico, não uma doença mental, afirma Skrypnyk, do Centro de Saúde Pública do Ministério da Saúde da Ucrânia, em entrevista à BBC.

Quando as pessoas vivem sob estresse constante, explica ele, os hormônios cortisol e adrenalina são liberados. Eles suprimem a liberação de dopamina, o chamado hormônio do prazer, o que faz com que as atividades que antes proporcionavam satisfação deixem de ter o mesmo efeito.

Quando explosões ocorrem em torno de pessoas já nesse estado, provocam um pico de adrenalina, capaz de gerar uma sensação intensa em um momento em que a dopamina está reduzida.

Algumas pessoas podem se tornar dependentes dessa estimulação intensa do sistema nervoso.

“Antes, era preciso algo extremo para provocar isso, como um acidente de trânsito, um salto de paraquedas ou ao escalar uma montanha”, diz Skrypnyk. Segundo ele, hoje a forma mais simples é esperar por um ataque de drone.

Ainda assim, o vício em adrenalina não deve ser confundido com “masoquismo”, afirma Valeria Paliy, vice-presidente da Associação Nacional de Psicologia da Ucrânia. Trata-se, segundo ela, do desejo de alívio após períodos de ansiedade.

Isso é o mesmo que TEPT?

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é precedido por um evento traumático específico e envolve revivescências, lembranças intrusivas, crises de choro, ansiedade e estado constante de alerta diante de possíveis ameaças.

O “vício em adrenalina”, segundo Skrypnyk, se aproxima mais de um transtorno de adaptação que pode ocorrer em qualquer pessoa.

Mas pessoas com transtornos de ansiedade, explica ele, chegam a se sentir mais calmos durante explosões, pois seus níveis de adrenalina já estão elevados.

“No início da guerra, homens e mulheres que não eram ansiosos entravam em pânico e corriam, enquanto pacientes com transtornos de ansiedade arrumavam as malas com tranquilidade, acalmavam seus cônjuges e agiam de forma mais consistente e concentrada”, afirma Skrypnyk.

Iryna, de Kiev, relatou ter vivenciado algo semelhante. “Há essa reação interna estranha do sistema nervoso, quando você deveria estar no seu pior momento e se sente na melhor versão de si mesma”, diz.

Durante os bombardeios, explica, as ansiedades e os pensamentos que antes a atrapalhavam desaparecem, dando lugar a uma sensação de concentração.

O psicoterapeuta Volodymyr Stanchyshyn, de Lviv, autor de “Emotional Swings of War” (Oscilações Emocionais da Guerra, em tradução livre), afirma compreender por que as pessoas vivenciam emoções tão complexas.

Em meio às explosões, diz ele, as pessoas passam a ter uma única tarefa: sobreviver. “Nesse momento, a pessoa sente alívio, porque todo o resto é colocado em pausa.”

O “vício em adrenalina” não deve ser considerado um grande problema, acrescenta Stanchyshyn, mas “uma característica da nossa psique que vale a pena observar”.

‘Você se acostuma rapidamente às coisas boas’

Alguns dos entrevistados pela BBC News Ucrânia afirmam que essa sensação passou com o tempo.

Mykola, morador da vila de Chayki, no distrito de Bucha, relata que sentiu isso de forma intensa nas primeiras semanas da invasão em larga escala, quando as forças russas se aproximaram de Kiev.

Naquele período, diz ele, quase todos os moradores de seu condomínio haviam deixado o local, incluindo a sua família. No entanto, ele permaneceu no apartamento, observando as explosões do 12º andar.

“Havia batalhas de artilharia, combates aéreos com bayraktars [drones], havia também aviões de caça que eram abatidos à noite. Quando tudo estava em chamas ao redor, eu fazia café e assistia a esses acontecimentos da varanda por mais de um mês”, conta Mykola.

Quando os russos deixaram a região, ele se lembra de ter pensado: “Sinto falta disso”. Mas, acrescenta, “você se acostuma rapidamente às coisas boas”, e em duas semanas a sensação desapareceu.

A experiência da guerra terá consequências de longo prazo? Ainda não há dados suficientes para responder.

De modo geral, a anedonia —a incapacidade de sentir prazer em atividades que antes traziam satisfação— está na base do surgimento de transtornos de ansiedade e depressivos, explica Skrypnyk.

Quando a guerra terminar, as pessoas poderão buscar estímulos de adrenalina no cotidiano.

“Pode haver mais conflitos familiares, divórcios, consumo de álcool. As pessoas vão precisar de algum tipo de estímulo acima do limiar habitual”, afirma.

Mas ele acredita que a adaptação à vida normal pode ocorrer sem grandes dificuldades.

“Deixe a guerra acabar. Depois nós, psiquiatras e psicólogos, veremos.”



Folha SP

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Tratamento de obesidade é limitado no SUS, dizem analistas – 03/03/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/tratamento-de-obesidade-e-limitado-no-sus-dizem-analistas-03-03-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/tratamento-de-obesidade-e-limitado-no-sus-dizem-analistas-03-03-2026-equilibrio-e-saude/#respond Wed, 04 Mar 2026 04:26:33 +0000 https://folhasaude.com.br/tratamento-de-obesidade-e-limitado-no-sus-dizem-analistas-03-03-2026-equilibrio-e-saude/ O tratamento de obesidade no Brasil esbarra na falta de diagnóstico, de preparo profissional e de medicamentos, na análise de especialistas ouvidos pela Folha. Esses são os principais obstáculos para tratar a doença pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e, por consequência, reduzir a incidência no país, eles afirmam. O Atlas Mundial da Obesidade 2025, com dados do ano anterior, mostra que 1 a cada 3 brasileiros é obeso, número que deve crescer nos próximos anos. O mesmo estudo estima que 68% da população tem sobrepeso. O baixo índice de diagnósticos aparece em um levantamento recente do Datafolha. Segundo a pesquisa, quase 6 em cada 10 brasileiros estão obesos ou com sobrepeso, mas apenas 16% das pessoas já receberam um diagnóstico que aponte a condição. Essa realidade enfraquece o tratamento logo no seu início, afirma o médico Bruno Geloneze Neto, pesquisador do Centro de Pesquisas em Obesidade e Comorbidades da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professor na mesma universidade. “O principal gargalo é a falta de pessoal treinado para fazer um diagnóstico completo da obesidade e das comorbidades e propor uma abordagem dietética comportamental, que receberá como apoio medicação e cirurgia”, diz. Sem o diagnóstico, acrescenta o médico, é difícil definir com precisão as etapas do tratamento. “A indicação eficiente de uma [cirurgia] bariátrica, por exemplo, não exige apenas índice de massa corporal elevado, mas a presença confirmada de uma tentativa de perda ou manejo de peso durante ao menos dois anos.” Esse processo deveria ocorrer com orientação para prática de atividade física e suporte psicológico, diz Geloneze Neto, uma realidade distante no país. O motorista de aplicativo Carlos Barbosa perdeu o filho Samuel há seis anos. O jovem morreus aos 26 anos, meses após receber um balão gástrico para perder peso. Barbosa relata toda uma vida tentando cuidar do filho, que começou a ganhar peso ainda na infância e chegou aos 350 quilos. “Meu filho engordou devido ao uso de muito corticoide na infância. Aos seis anos ele começou o tratamento para obesidade, e os médicos disseram que o corpo estava produzindo insulina em excesso, por isso ele engordava muito”, conta o pai. Após o diagnóstico, o jovem foi encaminhado a outro hospital para investigar o que influenciava a condição. Mas a experiência não foi boa, e o tratamento nunca mais foi o mesmo. “No outro hospital, o médico só mandava ele subir na balança e praticar atividade física. E dizia que ele engordava porque ‘comia demais’. Chegamos até a brigar e meu filho desistiu do tratamento.” A família conta que, anos depois, decidiu contratar um convênio médico para Samuel. O jovem chegou a perder 150 kg após receber um balão gástrico e aguardava uma cirurgia bariátrica, mas morreu após um episódio de insuficiência respiratória. “Samuel tinha o sonho de se casar, de ter uma família. O prazer dele era cortar cabelo, algo que aprendeu a fazer sozinho desde cedo. Fez muitos amigos cortando cabelo, era querido no bairro. Era um bom filho”, lembra Carlos. Remédios e cirurgias Outro problema é que faltam medicamentos no tratamento clínico, afirma Maria Edna de Melo, médica assistente do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP e integrante da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica). “O programa do SUS preconiza alimentação e prática de atividade física, mas a medicação é nula. Com o tratamento clínico funcional, o paciente poderia ter resultados e, eventualmente, nem precisar de cirurgia. O que a realidade mostra, no entanto, são pessoas apenas esperando pela bariátrica”, diz Maria. Mudanças no estilo de vida são parte do processo, mas não suficientes quando a obesidade é um fator genético, por exemplo. Entre as doenças crônicas, a obesidade está no conjunto das condições que exigem tratamento integrado. A depender do caso, pode exigir endocrinologista, cardiologista, psicólogo, psiquiatra, nutricionista e educador físico, tornando intensa a rotina dos pacientes. Essas deficiências estão presentes em um contexto em que as canetas emagrecedoras atraem para si o centro da discussão sobre obesidade e sobrepeso no país, mas há outras drogas a se considerar. A especialista cita a sibutramina como exemplo. Trata-se de um medicamento inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, promovendo a saciedade. O remédio, que custa entre R$ 30 e R$ 80 em farmácias, teve sua incorporação ao SUS negada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde). Segundo o órgão, a substância apresentou bons resultados no curto prazo, mas usuários voltaram a ganhar peso no longo prazo. O impacto orçamentário, assim, inviabiliza a adoção, que poderia custar de R$ 769,5 milhões a R$ 2,9 bilhões em cinco anos. “A sibutramina custa R$ 30, e o Mounjaro, R$ 3.000. Na prática, a medicação seria utilizada com o paciente que é bom respondedor, e com critérios para retirada. Ela não seria, óbvio, usada em pacientes com contraindicação, mas tem baixo custo e excelentes respostas em muita gente. Ajudaria muito”, afirma Melo. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Denis Pajecki, especialista em bariátrica e coordenador do Departamento de Cirurgia Bariátrica da Abeso, afirma que a ampla maioria das pessoas em tratamento vai precisar de medicamentos. “Assumindo um número de 50 milhões de obesos no Brasil, como sugerem pesquisas, apenas 5 milhões serão candidatos à cirurgia, 10%. As medicações são necessárias para os outros 45 milhões, que vão precisar de estímulos”, diz. Pajecki reforça que a cirurgia deve ser recomendada ao paciente sem sucesso no tratamento clínico, etapa que incorpora, além de alimentação regrada e atividade física, a prescrição de medicamentos. Somando-se a esses dois gargalos, ele diz que o índice de bariátricas no Brasil é aquém do necessário. Segundo o Ministério da Saúde, o SUS realizou 14.014 procedimentos em 2025, “mais que o dobro das cirurgias realizadas em 2022”, último ano da gestão anterior. “A média mundial de acesso à bariátrica é baixa, de 1% a 1,5% dos candidatos por ano. Aplicando à realidade brasileira, isso seria algo em torno de 35

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O tratamento de obesidade no Brasil esbarra na falta de diagnóstico, de preparo profissional e de medicamentos, na análise de especialistas ouvidos pela Folha.

Esses são os principais obstáculos para tratar a doença pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e, por consequência, reduzir a incidência no país, eles afirmam.

O Atlas Mundial da Obesidade 2025, com dados do ano anterior, mostra que 1 a cada 3 brasileiros é obeso, número que deve crescer nos próximos anos. O mesmo estudo estima que 68% da população tem sobrepeso.

O baixo índice de diagnósticos aparece em um levantamento recente do Datafolha. Segundo a pesquisa, quase 6 em cada 10 brasileiros estão obesos ou com sobrepeso, mas apenas 16% das pessoas já receberam um diagnóstico que aponte a condição.

Essa realidade enfraquece o tratamento logo no seu início, afirma o médico Bruno Geloneze Neto, pesquisador do Centro de Pesquisas em Obesidade e Comorbidades da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professor na mesma universidade.

“O principal gargalo é a falta de pessoal treinado para fazer um diagnóstico completo da obesidade e das comorbidades e propor uma abordagem dietética comportamental, que receberá como apoio medicação e cirurgia”, diz.

Sem o diagnóstico, acrescenta o médico, é difícil definir com precisão as etapas do tratamento. “A indicação eficiente de uma [cirurgia] bariátrica, por exemplo, não exige apenas índice de massa corporal elevado, mas a presença confirmada de uma tentativa de perda ou manejo de peso durante ao menos dois anos.”

Esse processo deveria ocorrer com orientação para prática de atividade física e suporte psicológico, diz Geloneze Neto, uma realidade distante no país.

O motorista de aplicativo Carlos Barbosa perdeu o filho Samuel há seis anos. O jovem morreus aos 26 anos, meses após receber um balão gástrico para perder peso. Barbosa relata toda uma vida tentando cuidar do filho, que começou a ganhar peso ainda na infância e chegou aos 350 quilos.

“Meu filho engordou devido ao uso de muito corticoide na infância. Aos seis anos ele começou o tratamento para obesidade, e os médicos disseram que o corpo estava produzindo insulina em excesso, por isso ele engordava muito”, conta o pai.

Após o diagnóstico, o jovem foi encaminhado a outro hospital para investigar o que influenciava a condição. Mas a experiência não foi boa, e o tratamento nunca mais foi o mesmo.

“No outro hospital, o médico só mandava ele subir na balança e praticar atividade física. E dizia que ele engordava porque ‘comia demais’. Chegamos até a brigar e meu filho desistiu do tratamento.”

A família conta que, anos depois, decidiu contratar um convênio médico para Samuel. O jovem chegou a perder 150 kg após receber um balão gástrico e aguardava uma cirurgia bariátrica, mas morreu após um episódio de insuficiência respiratória.

“Samuel tinha o sonho de se casar, de ter uma família. O prazer dele era cortar cabelo, algo que aprendeu a fazer sozinho desde cedo. Fez muitos amigos cortando cabelo, era querido no bairro. Era um bom filho”, lembra Carlos.

Remédios e cirurgias

Outro problema é que faltam medicamentos no tratamento clínico, afirma Maria Edna de Melo, médica assistente do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP e integrante da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica).

“O programa do SUS preconiza alimentação e prática de atividade física, mas a medicação é nula. Com o tratamento clínico funcional, o paciente poderia ter resultados e, eventualmente, nem precisar de cirurgia. O que a realidade mostra, no entanto, são pessoas apenas esperando pela bariátrica”, diz Maria.

Mudanças no estilo de vida são parte do processo, mas não suficientes quando a obesidade é um fator genético, por exemplo. Entre as doenças crônicas, a obesidade está no conjunto das condições que exigem tratamento integrado. A depender do caso, pode exigir endocrinologista, cardiologista, psicólogo, psiquiatra, nutricionista e educador físico, tornando intensa a rotina dos pacientes.

Essas deficiências estão presentes em um contexto em que as canetas emagrecedoras atraem para si o centro da discussão sobre obesidade e sobrepeso no país, mas há outras drogas a se considerar.

A especialista cita a sibutramina como exemplo. Trata-se de um medicamento inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, promovendo a saciedade. O remédio, que custa entre R$ 30 e R$ 80 em farmácias, teve sua incorporação ao SUS negada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde).

Segundo o órgão, a substância apresentou bons resultados no curto prazo, mas usuários voltaram a ganhar peso no longo prazo. O impacto orçamentário, assim, inviabiliza a adoção, que poderia custar de R$ 769,5 milhões a R$ 2,9 bilhões em cinco anos.

“A sibutramina custa R$ 30, e o Mounjaro, R$ 3.000. Na prática, a medicação seria utilizada com o paciente que é bom respondedor, e com critérios para retirada. Ela não seria, óbvio, usada em pacientes com contraindicação, mas tem baixo custo e excelentes respostas em muita gente. Ajudaria muito”, afirma Melo.

Denis Pajecki, especialista em bariátrica e coordenador do Departamento de Cirurgia Bariátrica da Abeso, afirma que a ampla maioria das pessoas em tratamento vai precisar de medicamentos.

“Assumindo um número de 50 milhões de obesos no Brasil, como sugerem pesquisas, apenas 5 milhões serão candidatos à cirurgia, 10%. As medicações são necessárias para os outros 45 milhões, que vão precisar de estímulos”, diz.

Pajecki reforça que a cirurgia deve ser recomendada ao paciente sem sucesso no tratamento clínico, etapa que incorpora, além de alimentação regrada e atividade física, a prescrição de medicamentos. Somando-se a esses dois gargalos, ele diz que o índice de bariátricas no Brasil é aquém do necessário.

Segundo o Ministério da Saúde, o SUS realizou 14.014 procedimentos em 2025, “mais que o dobro das cirurgias realizadas em 2022”, último ano da gestão anterior.

“A média mundial de acesso à bariátrica é baixa, de 1% a 1,5% dos candidatos por ano. Aplicando à realidade brasileira, isso seria algo em torno de 35 a 40 mil cirurgias por ano. O país realizou, nos últimos anos, próximo de 10 mil cirurgias. Ou seja, precisaria triplicar esse número”, diz o especialista.

Atendimento foi ampliado, diz Ministério da Saúde

Em nota, o Ministério da Saúde afirma que realizou 9,7 milhões de atendimentos relacionados à obesidade em 2025. “Um crescimento de 57% em relação a 2022. Esse aumento comprova a ampliação progressiva do acesso aos serviços de saúde.”

A pasta também diz investir em “ações preventivas, como a estratégia Viva Mais Brasil, que recebeu R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física”, incluindo o credenciamento de 1.775 academias pelo Brasil.

Por fim, o Ministério da Saúde afirma que solicitou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) prioridade no registro de remédios à base de semaglutida e liraglutida, princípios ativos do Ozempic e do Saxenda, respectivamente.

“Com a entrada de novos medicamentos genéricos no mercado e aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa. Esse é um fator determinante para a análise de possível incorporação no SUS”, afirma.

A obesidade é consequência de múltiplos fatores: predisposição genética, falta de exercícios físicos e alimentação rica em gorduras e açúcares –presentes nos alimentos ultraprocessados, por exemplo– são causas turbinadas em classes sociais baixas.

“A pessoa com obesidade entra no ônibus e no metrô como uma pessoa gorda. Muita gente pensa ‘como deixou chegar nesse ponto’, mas as decisões são muito mais instintivas do que racionais, e se alguém tem uma coxinha, uma bolacha para comer, não vai ficar com fome. A depender da genética, a pessoa vai engordar só de ‘olhar’ para um lanche, enquanto outra pode comer dez vezes a porção, sem engordar”, conclui Maria Edna de Melo.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.



Folha SP

O post Tratamento de obesidade é limitado no SUS, dizem analistas – 03/03/2026 – Equilíbrio e Saúde apareceu primeiro em Folha - Saúde.

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Pessoas injetam peptídeos que não são para consumo humano – 02/03/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/pessoas-injetam-peptideos-que-nao-sao-para-consumo-humano-02-03-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/pessoas-injetam-peptideos-que-nao-sao-para-consumo-humano-02-03-2026-equilibrio/#respond Tue, 03 Mar 2026 04:22:22 +0000 https://folhasaude.com.br/pessoas-injetam-peptideos-que-nao-sao-para-consumo-humano-02-03-2026-equilibrio/ Katie retira cuidadosamente uma seringa da embalagem. Ela perfura o topo de uma pequena ampola com um líquido azul e puxa o êmbolo. Ela se vira e injeta a agulha no alto das nádegas, mostrando para a câmera o polegar voltado para cima. Katie parece satisfeita. Há várias semanas, ela vem injetando GHK-Cu, um peptídeo de cobre, e está confiante de que a substância está fazendo diferença para sua pele. Tanto que, segundo ela, as marcas de estiramento que haviam surgido depois do nascimento dos seus dois filhos quase desapareceram. A única questão levemente desconcertante é que o rótulo do frasco diz claramente “apenas para fins de pesquisa”. Ou seja, o peptídeo não é apropriado para consumo humano. Katie faz parte de um grupo cada vez maior de pessoas que se filmaram nas redes sociais injetando peptídeos não aprovados para consumo. Ela parece inabalável, apesar do alerta, e acredita que o produto é seguro. “Fiz muitas pesquisas e estou agindo com cautela”, ela conta. “Comecei com muito pouco. Apenas para ter certeza de que não iria observar nada de estranho.” Katie afirma que o peptídeo também aumentou a espessura do seu cabelo e melhorou a textura da pele. GHK-Cu é um peptídeo fabricado pelo nosso corpo. Ele é usado topicamente em cremes para a pele, para reduzir as linhas finas. Mas não é considerado seguro para injeção devido à falta de pesquisas científicas e aos riscos de despertar reações imunológicas potencialmente perigosas. Os peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos, ou pequenas proteínas, que os nossos corpos produzem naturalmente. Eles agem como mensageiros, dizendo às nossas células o que elas devem fazer. E também desempenham papéis vitais para a saúde da pele e do sistema imunológico, além de ajudar a controlar nossos hormônios. Os peptídeos são usados para tratar condições médicas há mais de um século. A insulina, o primeiro peptídeo a ser descoberto, ajuda as pessoas com diabetes do tipo 1 e algumas do tipo 2 a administrar o nível de açúcar no sangue. Agora, peptídeos não regulamentados vêm explodindo no mercado de bem-estar, desde que os GLP-1s se tornaram remédios padrão para perda de peso. Os GLP-1s são medicamentos que imitam o hormônio peptídeo similar a glucagon-1, um hormônio que produzimos naturalmente no corpo e ajuda a regular nossos níveis de fome. Os GLP-1s passaram por extensos testes humanos e são aprovados, por exemplo, pelo organismo regulador de medicamentos do Reino Unido (a MHRA). No Brasil, eles foram aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Mas está surgindo um mercado paralelo de outros peptídeos. Esses peptídeos ocupam uma zona legal e regulatória intermediária. Sua compra ou posse não são ilegais, mas, ao mesmo tempo, eles não são aprovados para uso humano. Por isso, eles não estão sujeitos aos controles de qualidade que regem a fabricação de produtos farmacêuticos. “Estamos observando uma tempestade perfeita”, explica o clínico geral Mike Mrozinski. Para ele, “o sucesso das drogas GLP-1 regulamentadas ‘normalizou’ o uso das agulhas, reduzindo a barreira psicológica à autoinjeção.” “As pessoas observam os resultados transformadores dos peptídeos em grau farmacêutico e consideram, de forma errônea, que todos os peptídeos são inerentemente seguros.” As redes sociais estão repletas de anúncios e vídeos de influenciadores injetando em si próprios diversas misturas de peptídeos que são vendidos apenas para fins de pesquisa. Se você quiser aumentar a massa muscular e acelerar a recuperação, há quem afirme que BPC 157 faz isso. Trata-se de um peptídeo sintético derivado de proteínas gástricas humanas. Estudos iniciais com animais sugerem possível ação na cura de feridas e proteção do intestino. Se você precisa reduzir inflamações do corpo e melhorar sua saúde metabólica, alguns dizem que vale a pena tentar TB 500. “As pessoas que usam esses produtos estão essencialmente se tornando ratos de laboratório”, segundo o professor de anatomia Adam Taylor, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido. “Existem alguns dados disponíveis, mas em modelos pré-clínicos. Basicamente, eles foram testados em animais, mas não em seres humanos.” Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Taylor vem acompanhando o crescimento deste mercado há mais de um ano. Ele conversou com pessoas que sofreram efeitos colaterais, como tonturas, diarreia, irritações e inchaço das pernas. Ele receia que as pessoas possam estar arriscando suas vidas a longo prazo. Além da falta de estudos robustos desses peptídeos, Taylor afirma que muitos dos produtos sendo vendidos são perigosos. Algumas pesquisas testaram vários dos peptídeos existentes no mercado e indicaram que 12% deles contêm endotoxinas bacterianas. As endotoxinas bacterianas, segundo Taylor, podem nos “enfraquecer seriamente”. Em pequenas doses, elas podem causar febre, cansaço e dores. Mas, em grandes quantidades, podem gerar condições mortais, como choque séptico. Jack Sarginson decidiu “acumular peptídeos” para se recuperar de uma lesão nas costas sofrida na academia. O jovem de 24 anos começou a injetar um coquetel de peptídeos chamado Wolverine, em dezembro do ano passado. A injeção pretende fornecer poderes regenerativos de “super-herói”, como o personagem da Marvel de quem recebeu o nome. Sarginson conta que, em questão de duas semanas, observou “recuperação significativa”, “literalmente sem efeitos colaterais”. Na quinta semana, ele conta ter ficado “virtualmente livre de dores” e capaz de fazer coisas que não conseguia “há bastante tempo”. Antes de testar os peptídeos, Sarginson afirma que consultou seu clínico geral e recebeu sessões de fisioterapia. Mas, mesmo fazendo consistentemente os exercícios recomendados, não estava melhorando. Ele conta que a situação chegou ao ponto de prejudicar seu dia a dia e começou a se sentir “muito abatido”. “Sei que existem dois lados”, segundo ele. “E, para algumas pessoas, injetar drogas pode ser uma medida bastante extrema.” “Mas acho que, depois da covid, as pessoas estão procurando formas de controlar sua própria saúde. Acho que os peptídeos podem ser benéficos, se forem usados com responsabilidade.” Cultura da ‘cobaia’ Neste estágio, o uso de peptídeos não regulamentados não é “biointrusão”, mas uma aposta biológica, segundo Mrozinski. “Se esta cultura da ‘cobaia’ se espalhar, estaremos sujeitos a uma crise de saúde

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Katie retira cuidadosamente uma seringa da embalagem. Ela perfura o topo de uma pequena ampola com um líquido azul e puxa o êmbolo.

Ela se vira e injeta a agulha no alto das nádegas, mostrando para a câmera o polegar voltado para cima.

Katie parece satisfeita. Há várias semanas, ela vem injetando GHK-Cu, um peptídeo de cobre, e está confiante de que a substância está fazendo diferença para sua pele.

Tanto que, segundo ela, as marcas de estiramento que haviam surgido depois do nascimento dos seus dois filhos quase desapareceram.

A única questão levemente desconcertante é que o rótulo do frasco diz claramente “apenas para fins de pesquisa”. Ou seja, o peptídeo não é apropriado para consumo humano.

Katie faz parte de um grupo cada vez maior de pessoas que se filmaram nas redes sociais injetando peptídeos não aprovados para consumo. Ela parece inabalável, apesar do alerta, e acredita que o produto é seguro.

“Fiz muitas pesquisas e estou agindo com cautela”, ela conta.

“Comecei com muito pouco. Apenas para ter certeza de que não iria observar nada de estranho.”

Katie afirma que o peptídeo também aumentou a espessura do seu cabelo e melhorou a textura da pele.

GHK-Cu é um peptídeo fabricado pelo nosso corpo. Ele é usado topicamente em cremes para a pele, para reduzir as linhas finas.

Mas não é considerado seguro para injeção devido à falta de pesquisas científicas e aos riscos de despertar reações imunológicas potencialmente perigosas.

Os peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos, ou pequenas proteínas, que os nossos corpos produzem naturalmente.

Eles agem como mensageiros, dizendo às nossas células o que elas devem fazer. E também desempenham papéis vitais para a saúde da pele e do sistema imunológico, além de ajudar a controlar nossos hormônios.

Os peptídeos são usados para tratar condições médicas há mais de um século. A insulina, o primeiro peptídeo a ser descoberto, ajuda as pessoas com diabetes do tipo 1 e algumas do tipo 2 a administrar o nível de açúcar no sangue.

Agora, peptídeos não regulamentados vêm explodindo no mercado de bem-estar, desde que os GLP-1s se tornaram remédios padrão para perda de peso.

Os GLP-1s são medicamentos que imitam o hormônio peptídeo similar a glucagon-1, um hormônio que produzimos naturalmente no corpo e ajuda a regular nossos níveis de fome.

Os GLP-1s passaram por extensos testes humanos e são aprovados, por exemplo, pelo organismo regulador de medicamentos do Reino Unido (a MHRA). No Brasil, eles foram aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Mas está surgindo um mercado paralelo de outros peptídeos.

Esses peptídeos ocupam uma zona legal e regulatória intermediária. Sua compra ou posse não são ilegais, mas, ao mesmo tempo, eles não são aprovados para uso humano. Por isso, eles não estão sujeitos aos controles de qualidade que regem a fabricação de produtos farmacêuticos.

“Estamos observando uma tempestade perfeita”, explica o clínico geral Mike Mrozinski.

Para ele, “o sucesso das drogas GLP-1 regulamentadas ‘normalizou’ o uso das agulhas, reduzindo a barreira psicológica à autoinjeção.”

“As pessoas observam os resultados transformadores dos peptídeos em grau farmacêutico e consideram, de forma errônea, que todos os peptídeos são inerentemente seguros.”

As redes sociais estão repletas de anúncios e vídeos de influenciadores injetando em si próprios diversas misturas de peptídeos que são vendidos apenas para fins de pesquisa.

Se você quiser aumentar a massa muscular e acelerar a recuperação, há quem afirme que BPC 157 faz isso.

Trata-se de um peptídeo sintético derivado de proteínas gástricas humanas.

Estudos iniciais com animais sugerem possível ação na cura de feridas e proteção do intestino.

Se você precisa reduzir inflamações do corpo e melhorar sua saúde metabólica, alguns dizem que vale a pena tentar TB 500.

“As pessoas que usam esses produtos estão essencialmente se tornando ratos de laboratório”, segundo o professor de anatomia Adam Taylor, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.

“Existem alguns dados disponíveis, mas em modelos pré-clínicos. Basicamente, eles foram testados em animais, mas não em seres humanos.”

Taylor vem acompanhando o crescimento deste mercado há mais de um ano. Ele conversou com pessoas que sofreram efeitos colaterais, como tonturas, diarreia, irritações e inchaço das pernas. Ele receia que as pessoas possam estar arriscando suas vidas a longo prazo.

Além da falta de estudos robustos desses peptídeos, Taylor afirma que muitos dos produtos sendo vendidos são perigosos. Algumas pesquisas testaram vários dos peptídeos existentes no mercado e indicaram que 12% deles contêm endotoxinas bacterianas.

As endotoxinas bacterianas, segundo Taylor, podem nos “enfraquecer seriamente”.

Em pequenas doses, elas podem causar febre, cansaço e dores. Mas, em grandes quantidades, podem gerar condições mortais, como choque séptico.

Jack Sarginson decidiu “acumular peptídeos” para se recuperar de uma lesão nas costas sofrida na academia.

O jovem de 24 anos começou a injetar um coquetel de peptídeos chamado Wolverine, em dezembro do ano passado. A injeção pretende fornecer poderes regenerativos de “super-herói”, como o personagem da Marvel de quem recebeu o nome.

Sarginson conta que, em questão de duas semanas, observou “recuperação significativa”, “literalmente sem efeitos colaterais”.

Na quinta semana, ele conta ter ficado “virtualmente livre de dores” e capaz de fazer coisas que não conseguia “há bastante tempo”.

Antes de testar os peptídeos, Sarginson afirma que consultou seu clínico geral e recebeu sessões de fisioterapia. Mas, mesmo fazendo consistentemente os exercícios recomendados, não estava melhorando.

Ele conta que a situação chegou ao ponto de prejudicar seu dia a dia e começou a se sentir “muito abatido”.

“Sei que existem dois lados”, segundo ele. “E, para algumas pessoas, injetar drogas pode ser uma medida bastante extrema.”

“Mas acho que, depois da covid, as pessoas estão procurando formas de controlar sua própria saúde. Acho que os peptídeos podem ser benéficos, se forem usados com responsabilidade.”

Cultura da ‘cobaia’

Neste estágio, o uso de peptídeos não regulamentados não é “biointrusão”, mas uma aposta biológica, segundo Mrozinski.

“Se esta cultura da ‘cobaia’ se espalhar, estaremos sujeitos a uma crise de saúde pública, com ‘misteriosas’ condições crônicas causadas por esses peptídeos não regulamentados, que o sistema médico tradicional ainda não está equipado para reverter”, explica ele.

Com milhões de postagens sobre peptídeos se espalhando nas redes sociais, cresce o número de clínicas oferecendo terapia com peptídeos.

Syed Omar Babar é consultor de atendimento de emergência e diretor da Clínica Healand em Leicester, no Reino Unido. Ele oferece terapia com peptídeos, usando peptídeos não regulamentados, como BPC-157 e TB-500, entre muitos outros.

Ele acredita que estamos em uma “era de ouro” para os peptídeos e que eles terão enorme participação no futuro da assistência médica.

Pergunto, então, por que não existem testes padrão-ouro em seres humanos, se esses peptídeos são tão seguros e eficazes, e por que eles não são aprovados como remédios.

Babar responde que a questão é de financiamento.

Levar um produto dos estudos com animais para testes com seres humanos, até chegar a um remédio totalmente aprovado, exigiria anos e custaria bilhões de dólares. Ele explica que as grandes empresas farmacêuticas não têm interesse em financiar este processo.

“Muitos dos peptídeos em discussão são totalmente naturais”, afirma Babar. “Nosso corpo os produz, o que faz com que seja difícil patenteá-los.”

“Eles precisam ser significativamente diferentes da sua forma natural, o que é complicado com os peptídeos.”

E, sem a patente, as empresas se arriscam a despejar dinheiro em um produto com pouca proteção financeira.

Babar afirma que as terapias com peptídeos oferecidas pela sua clínica são supervisionadas por um médico credenciado pelo Conselho Médico Geral do Reino Unido (GMC, na sigla em inglês).

Mas, como esses produtos não são regulamentados e “não existem instruções” sobre seu uso, a questão se resume à experiência e médicos como ele estão aprendendo “uns com os outros”.



Folha SP

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Efeitos dos psicodélicos beneficiam a saúde mental? – 01/03/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/efeitos-dos-psicodelicos-beneficiam-a-saude-mental-01-03-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/efeitos-dos-psicodelicos-beneficiam-a-saude-mental-01-03-2026-equilibrio/#respond Mon, 02 Mar 2026 04:21:18 +0000 https://folhasaude.com.br/efeitos-dos-psicodelicos-beneficiam-a-saude-mental-01-03-2026-equilibrio/ Místicos costumavam passar anos meditando em cavernas em busca da transcendência. Hoje, um número crescente de pessoas acredita que algo semelhante pode ser alcançado em uma única tarde com a ajuda de uma droga psicodélica. Engula uma cápsula de psilocibina ou tome uma dose cuidadosamente supervisionada de LSD e você poderá ter o que muitos descrevem como uma das experiências mais significativas de suas vidas. Os ensaios clínicos modernos parecem apoiar isso. Vários estudos sugerem que a intensidade de uma “experiência mística” durante uma sessão psicodélica prevê o grau de melhora na depressão, ansiedade ou dependência química. Uma revisão recente, por exemplo, relata uma ligação estatística consistente entre experiências místicas e melhora na saúde mental. É uma ideia atraente: a cura vem por meio de um encontro profundo com a unidade, a sacralidade ou a realidade última. Mas será que realmente precisamos de experiências místicas para melhorar? Para entender por que essa questão é importante, é útil dar um passo atrás. Muito antes de os psicodélicos entrarem na psiquiatria, filósofos e teólogos já eram fascinados por estados místicos. No início do século 20, o psicólogo William James argumentou em seu livro “As Variedades da Experiência Religiosa” que os estados místicos deveriam ser julgados “por seus frutos, não por suas raízes” —ou seja, por seus efeitos na vida das pessoas, e não por debates sobre sua verdade metafísica. Outros, incluindo a escritora britânica sobre misticismo cristão Evelyn Underhill e o filósofo da religião Walter Stace, desenvolveram o que mais tarde ficou conhecido como “filosofia perene”: a ideia de que uma experiência central comum está no cerne das religiões do mundo. Essa forma de pensar moldou discretamente a ciência psicodélica moderna. Em 1962, o psiquiatra Walter Pahnke conduziu o experimento da sexta-feira santa, dando psilocibina a estudantes de teologia em uma igreja. Muitos relataram experiências surpreendentemente semelhantes às descritas pelos místicos clássicos. Por volta da mesma época, o psiquiatra britânico Humphry Osmond, que cunhou a palavra “psicodélico”, desenvolveu abordagens de tratamento destinadas a induzir “experiências de pico” poderosas que poderiam desencadear mudanças psicológicas duradouras. Hoje, grandes ensaios clínicos em universidades como a Johns Hopkins e o Imperial College London reviveram essa abordagem. Os pesquisadores medem rotineiramente se os participantes tiveram uma “experiência mística” usando um teste psicométrico padronizado conhecido como “questionário de experiência mística”, ou MEQ na sigla em inglês. Os participantes são solicitados a classificar afirmações como “Tive uma experiência de união com a realidade última” ou “Tive uma experiência que não pode ser descrita adequadamente em palavras”. Quanto maior a pontuação, mais provável é que alguém seja classificado como tendo tido uma experiência mística completa. Mas isso levanta um dilema. Se uma experiência é supostamente “inefável”, além das palavras, com que precisão ela pode ser capturada marcando-se caixas em um questionário? Alguns críticos argumentam que o MEQ se baseia em suposições extraídas da filosofia perene. Ao perguntar sobre a “realidade última” ou “sacralidade”, ele pode refletir uma interpretação particular da experiência mística, em vez de uma descrição neutra. Como uma análise observa, há o risco de que a escala psicométrica reproduza parcialmente a própria teoria que pretende testar. Expectativas complicam ainda mais as coisas Muitos participantes em ensaios psicodélicos também já chegam preparados para a transcendência. Eles leram reportagens elogiosas na mídia, ouviram podcasts ou assistiram a documentários prometendo avanços revolucionários que mudariam suas vidas. Pesquisas mostram que tais expectativas podem moldar significativamente as experiências subjetivas com drogas. Meus colegas e eu vimos o quão poderosa a sugestão pode ser em um estudo apelidado de “tripping with the God helmet” (“viajando com o capacete de Deus”, em tradução). Os participantes usaram um dispositivo simulado de estimulação cerebral que descrevemos como capaz de ativar seus “lobos místicos”. Na realidade, nenhuma estimulação foi aplicada. Apesar disso, quase metade relatou experiências do tipo místico, algumas delas descritas como profundamente significativas. Em outro experimento, placebos de psicodélicos administrados em um ambiente cuidadosamente preparado, completo com música e imagens evocativas, produziram relatos surpreendentemente semelhantes. Essas descobertas sugerem que o contexto e a expectativa não são detalhes secundários. Eles podem desempenhar um papel central na formação do que as pessoas experimentam. Nada disso significa que a terapia psicodélica seja “apenas um placebo”. As drogas alteram claramente a atividade cerebral e a experiência de maneiras poderosas. Mas isso levanta a possibilidade de que as experiências místicas não sejam o único ou mesmo o principal impulsionador da mudança terapêutica. Afinal, correlação não é igual a causalidade. Um grande conjunto de pesquisas psiquiátricas adverte contra a suposição de que, porque duas coisas ocorrem juntas, uma deve causar a outra. As experiências místicas podem ser simplesmente um marcador visível de outros processos, como maior abertura emocional, o desenvolvimento de novas conexões neurais ou mudanças em crenças arraigadas. Superplacebos Alguns pesquisadores chegaram a descrever os psicodélicos como superplacebos: substâncias que amplificam os efeitos da expectativa em vez de contorná-los. Isso pode parecer desdenhoso, mas aponta para algo importante. Expectativas, crenças e construção de significado não são incidentais à cura; muitas vezes são fundamentais para ela. Quando usados com cuidado em ambientes estruturados, os psicodélicos podem agir menos como soluções milagrosas e mais como catalisadores. Eles intensificam quaisquer processos psicológicos que já estejam em andamento. Para alguns, isso pode incluir sentimentos de unidade e transcendência. Para outros, pode envolver enfrentar a dor, o medo ou memórias há muito enterradas. Stanislav Grof, pioneiro da terapia psicodélica, certa vez comparou essas substâncias a microscópios para a mente —ferramentas que revelam aspectos da experiência que de outra forma ficariam ocultos. O ponto principal é este: embora as experiências místicas muitas vezes andem de mãos dadas com a melhoria, elas podem não ser essenciais. E, por si só, podem não ser suficientes para criar uma mudança duradoura. Os benefícios terapêuticos duradouros parecem emergir de uma rede de fatores que interagem: mudanças cerebrais, avanços emocionais, ambientes de apoio, terapeutas qualificados e o trabalho de integração que se segue à sessão. Concentrar-se excessivamente em saber se alguém atingiu um limiar místico corre o risco de simplificar excessivamente

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Místicos costumavam passar anos meditando em cavernas em busca da transcendência. Hoje, um número crescente de pessoas acredita que algo semelhante pode ser alcançado em uma única tarde com a ajuda de uma droga psicodélica. Engula uma cápsula de psilocibina ou tome uma dose cuidadosamente supervisionada de LSD e você poderá ter o que muitos descrevem como uma das experiências mais significativas de suas vidas.

Os ensaios clínicos modernos parecem apoiar isso. Vários estudos sugerem que a intensidade de uma “experiência mística” durante uma sessão psicodélica prevê o grau de melhora na depressão, ansiedade ou dependência química. Uma revisão recente, por exemplo, relata uma ligação estatística consistente entre experiências místicas e melhora na saúde mental.

É uma ideia atraente: a cura vem por meio de um encontro profundo com a unidade, a sacralidade ou a realidade última. Mas será que realmente precisamos de experiências místicas para melhorar?

Para entender por que essa questão é importante, é útil dar um passo atrás. Muito antes de os psicodélicos entrarem na psiquiatria, filósofos e teólogos já eram fascinados por estados místicos. No início do século 20, o psicólogo William James argumentou em seu livro “As Variedades da Experiência Religiosa” que os estados místicos deveriam ser julgados “por seus frutos, não por suas raízes” —ou seja, por seus efeitos na vida das pessoas, e não por debates sobre sua verdade metafísica.

Outros, incluindo a escritora britânica sobre misticismo cristão Evelyn Underhill e o filósofo da religião Walter Stace, desenvolveram o que mais tarde ficou conhecido como “filosofia perene”: a ideia de que uma experiência central comum está no cerne das religiões do mundo.

Essa forma de pensar moldou discretamente a ciência psicodélica moderna. Em 1962, o psiquiatra Walter Pahnke conduziu o experimento da sexta-feira santa, dando psilocibina a estudantes de teologia em uma igreja. Muitos relataram experiências surpreendentemente semelhantes às descritas pelos místicos clássicos.

Por volta da mesma época, o psiquiatra britânico Humphry Osmond, que cunhou a palavra “psicodélico”, desenvolveu abordagens de tratamento destinadas a induzir “experiências de pico” poderosas que poderiam desencadear mudanças psicológicas duradouras.

Hoje, grandes ensaios clínicos em universidades como a Johns Hopkins e o Imperial College London reviveram essa abordagem. Os pesquisadores medem rotineiramente se os participantes tiveram uma “experiência mística” usando um teste psicométrico padronizado conhecido como “questionário de experiência mística”, ou MEQ na sigla em inglês.

Os participantes são solicitados a classificar afirmações como “Tive uma experiência de união com a realidade última” ou “Tive uma experiência que não pode ser descrita adequadamente em palavras”. Quanto maior a pontuação, mais provável é que alguém seja classificado como tendo tido uma experiência mística completa.

Mas isso levanta um dilema. Se uma experiência é supostamente “inefável”, além das palavras, com que precisão ela pode ser capturada marcando-se caixas em um questionário?

Alguns críticos argumentam que o MEQ se baseia em suposições extraídas da filosofia perene. Ao perguntar sobre a “realidade última” ou “sacralidade”, ele pode refletir uma interpretação particular da experiência mística, em vez de uma descrição neutra. Como uma análise observa, há o risco de que a escala psicométrica reproduza parcialmente a própria teoria que pretende testar.

Expectativas complicam ainda mais as coisas

Muitos participantes em ensaios psicodélicos também já chegam preparados para a transcendência. Eles leram reportagens elogiosas na mídia, ouviram podcasts ou assistiram a documentários prometendo avanços revolucionários que mudariam suas vidas. Pesquisas mostram que tais expectativas podem moldar significativamente as experiências subjetivas com drogas.

Meus colegas e eu vimos o quão poderosa a sugestão pode ser em um estudo apelidado de “tripping with the God helmet” (“viajando com o capacete de Deus”, em tradução). Os participantes usaram um dispositivo simulado de estimulação cerebral que descrevemos como capaz de ativar seus “lobos místicos”. Na realidade, nenhuma estimulação foi aplicada. Apesar disso, quase metade relatou experiências do tipo místico, algumas delas descritas como profundamente significativas.

Em outro experimento, placebos de psicodélicos administrados em um ambiente cuidadosamente preparado, completo com música e imagens evocativas, produziram relatos surpreendentemente semelhantes. Essas descobertas sugerem que o contexto e a expectativa não são detalhes secundários. Eles podem desempenhar um papel central na formação do que as pessoas experimentam.

Nada disso significa que a terapia psicodélica seja “apenas um placebo”. As drogas alteram claramente a atividade cerebral e a experiência de maneiras poderosas. Mas isso levanta a possibilidade de que as experiências místicas não sejam o único ou mesmo o principal impulsionador da mudança terapêutica.

Afinal, correlação não é igual a causalidade. Um grande conjunto de pesquisas psiquiátricas adverte contra a suposição de que, porque duas coisas ocorrem juntas, uma deve causar a outra. As experiências místicas podem ser simplesmente um marcador visível de outros processos, como maior abertura emocional, o desenvolvimento de novas conexões neurais ou mudanças em crenças arraigadas.

Superplacebos

Alguns pesquisadores chegaram a descrever os psicodélicos como superplacebos: substâncias que amplificam os efeitos da expectativa em vez de contorná-los. Isso pode parecer desdenhoso, mas aponta para algo importante. Expectativas, crenças e construção de significado não são incidentais à cura; muitas vezes são fundamentais para ela.

Quando usados com cuidado em ambientes estruturados, os psicodélicos podem agir menos como soluções milagrosas e mais como catalisadores. Eles intensificam quaisquer processos psicológicos que já estejam em andamento.

Para alguns, isso pode incluir sentimentos de unidade e transcendência. Para outros, pode envolver enfrentar a dor, o medo ou memórias há muito enterradas. Stanislav Grof, pioneiro da terapia psicodélica, certa vez comparou essas substâncias a microscópios para a mente —ferramentas que revelam aspectos da experiência que de outra forma ficariam ocultos.

O ponto principal é este: embora as experiências místicas muitas vezes andem de mãos dadas com a melhoria, elas podem não ser essenciais. E, por si só, podem não ser suficientes para criar uma mudança duradoura.

Os benefícios terapêuticos duradouros parecem emergir de uma rede de fatores que interagem: mudanças cerebrais, avanços emocionais, ambientes de apoio, terapeutas qualificados e o trabalho de integração que se segue à sessão. Concentrar-se excessivamente em saber se alguém atingiu um limiar místico corre o risco de simplificar excessivamente um processo complexo.

O renascimento psicodélico abriu possibilidades empolgantes para o tratamento da saúde mental. Mas, para que o campo amadureça, talvez seja necessário ir além da suposição de que a transcendência é o ingrediente secreto.

O futuro da terapia psicodélica pode depender menos da busca por picos místicos e mais da compreensão das condições que ajudam as pessoas a traduzir experiências intensas, místicas ou não, em mudanças duradouras e significativas.

Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original



Folha SP

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Gene influencia pais a serem carinhosos ou violentos – 28/02/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/gene-influencia-pais-a-serem-carinhosos-ou-violentos-28-02-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/gene-influencia-pais-a-serem-carinhosos-ou-violentos-28-02-2026-equilibrio-e-saude/#respond Sun, 01 Mar 2026 04:18:32 +0000 https://folhasaude.com.br/gene-influencia-pais-a-serem-carinhosos-ou-violentos-28-02-2026-equilibrio-e-saude/ Cientistas do Instituto de Neurociências da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, descobriram que um gene associado à pigmentação da pele ajuda a entender o comportamento parental em camundongos. O resultado de sua pesquisa sobre as bases neurológicas da paternidade em roedores foi publicado na semana passada na revista Nature. Existem cerca de 6.000 espécies de mamíferos, mas em menos de 5% delas os pais ajudam na criação dos filhotes. Em geral, pais apresentam um amplo leque de comportamentos, que vão dos mais afetuosos aos claramente hostis. Os melhores cuidadores têm um papel ativo nos cuidados: lambem e limpam os filhotes para mantê-los higienizados, ou os abrigam sob o ventre para mantê los aquecidos e protegidos das intempéries. Já os piores ignoram os filhotes indefesos ou até os atacam. Os neurocientistas Forrest Rogers e Catherine Peña, junto com uma equipe de outros cinco pesquisadores, decidiram investigar o motivo dessas diferenças. Eles tomaram como exemplo o camundongo listrado africano (Rhabdomys pumilio), que apresenta diferentes reações perante suas crias após se tornar pai. A equipe registrou a atividade neuronal desses roedores em diversas situações, com e sem filhotes. Faltam estudos em humanos Eles descobriram que os pais atenciosos apresentavam maior atividade numa região do cérebro chamada área pré-óptica medial (MPOA). Até aí nada de muito novo. Os cientistas já sabiam que mães de outras espécies de roedores, como hamsters, também sofrem mudanças nessa mesma área do cérebro. “Décadas de pesquisa demonstraram que a MPOA funciona como um centro de cuidados maternos em mamíferos”, declarou Rogers ao site especializado Live Science. A equipe então se voltou para os cérebros dos camundongos e mediu a atividade gênica em células da MPOA. A partir disso, os cientistas descobriram que pais mais carinhosos também apresentavam níveis mais baixos de atividade gênica de um gene chamado agouti, relacionado, em estudos anteriores, ao metabolismo e à pigmentação da pele. “Descobrir esse papel até então desconhecido no cérebro, ligado ao comportamento parental, foi emocionante”, disse Rogers. Machos solitários também apresentavam níveis menores de atividade gênica nesse gene do que os que viviam em grupo. Terapia genética para modificar o comportamento Para entender melhor como esse gene influencia o cuidado paternal, os pesquisadores utilizaram terapia genética para aumentar artificialmente a atividade do gene agouti no cérebro, tentando assim imitar a biologia natural de um pai negligente. Eles constataram que, quando esses machos reencontravam seus filhotes após o tratamento, demonstravam menos interesse do que antes, e alguns até se tornavam agressivos. O inverso também foi observado: ao aplicar um tratamento “natural”, transferindo machos de um ambiente comunitário para um ambiente solitário, descobriram que seus níveis de atividade gênica consequentemente diminuíam e que os animais passavam a demonstrar mais interesse pelos filhotes. “Nossas descobertas apontam o agouti como um mecanismo evolutivo potencial que permite aos animais integrar informações ambientais, como competição social ou densidade populacional, e ajustar o equilíbrio entre autoconservação e investimento na prole”, explica Peña, coautora do estudo. Os pesquisadores destacaram que o gene agouti também existe em humanos, mas ainda é preciso estudar seu impacto na atitude parental. “Criar filhos é um traço complexo. Não estamos sugerindo que alguém possa tomar uma pílula para ser um pai ou mãe melhor, nem que dificuldades na criação reflitam alguma deficiência molecular”, afirmou Peña. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Folha SP

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Cientistas do Instituto de Neurociências da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, descobriram que um gene associado à pigmentação da pele ajuda a entender o comportamento parental em camundongos.

O resultado de sua pesquisa sobre as bases neurológicas da paternidade em roedores foi publicado na semana passada na revista Nature.

Existem cerca de 6.000 espécies de mamíferos, mas em menos de 5% delas os pais ajudam na criação dos filhotes. Em geral, pais apresentam um amplo leque de comportamentos, que vão dos mais afetuosos aos claramente hostis.

Os melhores cuidadores têm um papel ativo nos cuidados: lambem e limpam os filhotes para mantê-los higienizados, ou os abrigam sob o ventre para mantê los aquecidos e protegidos das intempéries. Já os piores ignoram os filhotes indefesos ou até os atacam.

Os neurocientistas Forrest Rogers e Catherine Peña, junto com uma equipe de outros cinco pesquisadores, decidiram investigar o motivo dessas diferenças.

Eles tomaram como exemplo o camundongo listrado africano (Rhabdomys pumilio), que apresenta diferentes reações perante suas crias após se tornar pai. A equipe registrou a atividade neuronal desses roedores em diversas situações, com e sem filhotes.

Faltam estudos em humanos

Eles descobriram que os pais atenciosos apresentavam maior atividade numa região do cérebro chamada área pré-óptica medial (MPOA).

Até aí nada de muito novo. Os cientistas já sabiam que mães de outras espécies de roedores, como hamsters, também sofrem mudanças nessa mesma área do cérebro. “Décadas de pesquisa demonstraram que a MPOA funciona como um centro de cuidados maternos em mamíferos”, declarou Rogers ao site especializado Live Science.

A equipe então se voltou para os cérebros dos camundongos e mediu a atividade gênica em células da MPOA. A partir disso, os cientistas descobriram que pais mais carinhosos também apresentavam níveis mais baixos de atividade gênica de um gene chamado agouti, relacionado, em estudos anteriores, ao metabolismo e à pigmentação da pele.

“Descobrir esse papel até então desconhecido no cérebro, ligado ao comportamento parental, foi emocionante”, disse Rogers.

Machos solitários também apresentavam níveis menores de atividade gênica nesse gene do que os que viviam em grupo.

Terapia genética para modificar o comportamento

Para entender melhor como esse gene influencia o cuidado paternal, os pesquisadores utilizaram terapia genética para aumentar artificialmente a atividade do gene agouti no cérebro, tentando assim imitar a biologia natural de um pai negligente. Eles constataram que, quando esses machos reencontravam seus filhotes após o tratamento, demonstravam menos interesse do que antes, e alguns até se tornavam agressivos.

O inverso também foi observado: ao aplicar um tratamento “natural”, transferindo machos de um ambiente comunitário para um ambiente solitário, descobriram que seus níveis de atividade gênica consequentemente diminuíam e que os animais passavam a demonstrar mais interesse pelos filhotes.

“Nossas descobertas apontam o agouti como um mecanismo evolutivo potencial que permite aos animais integrar informações ambientais, como competição social ou densidade populacional, e ajustar o equilíbrio entre autoconservação e investimento na prole”, explica Peña, coautora do estudo.

Os pesquisadores destacaram que o gene agouti também existe em humanos, mas ainda é preciso estudar seu impacto na atitude parental.

“Criar filhos é um traço complexo. Não estamos sugerindo que alguém possa tomar uma pílula para ser um pai ou mãe melhor, nem que dificuldades na criação reflitam alguma deficiência molecular”, afirmou Peña.



Folha SP

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Santa Joana terá que pagar R$ 1,2 milhão em indenização – 27/02/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/santa-joana-tera-que-pagar-r-12-milhao-em-indenizacao-27-02-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/santa-joana-tera-que-pagar-r-12-milhao-em-indenizacao-27-02-2026-equilibrio-e-saude/#respond Sat, 28 Feb 2026 04:17:12 +0000 https://folhasaude.com.br/santa-joana-tera-que-pagar-r-12-milhao-em-indenizacao-27-02-2026-equilibrio-e-saude/ O Hospital Santa Joana, na região central de São Paulo, terá que pagar R$ 1,2 milhão ao Estado por dano moral coletivo. A indenização é resultado de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e o hospital após a Vigilância Sanitária encontrar irregularidades na UTI neonatal da unidade, como falta de profissionais e de equipamentos. O descumprimento de qualquer item do acordo resulta em multa de R$ 50 mil à instituição. Em nota, o Santa Joana repudia a exposição do acordo e afirma que o documento não reconhece qualquer ato ilícito civil, criminal, ético ou administrativo no hospital. O TAC entre o MP-SP e o Santa Joana exige dedicação exclusiva e em tempo integral de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos no hospital. Esses profissionais ficam proibidos de realizar atendimentos externos ou auxiliar em partos durante o turno. Pelo acordo, o hospital deverá manter em local visível ao público a escala completa de todos os profissionais, contendo nome, registro profissional, horário e unidade de atendimento. Além disso, deve adotar critérios rigorosos de classificação para as unidades de tratamento intensivo e de cuidados intermediários. O documento prevê ainda que, caso a mãe não possa permanecer junto ao bebê por condições clínicas, a criança tem direito a um acompanhante. A unidade também deve regularizar o projeto do hospital e obter laudo técnico de avaliação junto à Vigilância Sanitária. A vistoria, realizada em abril de 2024, mostrou que essa licença não existia. A vistoria que resultou no TAC foi realizada depois da morte de um recém-nascido no hospital, em julho de 2023, o que motivou os pais a apresentarem uma representação no Ministério Público. Durante a investigação, a Promotoria pediu informações e vistoria na UTI da unidade ao Cremesp e ao Coren, os conselhos regionais de medicina e de enfermagem em São Paulo. Além da reclamação dos pais do bebê, o Ministério Público diz que reincidência de relatos similares embasou um pedido de vistoria à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A solicitação foi encaminhada à vigilância estadual. A vistoria apontou, entre outras irregularidades, déficit de pessoal, falta de equipamentos adequados, problemas de infraestrutura e práticas de internação indevidas. Além disso, afirmou que a unidade operava com poucos médicos para atender a quantidade total de leitos, com falta de equipamentos essenciais, como monitor multiparamétrico e sem licença de funcionamento. O que diz o documento de vistoria Apontamentos constam em documento do MP-SP, ao qual a Folha teve acesso. Déficit de recursos humanos: no momento da inspeção, a unidade operava com 122 leitos de UTI neonatal e apenas oito médicos, que atuavam na retaguarda do centro obstétrico. Também havia, segundo o documento, déficit de enfermeiros. Falta de equipamentos: a maioria dos leitos dispunha apenas de oxímetros de pulso, sem monitores multiparamétricos (que mostram sinais vitais) em todos os leitos. Internação indevida: o hospital internava bebês sadios na UTI quando a mãe estava impossibilitada de permanecer com a criança, em vez de mantê-los em ambiente adequado com acompanhante. Problemas de infraestrutura: o estabelecimento não possuía laudo técnico de avaliação aprovado para a área física, documento obrigatório. Os postos de enfermagem, por sua vez, não permitiam a observação visual direta ou eletrônica dos leitos, e a área física foi considerada incompatível com as normas para o uso de carrinhos de emergência. Ausência de leitos de isolamento: constatou-se que o hospital não previa o número necessário de leitos de isolamento (1 para cada 10 leitos). Pacientes que necessitavam estavam em unidades adaptadas, sem barreiras sanitárias ou sistema de climatização adequados. Dados desatualizados: havia discrepância entre o número de leitos declarados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e a capacidade instalada real, além de divergências na classificação dos tipos de leitos. Insuficiência de kits de emergência: o hospital mantinha apenas um carrinho ou maleta de emergência por unidade, enquanto a legislação exige um para cada 5 ou 10 leitos, dependendo do tipo de kit. Essas infrações foram consideradas de risco à saúde pública, resultando em autos de infração e imposição de multas ao estabelecimento Relembre o caso O bebê morto na UTI do Santa Joana era filho do delegado de polícia Victor Melo da Silva, 39, e da médica otorrinolaringologista Marilia Gabriela Panontin, 37. O recém-nascido, Davi, morreu com três dias de vida, na madrugada de 3 de julho após, segundo os pais, sofrer asfixia por broncoaspiração do próprio vômito, depois de beber leite e não receber a devida assistência da equipe de plantão, versão que o hospital nega. O casal move uma ação na Justiça de São Paulo sobre a morte do bebê contra o diretor e o responsável pela UTI neonatal do hospital. O processo decorre de um inquérito policial que investigou a responsabilidade dos profissionais envolvidos no caso e está sob sigilo. Segundo Silva, a suposta negligência foi acobertada pela maternidade, e duas médicas afirmaram que seu filho havia sofrido morte súbita, uma parada cardíaca provocada por alguma patologia no coração. Exames feitos no período neonatal, inclusive um ecocardiograma fetal realizado na própria maternidade, não detectaram qualquer falha no órgão, de acordo com o pai. A mãe do bebê, Marília, afirma que o TAC gerou satisfação ao casal. “Ficamos muito satisfeitos com a atuação da Promotoria. A gente conseguiu frear e multar o hospital com base no interesse coletivo, para que outras crianças não tenham o mesmo desfecho que o nosso filho teve”, diz. A mãe relata não ter interesse financeiro na ação, e que o foco era o coletivo. “O Santa Joana há anos tem uma postura quase ‘terraplanista’ em relação ao que acontece, e isso é muito grave. O hospital acaba relativizando muito uma pessoa que já foi vitimizada, que já perdeu os filhos. Isso acontece com várias mães”, afirma. Davi era irmão gêmeo de Lara, hoje com dois anos. Ambos nasceram com 35 semanas, período considerado prematuro, motivo pelo qual foram internados para observação e ganhar peso. Todas Discussões, notícias e reflexões pensadas para mulheres O que diz o hospital Em

O post Santa Joana terá que pagar R$ 1,2 milhão em indenização – 27/02/2026 – Equilíbrio e Saúde apareceu primeiro em Folha - Saúde.

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O Hospital Santa Joana, na região central de São Paulo, terá que pagar R$ 1,2 milhão ao Estado por dano moral coletivo.

A indenização é resultado de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e o hospital após a Vigilância Sanitária encontrar irregularidades na UTI neonatal da unidade, como falta de profissionais e de equipamentos. O descumprimento de qualquer item do acordo resulta em multa de R$ 50 mil à instituição.

Em nota, o Santa Joana repudia a exposição do acordo e afirma que o documento não reconhece qualquer ato ilícito civil, criminal, ético ou administrativo no hospital.

O TAC entre o MP-SP e o Santa Joana exige dedicação exclusiva e em tempo integral de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos no hospital. Esses profissionais ficam proibidos de realizar atendimentos externos ou auxiliar em partos durante o turno.

Pelo acordo, o hospital deverá manter em local visível ao público a escala completa de todos os profissionais, contendo nome, registro profissional, horário e unidade de atendimento. Além disso, deve adotar critérios rigorosos de classificação para as unidades de tratamento intensivo e de cuidados intermediários.

O documento prevê ainda que, caso a mãe não possa permanecer junto ao bebê por condições clínicas, a criança tem direito a um acompanhante. A unidade também deve regularizar o projeto do hospital e obter laudo técnico de avaliação junto à Vigilância Sanitária. A vistoria, realizada em abril de 2024, mostrou que essa licença não existia.

A vistoria que resultou no TAC foi realizada depois da morte de um recém-nascido no hospital, em julho de 2023, o que motivou os pais a apresentarem uma representação no Ministério Público. Durante a investigação, a Promotoria pediu informações e vistoria na UTI da unidade ao Cremesp e ao Coren, os conselhos regionais de medicina e de enfermagem em São Paulo.

Além da reclamação dos pais do bebê, o Ministério Público diz que reincidência de relatos similares embasou um pedido de vistoria à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A solicitação foi encaminhada à vigilância estadual.

A vistoria apontou, entre outras irregularidades, déficit de pessoal, falta de equipamentos adequados, problemas de infraestrutura e práticas de internação indevidas. Além disso, afirmou que a unidade operava com poucos médicos para atender a quantidade total de leitos, com falta de equipamentos essenciais, como monitor multiparamétrico e sem licença de funcionamento.

O que diz o documento de vistoria

Apontamentos constam em documento do MP-SP, ao qual a Folha teve acesso.

  • Déficit de recursos humanos: no momento da inspeção, a unidade operava com 122 leitos de UTI neonatal e apenas oito médicos, que atuavam na retaguarda do centro obstétrico. Também havia, segundo o documento, déficit de enfermeiros.
  • Falta de equipamentos: a maioria dos leitos dispunha apenas de oxímetros de pulso, sem monitores multiparamétricos (que mostram sinais vitais) em todos os leitos.
  • Internação indevida: o hospital internava bebês sadios na UTI quando a mãe estava impossibilitada de permanecer com a criança, em vez de mantê-los em ambiente adequado com acompanhante.
  • Problemas de infraestrutura: o estabelecimento não possuía laudo técnico de avaliação aprovado para a área física, documento obrigatório. Os postos de enfermagem, por sua vez, não permitiam a observação visual direta ou eletrônica dos leitos, e a área física foi considerada incompatível com as normas para o uso de carrinhos de emergência.
  • Ausência de leitos de isolamento: constatou-se que o hospital não previa o número necessário de leitos de isolamento (1 para cada 10 leitos). Pacientes que necessitavam estavam em unidades adaptadas, sem barreiras sanitárias ou sistema de climatização adequados.
  • Dados desatualizados: havia discrepância entre o número de leitos declarados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e a capacidade instalada real, além de divergências na classificação dos tipos de leitos.
  • Insuficiência de kits de emergência: o hospital mantinha apenas um carrinho ou maleta de emergência por unidade, enquanto a legislação exige um para cada 5 ou 10 leitos, dependendo do tipo de kit. Essas infrações foram consideradas de risco à saúde pública, resultando em autos de infração e imposição de multas ao estabelecimento

Relembre o caso

O bebê morto na UTI do Santa Joana era filho do delegado de polícia Victor Melo da Silva, 39, e da médica otorrinolaringologista Marilia Gabriela Panontin, 37. O recém-nascido, Davi, morreu com três dias de vida, na madrugada de 3 de julho após, segundo os pais, sofrer asfixia por broncoaspiração do próprio vômito, depois de beber leite e não receber a devida assistência da equipe de plantão, versão que o hospital nega.

O casal move uma ação na Justiça de São Paulo sobre a morte do bebê contra o diretor e o responsável pela UTI neonatal do hospital. O processo decorre de um inquérito policial que investigou a responsabilidade dos profissionais envolvidos no caso e está sob sigilo.

Segundo Silva, a suposta negligência foi acobertada pela maternidade, e duas médicas afirmaram que seu filho havia sofrido morte súbita, uma parada cardíaca provocada por alguma patologia no coração. Exames feitos no período neonatal, inclusive um ecocardiograma fetal realizado na própria maternidade, não detectaram qualquer falha no órgão, de acordo com o pai.

A mãe do bebê, Marília, afirma que o TAC gerou satisfação ao casal. “Ficamos muito satisfeitos com a atuação da Promotoria. A gente conseguiu frear e multar o hospital com base no interesse coletivo, para que outras crianças não tenham o mesmo desfecho que o nosso filho teve”, diz.

A mãe relata não ter interesse financeiro na ação, e que o foco era o coletivo. “O Santa Joana há anos tem uma postura quase ‘terraplanista’ em relação ao que acontece, e isso é muito grave. O hospital acaba relativizando muito uma pessoa que já foi vitimizada, que já perdeu os filhos. Isso acontece com várias mães”, afirma.

Davi era irmão gêmeo de Lara, hoje com dois anos. Ambos nasceram com 35 semanas, período considerado prematuro, motivo pelo qual foram internados para observação e ganhar peso.

O que diz o hospital

Em nota, o Santa Joana classifica como infundadas as declarações da Marília, e diz que o TAC não serve como prova para quaisquer outros procedimentos.

Leia a nota na íntegra:

O Hospital e Maternidade Santa Joana S.A. vem a público se manifestar sobre a divulgação do Termo de Ajustamento de Conduta firmado junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo:

1.Esclarecemos que este acordo foi conduzido sob a mais absoluta colaboração da instituição, guiado por princípios de boa-fé e transparência, e sem qualquer reconhecimento de ato ilícito civil, criminal, ético ou administrativo.

2. É imperativo esclarecer que a assinatura deste documento não tem qualquer relação com o atendimento prestado ao menor Davi Panontin, cujas circunstâncias já se encontram em fase de apuração perante os órgãos competentes, e que, até o presente momento, não foi atribuída qualquer ilegalidade ao hospital ou aos seus funcionários em relação a este caso específico.

3. O Hospital repudia a forma como o documento vem sendo exposto. O TAC tramitou sob sigilo instituído pelo próprio Ministério Público, sendo lamentável o desvirtuamento do seu conteúdo. O acordo apenas reflete o compromisso do Hospital em continuar cumprindo rigorosamente a legislação vigente.

4. E não serve como prova para quaisquer outros procedimentos, muito menos para respaldar as alegações infundadas feitas pela Sra. Marília Gabriela Panontin

Lamentamos profundamente que um instrumento jurídico de transparência e aperfeiçoamento contínuo seja distorcido e utilizado de forma sensacionalista.

O hospital atua há décadas dentro das melhores práticas técnicas, ética inegociável e profundo respeito à vida humana, e não permitiremos que narrativas deturpadas ofusquem a dedicação diária de nossos profissionais de saúde.

Seguimos com a irrestrita certeza de que a verdade dos fatos prevalecerá, garantindo a segurança, o bem-estar e a tranquilidade que milhares de famílias brasileiras continuam a encontrar em nossos cuidados.



Folha SP

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Excesso de ferro: remédio contra osteoporose pode ajudar – 26/02/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/excesso-de-ferro-remedio-contra-osteoporose-pode-ajudar-26-02-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/excesso-de-ferro-remedio-contra-osteoporose-pode-ajudar-26-02-2026-equilibrio-e-saude/#respond Fri, 27 Feb 2026 04:16:10 +0000 https://folhasaude.com.br/excesso-de-ferro-remedio-contra-osteoporose-pode-ajudar-26-02-2026-equilibrio-e-saude/ Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) descobriram que dois medicamentos usados no tratamento da osteoporose (etidronato e tiludronato) podem ajudar a combater doenças causadas pelo acúmulo de ferro no organismo. Em testes realizados em células humanas, os fármacos se ligaram ao ferro em excesso, reduziram o estresse oxidativo e evitaram danos celulares. O estudo foi publicado na revista BioMetals. “Atualmente existem apenas três medicamentos aprovados para tratar a sobrecarga de ferro, conhecidos como quelantes. Eles se ligam ao metal e, com isso, facilitam a sua eliminação pelo organismo. No entanto, eles tendem a apresentar efeitos colaterais importantes, como náuseas e enjoos, o que dificulta a adesão ao tratamento”, explica Breno Pannia Espósito, professor do Instituto de Química da USP e autor do estudo. A pesquisa é resultado do trabalho de mestrado de Julia Tiemy Leal Konno, bolsista da Fapesp sob a orientação de Espósito. No trabalho, os pesquisadores investigaram o uso de bisfosfonatos, fármacos comumente usados para osteoporose, como potenciais quelantes de ferro. No combate à osteoporose, eles atuam inibindo a reabsorção óssea. Isso tem efeito na progressão da doença já que, na osteoporose, a reabsorção óssea excede a formação óssea, causando perda progressiva de massa e densidade mineral, o que fragiliza o esqueleto e eleva o risco de fraturas. Confirmação de uma hipótese Diferentemente de estudos tradicionais de reposicionamento de fármacos, que geralmente testam diversos compostos em busca de novas aplicações, os pesquisadores tiveram como ponto de partida uma hipótese: a estrutura química dos bisfosfonatos, ricos em fosfatos, poderia se ligar ao ferro. Como ferro e cálcio competem no organismo (e o excesso de ferro pode agravar a osteoporose), os testes foram feitos em presença de níveis fisiológicos normais de cálcio. “O ferro é essencial para o transporte de oxigênio e a produção de energia nas células. Sua deficiência causa anemia ferropriva, a mais comum das anemias. Mas, em excesso, ele se torna tóxico, gerando radicais livres que danificam as células”, explica Espósito. Isso acontece porque o excesso de ferro no organismo leva a danos celulares graves por gerar muito mais radicais livres que a capacidade do organismo de neutralizá-los com antioxidantes. As doenças de sobrecarga de ferro ocorrem quando o corpo acumula esse metal em níveis tóxicos. Isso pode ser causado por condições genéticas, como a hemocromatose (absorção excessiva de ferro), ou como consequência de tratamentos para outras doenças. Para pacientes com talassemia (produção deficiente de hemoglobina), por exemplo, as mesmas transfusões de sangue que salvam suas vidas são também a fonte de uma sobrecarga crônica e tóxica de ferro. Espósito ressalta que os bisfosfonatos possuem grupos de fosfato em sua estrutura, que apresentam uma afinidade química por íons de ferro. “A ideia do nosso trabalho foi explorar essa afinidade para ‘capturar’ o excesso de ferro no organismo. Embora esses medicamentos já tenham sido usados para combater danos ósseos causados por sobrecarga de ferro, este é o primeiro estudo a propor seu uso como quelantes na ausência de doença óssea”, conta o pesquisador. Além de etidronato e tiludronato, os pesquisadores testaram outros bisfosfonatos, que se mostraram muito eficazes em inibir a oxidação provocada pelo ferro em meio fisiológico. No entanto, eles foram mais tóxicos para as células, o que exigiria cautela em um eventual reposicionamento desses fármacos. A presença de cálcio em níveis normais reduziu parcialmente a ação desses compostos, sem anulá-la. No conjunto, o desempenho foi semelhante ao de um quelante padrão, com forte capacidade de se ligar ao ferro e conter o estresse oxidativo. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Também foi testado ranelato de estrôncio, outro antirreabsortivo. No entanto, ele não apresentou capacidade de quelação. “O trabalho traz esperança para pacientes com sobrecarga de ferro, mas ainda é cedo para falar em aplicações clínicas. Como os testes foram feitos apenas em culturas celulares, os resultados representam mais uma prova de conceito do que uma descoberta. São necessários ainda muitos estudos antes que esses medicamentos possam ser reposicionados com segurança”, conclui o pesquisador. Folha SP

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Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) descobriram que dois medicamentos usados no tratamento da osteoporose (etidronato e tiludronato) podem ajudar a combater doenças causadas pelo acúmulo de ferro no organismo. Em testes realizados em células humanas, os fármacos se ligaram ao ferro em excesso, reduziram o estresse oxidativo e evitaram danos celulares. O estudo foi publicado na revista BioMetals.

“Atualmente existem apenas três medicamentos aprovados para tratar a sobrecarga de ferro, conhecidos como quelantes. Eles se ligam ao metal e, com isso, facilitam a sua eliminação pelo organismo. No entanto, eles tendem a apresentar efeitos colaterais importantes, como náuseas e enjoos, o que dificulta a adesão ao tratamento”, explica Breno Pannia Espósito, professor do Instituto de Química da USP e autor do estudo.

A pesquisa é resultado do trabalho de mestrado de Julia Tiemy Leal Konno, bolsista da Fapesp sob a orientação de Espósito.

No trabalho, os pesquisadores investigaram o uso de bisfosfonatos, fármacos comumente usados para osteoporose, como potenciais quelantes de ferro. No combate à osteoporose, eles atuam inibindo a reabsorção óssea. Isso tem efeito na progressão da doença já que, na osteoporose, a reabsorção óssea excede a formação óssea, causando perda progressiva de massa e densidade mineral, o que fragiliza o esqueleto e eleva o risco de fraturas.

Confirmação de uma hipótese

Diferentemente de estudos tradicionais de reposicionamento de fármacos, que geralmente testam diversos compostos em busca de novas aplicações, os pesquisadores tiveram como ponto de partida uma hipótese: a estrutura química dos bisfosfonatos, ricos em fosfatos, poderia se ligar ao ferro. Como ferro e cálcio competem no organismo (e o excesso de ferro pode agravar a osteoporose), os testes foram feitos em presença de níveis fisiológicos normais de cálcio.

“O ferro é essencial para o transporte de oxigênio e a produção de energia nas células. Sua deficiência causa anemia ferropriva, a mais comum das anemias. Mas, em excesso, ele se torna tóxico, gerando radicais livres que danificam as células”, explica Espósito.

Isso acontece porque o excesso de ferro no organismo leva a danos celulares graves por gerar muito mais radicais livres que a capacidade do organismo de neutralizá-los com antioxidantes.

As doenças de sobrecarga de ferro ocorrem quando o corpo acumula esse metal em níveis tóxicos. Isso pode ser causado por condições genéticas, como a hemocromatose (absorção excessiva de ferro), ou como consequência de tratamentos para outras doenças. Para pacientes com talassemia (produção deficiente de hemoglobina), por exemplo, as mesmas transfusões de sangue que salvam suas vidas são também a fonte de uma sobrecarga crônica e tóxica de ferro.

Espósito ressalta que os bisfosfonatos possuem grupos de fosfato em sua estrutura, que apresentam uma afinidade química por íons de ferro. “A ideia do nosso trabalho foi explorar essa afinidade para ‘capturar’ o excesso de ferro no organismo. Embora esses medicamentos já tenham sido usados para combater danos ósseos causados por sobrecarga de ferro, este é o primeiro estudo a propor seu uso como quelantes na ausência de doença óssea”, conta o pesquisador.

Além de etidronato e tiludronato, os pesquisadores testaram outros bisfosfonatos, que se mostraram muito eficazes em inibir a oxidação provocada pelo ferro em meio fisiológico. No entanto, eles foram mais tóxicos para as células, o que exigiria cautela em um eventual reposicionamento desses fármacos. A presença de cálcio em níveis normais reduziu parcialmente a ação desses compostos, sem anulá-la. No conjunto, o desempenho foi semelhante ao de um quelante padrão, com forte capacidade de se ligar ao ferro e conter o estresse oxidativo.

Também foi testado ranelato de estrôncio, outro antirreabsortivo. No entanto, ele não apresentou capacidade de quelação.

“O trabalho traz esperança para pacientes com sobrecarga de ferro, mas ainda é cedo para falar em aplicações clínicas. Como os testes foram feitos apenas em culturas celulares, os resultados representam mais uma prova de conceito do que uma descoberta. São necessários ainda muitos estudos antes que esses medicamentos possam ser reposicionados com segurança”, conclui o pesquisador.



Folha SP

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Sexualidade de jovens autistas: como conversar sobre – 25/02/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/sexualidade-de-jovens-autistas-como-conversar-sobre-25-02-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/sexualidade-de-jovens-autistas-como-conversar-sobre-25-02-2026-equilibrio/#respond Thu, 26 Feb 2026 04:13:32 +0000 https://folhasaude.com.br/sexualidade-de-jovens-autistas-como-conversar-sobre-25-02-2026-equilibrio/ A sexualidade de adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) ainda é tratadacomo um tabu. Muitos pais e responsáveis acreditam que falar sobre o assunto poderiaincentivar práticas sexuais precoces ou ferir a “inocência” dos filhos. No entanto, um estudo publicado em novembro na revista Ciência&Saúde Coletiva indica que evitar essa conversa pode ser mais prejudicial por abrir espaço para desinformação e riscos à saúde. Conduzida pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a revisão identificou que, apesar de pessoas autistas vivenciarem as transformações hormonais da puberdade da mesma maneira que indivíduos neurotípicos, a forma como essas mudanças são percebidas é diferente. O crescimento de pelos, a primeira menstruação e as mudanças na voz podem não ser imediatamente compreendidas, e a falta de leitura das normas sociais faz com que esses adolescentes tenham mais dificuldade para interpretar limites, privacidade e expectativas associadas ao seu corpo e ao dos outros. O despreparo para lidar com a sexualidade pode tornar esses jovens mais vulneráveis a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), gravidez não planejada, violência e até não saber identificar possíveis abusos. Esse risco é particularmente elevado entre aqueles que apresentam maior nível de suporte. Essa classificação é definida pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Psiquiátrica Americana (APA), e se baseia no grau de ajuda contínua que o indivíduo autista precisa. O nível 1 indica necessidade de baixo suporte, com dificuldades sutis de comunicação social e rigidez comportamental, mas preservando autonomia para estudar ou trabalhar. Já o nível 2 envolve uma demanda moderada, com prejuízos mais evidentes na comunicação e na adaptação a mudanças, exigindo apoio frequente no dia a dia. Por fim, o nível 3 corresponde à necessidade de suporte elevado, quando há grandes limitações na comunicação e na autonomia, tornando indispensável ajuda constante para atividades básicas e segurança. “Uma pessoa com grau elevado de suporte pode não conseguir explicar um assédio que sofreu por não saber nomear as partes do seu corpo corretamente ou por não entender o que aconteceu. É importante aprender a nomear as partes do corpo”, orienta a hebiatra Andrea Hercowitz, coordenadora do programa de pós-graduação em Medicina do Adolescente da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE). “Dizer, por exemplo, que ‘a borboleta está machucada’ pode não deixar claro o problema para pessoasque estejam conduzindo um atendimento médico.” Os desafios da educação sexual não são exclusivos de pais e responsáveis de adolescentes atípicos. Como resultado, muitos desistem de abordar esses temas com os próprios filhos, deixando a cargo do adolescente ir atrás de conhecimento, em conversas com amigos ou buscas na internet, o que os expõem ao risco de informações errôneas e abordagens inadequadas. No entanto, muitos jovens com TEA costumam apresentar um padrão social atípico que se manifesta como personalidade tímida e inibida, que os impede de conversar sobre esses assuntos com seus pares. O cenário pode ser mais complexo entre indivíduos com maior nível de suporte, já que demandam explicações diretas e adaptadas às suas necessidades cognitivas, como por meio de desenhos ou músicas. Somado a isso, aparece a infantilização. O não reconhecimento do desenvolvimento dos filhos faz com que não sejam oferecidas a eles informações importantes sobre o convívio social. “Muitos responsáveis agem como se, ao virar adulto, o indivíduo já soubesse tudo o que precisa para viver”, aponta Hercowitz. “Mas é importante destacar que, se não há preparação, os jovens ficam suscetíveis e vulneráveis a experiências que talvez nem reconheçam como relacionadas à sexualidade.” Riscos do silêncio A vulnerabilidade é um dos grandes riscos da negligência com a educação sexual. Uma meta-análise de 34 estudos internacionais, publicada em 2023 na revista Trauma, Violence & Abuse, revela que 40% dos indivíduos com autismo já foram vítimas de abuso ou violência sexual. “Infelizmente, boa parte dos casos de abuso sexual na infância ocorre dentro de casa, no ambiente familiar ou com pessoas próximas”, observa a médica Aline Veras Morais Brilhante, especialista em sexualidade humana e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Indivíduos com TEA, sobretudo aqueles com maior necessidade de suporte, ficam mais vulneráveis quando dependem do agressor.” Os problemas na comunicação e na compreensão das regras sociais também tendem a tornar crianças e adolescentes autistas vítimas mais visadas por abusadores. As dificuldades de socialização e manutenção de vínculos podem fazer com que não percebam situações de risco ou atitudes tóxicas e criem uma dependência emocional do perpetrador da violência. “Vale destacar também que, quando não falamos sobre sexualidade com o jovem, aumentamos o risco de ele próprio se tornar um agressor”, observa Brilhante. “A falta de consciência social pode levar a comportamentos inapropriados, como masturbação em público ou toques sem consentimento.” Para além do assédio de terceiros, esse tipo de situação expõe a pessoa com TEA a mais violência, dificultando sua socialização e possivelmente gerando problemas de convivência no ambiente escolar. A longo prazo, tais barreiras ampliam o risco de transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão. Diálogo transparente e progressivo A melhor maneira de evitar os problemas e riscos derivados de uma educação sexual falha é, justamente, promover o diálogo desde cedo. A orientação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) é de que a sexualidade comece a ser discutida a partir dos 5 anos, em um processo conduzido por familiares, educadores e profissionais de saúde. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar “Ninguém vai falar de relação sexual para uma criança. Nessa idade, o foco da educação sexual está em promover o conhecimento do próprio corpo, ensinando-a a identificar cada parte, como cabeça, nariz, orelhas, mamas, pênis e vagina para que ela possa, então, entender a importância do consentimento para o toque”, frisa Andrea Hercowitz. Ensine o pequeno, por exemplo, que as partes íntimas só devem ser acessadas por ele mesmo, pelos pais e responsáveis quando for a hora da higienização e por médicos durante as consultas. Também vale orientar sobre a existência da diversidade. “O contato com pessoas de diferentes cores,

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A sexualidade de adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) ainda é tratada
como um tabu. Muitos pais e responsáveis acreditam que falar sobre o assunto poderia
incentivar práticas sexuais precoces ou ferir a “inocência” dos filhos.

No entanto, um estudo publicado em novembro na revista Ciência&Saúde Coletiva indica que evitar essa conversa pode ser mais prejudicial por abrir espaço para desinformação e riscos à saúde.

Conduzida pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a revisão identificou que, apesar de pessoas autistas vivenciarem as transformações hormonais da puberdade da mesma maneira que indivíduos neurotípicos, a forma como essas mudanças são percebidas é diferente. O crescimento de pelos, a primeira menstruação e as mudanças na voz podem não ser imediatamente compreendidas, e a falta de leitura das normas sociais faz com que esses adolescentes tenham mais dificuldade para interpretar limites, privacidade e expectativas associadas ao seu corpo e ao dos outros.

O despreparo para lidar com a sexualidade pode tornar esses jovens mais vulneráveis a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), gravidez não planejada, violência e até não saber identificar possíveis abusos. Esse risco é particularmente elevado entre aqueles que apresentam maior nível de suporte. Essa classificação é definida pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Psiquiátrica Americana (APA), e se baseia no grau de ajuda contínua que o indivíduo autista precisa.

O nível 1 indica necessidade de baixo suporte, com dificuldades sutis de comunicação social e rigidez comportamental, mas preservando autonomia para estudar ou trabalhar. Já o nível 2 envolve uma demanda moderada, com prejuízos mais evidentes na comunicação e na adaptação a mudanças, exigindo apoio frequente no dia a dia. Por fim, o nível 3 corresponde à necessidade de suporte elevado, quando há grandes limitações na comunicação e na autonomia, tornando indispensável ajuda constante para atividades básicas e segurança.

“Uma pessoa com grau elevado de suporte pode não conseguir explicar um assédio que sofreu por não saber nomear as partes do seu corpo corretamente ou por não entender o que aconteceu. É importante aprender a nomear as partes do corpo”, orienta a hebiatra Andrea Hercowitz, coordenadora do programa de pós-graduação em Medicina do Adolescente da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE).

“Dizer, por exemplo, que ‘a borboleta está machucada’ pode não deixar claro o problema para pessoas
que estejam conduzindo um atendimento médico.”

Os desafios da educação sexual não são exclusivos de pais e responsáveis de adolescentes atípicos. Como resultado, muitos desistem de abordar esses temas com os próprios filhos, deixando a cargo do adolescente ir atrás de conhecimento, em conversas com amigos ou buscas na internet, o que os expõem ao risco de informações errôneas e abordagens inadequadas.

No entanto, muitos jovens com TEA costumam apresentar um padrão social atípico que se manifesta como personalidade tímida e inibida, que os impede de conversar sobre esses assuntos com seus pares. O cenário pode ser mais complexo entre indivíduos com maior nível de suporte, já que demandam explicações diretas e adaptadas às suas necessidades cognitivas, como por meio de desenhos ou músicas.

Somado a isso, aparece a infantilização. O não reconhecimento do desenvolvimento dos filhos faz com que não sejam oferecidas a eles informações importantes sobre o convívio social. “Muitos responsáveis agem como se, ao virar adulto, o indivíduo já soubesse tudo o que precisa para viver”, aponta Hercowitz.

“Mas é importante destacar que, se não há preparação, os jovens ficam suscetíveis e vulneráveis a experiências que talvez nem reconheçam como relacionadas à sexualidade.”

Riscos do silêncio

A vulnerabilidade é um dos grandes riscos da negligência com a educação sexual. Uma meta-análise de 34 estudos internacionais, publicada em 2023 na revista Trauma, Violence & Abuse, revela que 40% dos indivíduos com autismo já foram vítimas de abuso ou violência sexual.

“Infelizmente, boa parte dos casos de abuso sexual na infância ocorre dentro de casa, no ambiente familiar ou com pessoas próximas”, observa a médica Aline Veras Morais Brilhante, especialista em sexualidade humana e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Indivíduos com TEA, sobretudo aqueles com maior necessidade de suporte, ficam mais vulneráveis quando dependem do agressor.”

Os problemas na comunicação e na compreensão das regras sociais também tendem a tornar crianças e adolescentes autistas vítimas mais visadas por abusadores. As dificuldades de socialização e manutenção de vínculos podem fazer com que não percebam situações de risco ou atitudes tóxicas e criem uma dependência emocional do perpetrador da violência.

“Vale destacar também que, quando não falamos sobre sexualidade com o jovem, aumentamos o risco de ele próprio se tornar um agressor”, observa Brilhante. “A falta de consciência social pode levar a comportamentos inapropriados, como masturbação em público ou toques sem consentimento.”

Para além do assédio de terceiros, esse tipo de situação expõe a pessoa com TEA a mais violência, dificultando sua socialização e possivelmente gerando problemas de convivência no ambiente escolar. A longo prazo, tais barreiras ampliam o risco de transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão.

Diálogo transparente e progressivo

A melhor maneira de evitar os problemas e riscos derivados de uma educação sexual falha é, justamente, promover o diálogo desde cedo. A orientação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) é de que a sexualidade comece a ser discutida a partir dos 5 anos, em um processo conduzido por familiares, educadores e profissionais de saúde.

“Ninguém vai falar de relação sexual para uma criança. Nessa idade, o foco da educação sexual está em promover o conhecimento do próprio corpo, ensinando-a a identificar cada parte, como cabeça, nariz, orelhas, mamas, pênis e vagina para que ela possa, então, entender a importância do consentimento para o toque”, frisa Andrea Hercowitz.

Ensine o pequeno, por exemplo, que as partes íntimas só devem ser acessadas por ele mesmo, pelos pais e responsáveis quando for a hora da higienização e por médicos durante as consultas.

Também vale orientar sobre a existência da diversidade. “O contato com pessoas de diferentes cores, tipos de corpos, gêneros e sexualidades naturaliza a diferença, e impede que eles cresçam com desconhecimentos e preconceitos”, afirma a hebiatra do Einstein.

Toda essa conversa pode ser feita de maneira lúdica, com brincadeiras e livros. “Quando falamos de pessoas neurodivergentes, a educação sexual precisa se adequar ao nível de suporte, às dificuldades, ao estilo de aprendizagem e ao perfil sensorial de cada uma”, explica a professora da UFC.

Algumas crianças podem entender melhor se a comunicação for feita por meio de desenhos, outras por música ou formas de massinha. “Não existe uma regra geral, é preciso entender como acessar cada indivíduo.”

Conforme a criança cresce, o diálogo sobre sexualidade também precisa ganhar mais complexidade. Com o início da puberdade, é normal que surjam curiosidades sobre o próprio corpo, já que algumas regiões ganham mais sensibilidade, e que cresça o interesse pelo corpo alheio. Essa é a hora de explicar sobre o funcionamento do sistema reprodutor e genital, como o que fazem ovário, útero, testículos etc. Tanto as garotas quanto os garotos devem participar dessa conversa, de preferência em idades que precedem a primeira menstruação ou ejaculação.

Passadas todas essas fases, chega a hora de falar de sexo. Como cada adolescente tem uma trajetória única, não existe uma idade certa. Para saber se seu filho pode já estar nessa etapa, pergunte se já beijou, se está se relacionando com alguém e se teve algum tipo de contato íntimo. A partir dessa referência, será possível orientar corretamente sobre sua sexualidade e os cuidados que deve tomar dali em diante.

Não deixe de alertar sobre métodos preventivos, como o uso de contraceptivos e camisinha, além da importância de fazer testes regularmente. Caso não se sinta seguro para fornecer essas orientações sozinho, marque uma consulta com um médico especialista, que poderá tirar as dúvidas do seu filho. “Não adianta evitar o assunto.

Quando chegar o momento, o adolescente vai viver sua sexualidade. Então, é melhor que faça isso com conhecimento e proteção”, pondera Hercowitz. “A educação sexual garante uma vivência da sexualidade
mais saudável, respeitosa e prazerosa.”



Folha SP

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Saiba prós e contras dos treinos ao ar livre – 24/02/2026 – Equilíbrio https://folhasaude.com.br/saiba-pros-e-contras-dos-treinos-ao-ar-livre-24-02-2026-equilibrio/ https://folhasaude.com.br/saiba-pros-e-contras-dos-treinos-ao-ar-livre-24-02-2026-equilibrio/#respond Wed, 25 Feb 2026 04:12:21 +0000 https://folhasaude.com.br/saiba-pros-e-contras-dos-treinos-ao-ar-livre-24-02-2026-equilibrio/ Há quem prefira praticar exercícios ao ar livre, em vez do ambiente luminoso e barulho das academias. Essa escolha tem diversas vantagens, mas também exige certo planejamento para minimizar riscos à saúde. “Treinar ao ar livre pode trazer benefícios como a melhora do bem-estar mental ao se aproximar da natureza e a melhor produção de vitamina D. Entretanto, temos que tomar alguns cuidados”, afirma o cardiologista e médico do esporte Leandro Echenique, do Einstein Hospital Israelita. “Nelas há maior exposição solar combinada com menor disponibilidade de água, o que aumenta o risco de desidratação e estresse térmico.” A decisão entre espaços abertos ou academias fechadas deve considerar condições térmicas, além do nível de adaptação do organismo ao esforço físico. O público que mais deve ter atenção são crianças e idosos. No caso dos pequenos, eles sofrem por não se atentarem aos sinais de indisposição que a exposição ao calor pode gerar, além de desidratarem com menor velocidade. Já os idosos sentem menos sede e tendem a se hidratar menos, além de suarem menos, o que os faz mais predispostos a quadros graves de estresse térmico. Pessoas com doenças cardiovasculares, como pressão alta, também devem ficar mais atentas, já que a temperatura e o nível de hidratação afetam a circulação sanguínea. Como o esforço sob calor intenso impõe maior carga ao sistema cardiovascular, a realização de exercícios ao ar livre deve ser feita preferencialmente antes das 9h ou após as 18h. O uso de boné, protetor solar e roupas leves e claras também reduz os impactos do calor. E não deixe para beber água apenas quando sentir sede: consuma ao menos 500 ml antes da prática e vá se reidratando ao longo dela, idealmente bebendo ao menos 250 ml a cada hora de exposição. “É importante ficar de olho na temperatura. Pessoas que se exercitam em dias muito quentes podem apresentar fadiga precoce e queda de desempenho, queimaduras solares e até cãibras”, diz Echenique. “Ao ter qualquer um desses sintomas, como falta de ar, tontura e cansaço excessivo, a recomendação é parar imediatamente, buscar sombra e ambiente fresco, hidratar-se bem e, se os sintomas persistirem ou se agravarem, procurar atendimento médico de urgência”, afirma o cardiologista. Em dias de calor extremo, a insolação pode levar a elevação da temperatura corporal acima de 40 °C, configurando uma emergência médica potencialmente fatal. Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos e variar conforme o contexto, incluindo sede, mal-estar e alterações da sudorese, mas a evolução pode ser rápida e abrupta. Na ausência de atendimento imediato, manifestações como náusea e tontura podem progredir para sinais neurológicos graves, como confusão mental, cefaleia intensa, vômitos, síncope e até convulsões. Palpitações e a interrupção súbita da transpiração são frequentemente subestimados e estão associados a pior prognóstico. Além dos efeitos associados ao calor, é preciso ter atenção a outro perigo: ultrapassar os próprios limites. Em busca de resultados rápidos e de melhora acelerada do condicionamento físico, muitas pessoas aumentam de forma abrupta tanto a carga quanto a frequência dos treinos. “Temos muita gente tentando cumprir suas metas de ano novo, muitas vezes também como resultado de uma pressão social. O grande problema disso é que o entusiasmo inicial supera a noção realista da condição física atual e da necessidade de evolução gradativa, aumentando muito o risco de lesões, torções e fraturas por conta desses exageros”, diz Echenique. Lesões musculares aparecem com frequência nesse contexto, principalmente na coxa, panturrilha e região lombar, já que muitas das atividades ao ar livre envolvem caminhadas ou passeios de bicicleta. Tendinites e torções também podem aparecer, além as temidas fraturas. A orientação para quem está começando uma rotina de atividades é ter paciência. “Sair do sedentarismo é uma meta a ser atingida. Os benefícios da atividade física são inúmeros e sempre são maiores que os riscos que podem surgir com o aumento da intensidade do exercício, mas é recomendado fazer uma avaliação médica antes de começar a prática e ir devagar no começo”, afirma o cardiologista. Para quem era sedentário, a frequência inicial indicada é não fazer mais do que três sessões de exercício semanais e tentar fazer meia hora de treino por dia, para criar o hábito e permitir o fortalecimento muscular que leva à adaptação do corpo à prática. “O aumento do volume deve ocorrer de maneira progressiva, respeitando respostas individuais ao esforço”, diz Echenique. Mova-se Quer praticar exercícios? Receba uma newsletter com quatro treinos para começar Folha SP

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Há quem prefira praticar exercícios ao ar livre, em vez do ambiente luminoso e barulho das academias. Essa escolha tem diversas vantagens, mas também exige certo planejamento para minimizar riscos à saúde.

“Treinar ao ar livre pode trazer benefícios como a melhora do bem-estar mental ao se aproximar da natureza e a melhor produção de vitamina D. Entretanto, temos que tomar alguns cuidados”, afirma o cardiologista e médico do esporte Leandro Echenique, do Einstein Hospital Israelita.

“Nelas há maior exposição solar combinada com menor disponibilidade de água, o que aumenta o risco de desidratação e estresse térmico.”

A decisão entre espaços abertos ou academias fechadas deve considerar condições térmicas, além do nível de adaptação do organismo ao esforço físico. O público que mais deve ter atenção são crianças e idosos. No caso dos pequenos, eles sofrem por não se atentarem aos sinais de indisposição que a exposição ao calor pode gerar, além de desidratarem com menor velocidade.

Já os idosos sentem menos sede e tendem a se hidratar menos, além de suarem menos, o que os faz mais predispostos a quadros graves de estresse térmico. Pessoas com doenças cardiovasculares, como pressão alta, também devem ficar mais atentas, já que a temperatura e o nível de hidratação afetam a circulação sanguínea.

Como o esforço sob calor intenso impõe maior carga ao sistema cardiovascular, a realização de exercícios ao ar livre deve ser feita preferencialmente antes das 9h ou após as 18h. O uso de boné, protetor solar e roupas leves e claras também reduz os impactos do calor. E não deixe para beber água apenas quando sentir sede: consuma ao menos 500 ml antes da prática e vá se reidratando ao longo dela, idealmente bebendo ao menos 250 ml a cada hora de exposição.

“É importante ficar de olho na temperatura. Pessoas que se exercitam em dias muito quentes podem apresentar fadiga precoce e queda de desempenho, queimaduras solares e até cãibras”, diz Echenique.

“Ao ter qualquer um desses sintomas, como falta de ar, tontura e cansaço excessivo, a recomendação é parar imediatamente, buscar sombra e ambiente fresco, hidratar-se bem e, se os sintomas persistirem ou se agravarem, procurar atendimento médico de urgência”, afirma o cardiologista.

Em dias de calor extremo, a insolação pode levar a elevação da temperatura corporal acima de 40 °C, configurando uma emergência médica potencialmente fatal. Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos e variar conforme o contexto, incluindo sede, mal-estar e alterações da sudorese, mas a evolução pode ser rápida e abrupta.

Na ausência de atendimento imediato, manifestações como náusea e tontura podem progredir para sinais neurológicos graves, como confusão mental, cefaleia intensa, vômitos, síncope e até convulsões. Palpitações e a interrupção súbita da transpiração são frequentemente subestimados e estão associados a pior prognóstico.

Além dos efeitos associados ao calor, é preciso ter atenção a outro perigo: ultrapassar os próprios limites. Em busca de resultados rápidos e de melhora acelerada do condicionamento físico, muitas pessoas aumentam de forma abrupta tanto a carga quanto a frequência dos treinos.

“Temos muita gente tentando cumprir suas metas de ano novo, muitas vezes também como resultado de uma pressão social. O grande problema disso é que o entusiasmo inicial supera a noção realista da condição física atual e da necessidade de evolução gradativa, aumentando muito o risco de lesões, torções e fraturas por conta desses exageros”, diz Echenique.

Lesões musculares aparecem com frequência nesse contexto, principalmente na coxa, panturrilha e região lombar, já que muitas das atividades ao ar livre envolvem caminhadas ou passeios de bicicleta. Tendinites e torções também podem aparecer, além as temidas fraturas.

A orientação para quem está começando uma rotina de atividades é ter paciência.

“Sair do sedentarismo é uma meta a ser atingida. Os benefícios da atividade física são inúmeros e sempre são maiores que os riscos que podem surgir com o aumento da intensidade do exercício, mas é recomendado fazer uma avaliação médica antes de começar a prática e ir devagar no começo”, afirma o cardiologista.

Para quem era sedentário, a frequência inicial indicada é não fazer mais do que três sessões de exercício semanais e tentar fazer meia hora de treino por dia, para criar o hábito e permitir o fortalecimento muscular que leva à adaptação do corpo à prática.

“O aumento do volume deve ocorrer de maneira progressiva, respeitando respostas individuais ao esforço”, diz Echenique.



Folha SP

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Saiba como se proteger da mpox – 23/02/2026 – Equilíbrio e Saúde https://folhasaude.com.br/saiba-como-se-proteger-da-mpox-23-02-2026-equilibrio-e-saude/ https://folhasaude.com.br/saiba-como-se-proteger-da-mpox-23-02-2026-equilibrio-e-saude/#respond Tue, 24 Feb 2026 04:01:11 +0000 https://folhasaude.com.br/saiba-como-se-proteger-da-mpox-23-02-2026-equilibrio-e-saude/ O Brasil registrou 81 casos de mpox desde o início de 2026, sendo que 57 deles estão em São Paulo, segundo dados do Ministério da Saúde. Não há registro de óbitos até o momento. Os demais casos foram confirmados no Rio de Janeiro (13), Distrito Federal (1), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2) e Paraná (1). Em 2025, foram registrados no país 1.079 casos e duas mortes. Em janeiro, a Folha mostrou que dois dos casos de São Paulo eram do clado 1b, uma subvariante do clado 1 da doença. No caso da mpox, o clado 1 é historicamente associado a quadros mais graves. Neste mês, a OMS (Organização Mundial da Saúde) detectou dois casos, um na Índia e outro no Reino Unido, de uma nova variante do mpox que é uma cepa recombinante dos clados 1b e 2b. Segundo a OMS, ambos os casos tiveram sintomas clínicos similares aos demais clados e nenhum paciente teve prognóstico grave. O comunicado da organização afirma que a avaliação de risco para a mpox permanece o mesmo: moderado para homens que fazem sexo com outros homens e/ou múltiplos parceiros, trabalhadores do sexo e demais pessoas com parceiros sexuais casuais; e baixo para a população geral sem fatores de risco específicos. Já em São Paulo, embora o número seja expressivo em relação ao restante do país, não é alarmante se comparado aos números de 2025. Segundo dados da Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo, no ano passado, foram registrados 79 casos em janeiro e 47 em fevereiro, totalizando 126 casos nos dois primeiros meses do ano. O Ministério da Saúde afirma que segue com vigilância ativa e que o SUS (Sistema Único de Saúde) está equipado para identificação precoce, manejo clínico adequado e acompanhamento dos pacientes. O que é a mpox? A mpox, anteriormente conhecida como “monkeypox” (varíola dos macacos, em português), é uma infecção causada pelo vírus Mpox, que pertence à família do gênero orthopoxvirus, o mesmo da varíola, explica infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana. Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Se evoluir para a chamada fase eruptiva, surgem também lesões na pele que podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas de mão e do pé e mucosa. Segundo a médica, casos graves podem evoluir com manifestações neurológicas e oculares. O vírus que causa a mpox se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum. Os clados 1 e 2 se dividem em dois subclados: 1a e 1b, 2a e 2b. “Essa avaliação indica a circulação do vírus”, diz o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e assistente no pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. “Classicamente, o 1a circula entre países da África Central e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos.” Os sintomas causados pelo clado 1b tendem a ser mais exacerbados em pessoas mais vulneráveis ao vírus, com déficit de imunidade, complementa. Como a doença é transmitida? A principal forma de transmissão da doença é entre seres humanos, afirma Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis. Segundo ele, é raro a transmissão vinda de um animal, sendo o mais comum ser do contato próximo entre pessoas, com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e objetos pessoais contaminados. “O vírus penetra no ser humano através de lesões de pele, mesmo que essas lesões não sejam visíveis. Pode penetrar raramente pelo trato respiratório, membranas mucosas, como nos olhos, boca e nariz”, diz Furtado. Outra via de transmissão em debate, afirma, é a vertical via placentária, a chamada mpox congênita. A transmissão sexual também é possível, afirma o médico, tendo ocorrido de forma mais frequente entre homens que fazem sexo com outros homens. No entanto, o risco não é restrito a esse grupo e pode acontecer com qualquer pessoa que tenha contato com a lesão com mucosas ou lesões cutâneas. A doença também pode ser transmitida mesmo antes de se apresentar qualquer tipo de sintoma ou por pacientes assintomáticos, explica Falci. O que posso fazer para prevenir a contaminação? Para Furtado, a medida protetiva mais importante é evitar o contato corporal pele a pele. Além disso, as pessoas que tiverem as manifestações clínicas da doença devem ficar afastadas durante o período de transmissibilidade, que corresponde ao período em que as lesões estão ativas, diz. Outra forma de prevenção eficaz é a vacinação da população. O Ministério da Saúde afirma que realizou a aquisição emergencial da vacina para pessoas que vivem com HIV/Aids e que possuem CD4 entre 100 e 200 células, usuários de PrEP e profissionais de saúde que manipulem amostras do vírus. No entanto, Pinheiro diz que as vacinas têm sido insuficientes. “Temos observado no dia a dia um aumento no número de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil. O Carnaval, que comumente tende a apresentar um maior contato físico entre as pessoas, nos deixa em estado de alerta”, afirma. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar Falci indica também mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais e o uso de equipamento de proteção por profissionais de saúde em ambientes hospitalares, além da higiene rigorosa do ambiente em que o paciente foi atendido. O Ministério da Saúde recomenda a adoção de medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos e, em caso de sintomas ou suspeita de contato próximo com casos suspeitos ou confirmados, que se procure uma unidade de saúde para avaliação clínica e isolamento até avaliação médica. Folha SP

O post Saiba como se proteger da mpox – 23/02/2026 – Equilíbrio e Saúde apareceu primeiro em Folha - Saúde.

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O Brasil registrou 81 casos de mpox desde o início de 2026, sendo que 57 deles estão em São Paulo, segundo dados do Ministério da Saúde. Não há registro de óbitos até o momento.

Os demais casos foram confirmados no Rio de Janeiro (13), Distrito Federal (1), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2) e Paraná (1). Em 2025, foram registrados no país 1.079 casos e duas mortes.

Em janeiro, a Folha mostrou que dois dos casos de São Paulo eram do clado 1b, uma subvariante do clado 1 da doença. No caso da mpox, o clado 1 é historicamente associado a quadros mais graves.

Neste mês, a OMS (Organização Mundial da Saúde) detectou dois casos, um na Índia e outro no Reino Unido, de uma nova variante do mpox que é uma cepa recombinante dos clados 1b e 2b.

Segundo a OMS, ambos os casos tiveram sintomas clínicos similares aos demais clados e nenhum paciente teve prognóstico grave. O comunicado da organização afirma que a avaliação de risco para a mpox permanece o mesmo: moderado para homens que fazem sexo com outros homens e/ou múltiplos parceiros, trabalhadores do sexo e demais pessoas com parceiros sexuais casuais; e baixo para a população geral sem fatores de risco específicos.

Já em São Paulo, embora o número seja expressivo em relação ao restante do país, não é alarmante se comparado aos números de 2025.

Segundo dados da Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo, no ano passado, foram registrados 79 casos em janeiro e 47 em fevereiro, totalizando 126 casos nos dois primeiros meses do ano.

O Ministério da Saúde afirma que segue com vigilância ativa e que o SUS (Sistema Único de Saúde) está equipado para identificação precoce, manejo clínico adequado e acompanhamento dos pacientes.

O que é a mpox?

A mpox, anteriormente conhecida como “monkeypox” (varíola dos macacos, em português), é uma infecção causada pelo vírus Mpox, que pertence à família do gênero orthopoxvirus, o mesmo da varíola, explica infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana.

Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Se evoluir para a chamada fase eruptiva, surgem também lesões na pele que podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas de mão e do pé e mucosa. Segundo a médica, casos graves podem evoluir com manifestações neurológicas e oculares.

O vírus que causa a mpox se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum. Os clados 1 e 2 se dividem em dois subclados: 1a e 1b, 2a e 2b.

“Essa avaliação indica a circulação do vírus”, diz o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e assistente no pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. “Classicamente, o 1a circula entre países da África Central e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos.” Os sintomas causados pelo clado 1b tendem a ser mais exacerbados em pessoas mais vulneráveis ao vírus, com déficit de imunidade, complementa.

Como a doença é transmitida?

A principal forma de transmissão da doença é entre seres humanos, afirma Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis. Segundo ele, é raro a transmissão vinda de um animal, sendo o mais comum ser do contato próximo entre pessoas, com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e objetos pessoais contaminados.

“O vírus penetra no ser humano através de lesões de pele, mesmo que essas lesões não sejam visíveis. Pode penetrar raramente pelo trato respiratório, membranas mucosas, como nos olhos, boca e nariz”, diz Furtado. Outra via de transmissão em debate, afirma, é a vertical via placentária, a chamada mpox congênita.

A transmissão sexual também é possível, afirma o médico, tendo ocorrido de forma mais frequente entre homens que fazem sexo com outros homens. No entanto, o risco não é restrito a esse grupo e pode acontecer com qualquer pessoa que tenha contato com a lesão com mucosas ou lesões cutâneas.

A doença também pode ser transmitida mesmo antes de se apresentar qualquer tipo de sintoma ou por pacientes assintomáticos, explica Falci.

O que posso fazer para prevenir a contaminação?

Para Furtado, a medida protetiva mais importante é evitar o contato corporal pele a pele. Além disso, as pessoas que tiverem as manifestações clínicas da doença devem ficar afastadas durante o período de transmissibilidade, que corresponde ao período em que as lesões estão ativas, diz.

Outra forma de prevenção eficaz é a vacinação da população. O Ministério da Saúde afirma que realizou a aquisição emergencial da vacina para pessoas que vivem com HIV/Aids e que possuem CD4 entre 100 e 200 células, usuários de PrEP e profissionais de saúde que manipulem amostras do vírus.

No entanto, Pinheiro diz que as vacinas têm sido insuficientes. “Temos observado no dia a dia um aumento no número de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil. O Carnaval, que comumente tende a apresentar um maior contato físico entre as pessoas, nos deixa em estado de alerta”, afirma.

Falci indica também mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais e o uso de equipamento de proteção por profissionais de saúde em ambientes hospitalares, além da higiene rigorosa do ambiente em que o paciente foi atendido.

O Ministério da Saúde recomenda a adoção de medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos e, em caso de sintomas ou suspeita de contato próximo com casos suspeitos ou confirmados, que se procure uma unidade de saúde para avaliação clínica e isolamento até avaliação médica.



Folha SP

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