New Delhi, India, 19 December 2025—A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou oficialmente a Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS durante a 2ª Cimeira Global de Medicina Tradicional da OMS, realizada de 17 a 19 de dezembro de 2025 em Nova Deli, Índia.
A Biblioteca, desenvolvida pelo Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME) da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em coordenação com o Centro Global de Medicina Tradicional da OMS, constitui um novo recurso global de informação destinado a fortalecer a medicina tradicional, complementar e integrativa (MTCI) nos sistemas de saúde. A sua abordagem reúne conhecimentos tradicionais, provas científicas e transformação digital para apoiar políticas públicas mais equitativas e culturalmente adequadas e para fortalecer os sistemas de saúde.
Esta iniciativa representa um passo estratégico na articulação do conhecimento tradicional, das evidências científicas e da transformação digital para apoiar políticas públicas mais equitativas e culturalmente apropriadas destinadas a fortalecer os sistemas de saúde. Está fundamentado na Declaração de Gujarat (2023) e alinhado com a Estratégia Global de Medicina Tradicional da OMS 2025–2034.
Conhecimento tradicional, evidência científica e equidade em saúde
Em todo o mundo, milhares de milhões de pessoas dependem de práticas tradicionais, indígenas, complementares e integrativas para a promoção da saúde, prevenção de doenças e cuidados maternos, neonatais, mentais e comunitários. Em muitos contextos, estas práticas constituem o principal caminho para os cuidados de saúde, especialmente para os Povos Indígenas, comunidades rurais e populações em situações vulneráveis.
Apesar da sua relevância, os decisores políticos, os profissionais de saúde e os investigadores ainda enfrentam desafios significativos no acesso, organização e avaliação de informações e evidências relacionadas com as MTCI de uma forma segura, eficaz, económica e culturalmente apropriada. A Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS aborda este desafio oferecendo uma plataforma digital confiável, estruturada e inclusiva que reúne conhecimentos ancestrais e ciência contemporânea em apoio à saúde pública.
Segundo João Paulo Souza, Diretor da BIREME e Editor-Chefe da Biblioteca, a iniciativa está se consolidando como um bem público global, destinado a apoiar políticas, regulação, pesquisa e prática clínica nacionais, com foco na equidade, na diversidade dos sistemas de saúde e no respeito à propriedade intelectual coletiva dos Povos Indígenas e das comunidades locais. “Alcançar o mais alto padrão possível de saúde e bem-estar para todos requer abraçar a complexidade da saúde como um estado multidimensional enraizado na harmonia entre o indivíduo, a comunidade e o meio ambiente”, afirmou João Paulo durante o lançamento.
Sobre a Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS
A Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS é um recurso de informação digital inclusivo e especializado desenvolvido em colaboração com os Estados-Membros da OMS, organizações da sociedade civil, redes profissionais, instituições académicas e iniciativas em todas as regiões da OMS.
A sua arquitetura compreende um portal global, seis portais regionais correspondentes às regiões da OMS e páginas específicas de cada país para 194 países, permitindo o acesso à informação de acordo com os contextos nacionais, regionais e temáticos. Atualmente, a Biblioteca reúne:
- Mais de 1,6 milhão de registros, incluindo mais de 1 milhão de documentos de texto completo de bases de dados como MEDLINE, LILACS e outros repositórios internacionais;
- 112 bases de dados e 178 periódicos especializados em medicina tradicional, complementar e integrativa;
- Acesso a publicações científicas, repositórios digitais, revisões de literatura, mapas de evidências e outros recursos para decisores políticos, profissionais de saúde, praticantes de MTCI, investigadores e público em geral.
Páginas temáticas especializadas
A Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS organiza parte do seu conteúdo em páginas temáticas especializadas que abrangem diferentes áreas da saúde. A primeira página temática publicada —desenvolvida em colaboração com a OPAS— está disponível desde o pré-lançamento do portal e é dedicada à assistência tradicional ao parto nas Américas.
Para Gerry Eijkemans, Diretor do Departamento de Determinantes Sociais e Ambientais para a Equidade em Saúde da OPAS, a iniciativa contribui para reconhecer, valorizar e preservar conhecimentos ancestrais que historicamente sustentaram práticas de cuidado fundamentais para a saúde materna e neonatal e para o bem-estar comunitário. “A assistência tradicional ao parto representa uma das expressões mais antigas e profundas do conhecimento dos povos, e o seu reconhecimento é essencial para fortalecer sistemas de saúde mais equitativos e culturalmente sensíveis”, observou ela.
Também estão disponíveis sete páginas especializadas adicionais dedicadas às práticas indianas do sistema AYUSH (Ayurveda, Yoga, Naturopatia, Unani, Siddha, Sowa-Rigpa e Homeopatia). Este modelo de desenvolvimento, implementado através de uma abordagem de cocriação envolvendo equipas técnicas, comunidades e profissionais, fortalece a visibilidade das práticas tradicionais, promove o diálogo intercultural e inspira a criação de novas páginas temáticas em diferentes regiões do mundo.
Inovação digital e acesso equitativo à informação
Para apoiar a tomada de decisões baseada em evidências, a Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS incorpora ferramentas digitais inovadoras que expandem o uso estratégico do conhecimento em políticas e práticas de saúde, incluindo Mapas de Evidências, catálogos de bases de dados e TMGL GPT, um modelo de inteligência artificial desenvolvido para apoiar a organização, pesquisa e análise de informações relacionadas com MTCI.
A iniciativa beneficia também de uma parceria com a Research4Life, que proporciona acesso gratuito ou de baixo custo a informação científica e técnica a instituições elegíveis em países de baixo e médio rendimento, expandindo assim o acesso global ao conhecimento em saúde.