Os novos CORAÇÕES Qualidade Framework, publicado no The Lancet, fornece estratégias para fortalecer os cuidados cardiovasculares nas Américas, prevenindo potencialmente até 400.000 mortes até 2030.
Washington, DC, 15 December 2025 (Transmissão)- A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançou o novo Quadro de Qualidade HEARTS, um guia prático publicado na The Lancet Regional Health – Americas, que os países podem utilizar imediatamente para melhorar a gestão da hipertensão e do risco cardiovascular, prevenir ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais e prestar melhores cuidados através de cuidados de saúde primários nas suas comunidades.
Nas Américas, as doenças cardíacas e os acidentes vasculares cerebrais ceifam mais de 2,2 milhões de vidas todos os anos, e muitas das vítimas são pessoas nos seus anos mais produtivos. A hipertensão arterial – conhecida como “assassina silenciosa” – é o principal fator de risco, afetando quase quatro em cada dez adultos em toda a região. Apesar da disponibilidade de tratamentos acessíveis e eficazes, apenas uma em cada três pessoas com hipertensão tem a sua condição sob controlo.
“A hipertensão continua a ser a ameaça à saúde mais mortal do mundo, mas também uma das mais controláveis”, afirmou Dr. Jarbas Barbosa, Diretor da OPAS. “Este quadro não é apenas mais um documento político – é o manual que já salva vidas em milhares de clínicas de saúde comunitárias. Se os países o adoptarem e o ampliarem, poderemos prevenir milhões de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais durante a próxima década”.
O novo Quadro de Qualidade HEARTS traduz experiências do mundo real num modelo testado para superar barreiras que impedem milhões de pessoas de obter os cuidados de que necessitam. Estes incluem medições imprecisas da pressão arterial devido a equipamentos desatualizados, disponibilidade limitada de medicamentos essenciais, tratamentos abaixo do ideal e visitas mensais desnecessárias para renovar prescrições.
HEARTS nas Américas é o mais extenso do mundo adaptação da iniciativa global HEARTS da Organização Mundial da Saúde (OMS) e está agora ativa em 33 países, alcançando quase 10.000 unidades de cuidados primários, com mais de seis milhões de pessoas tratadas através de protocolos de tratamento padronizados. Quando totalmente implementado, seis em cada dez pacientes conseguem controlar a pressão arterial – quase o dobro da média regional.
Este quadro transforma estes sucessos comprovados num modelo estruturado que qualquer país pode adoptar e adaptar às suas necessidades. Estabelece estratégias concretas, como a obrigatoriedade do uso de monitores de pressão arterial automatizados e confiáveis; garantir um fornecimento constante de medicamentos de qualidade a preços acessíveis através de aquisições conjuntas; permitindo prescrições de vários meses; e capacitar enfermeiros treinados para ajustar as doses dos medicamentos. Também propõe ferramentas simples de monitoramento mensal para que os profissionais de saúde possam acompanhar os resultados dos pacientes e fazer os ajustes necessários nos cuidados.
Combinadas, estas estratégias apoiam a “meta 80-80-80” para o controlo da pressão arterial: 80% das pessoas com hipertensão são diagnosticadas, 80% das pessoas diagnosticadas são tratadas e 80% das pessoas tratadas estão a conseguir controlar a pressão arterial. “Alcançar esta meta poderia evitar mais de 400.000 mortes e 2,4 milhões de hospitalizações até 2030 nas Américas”, explicou o Dr. Pedro Orduñez, autor correspondente e Conselheiro Sênior da OPAS para Doenças Cardiovasculares.
“Instamos os ministérios da saúde, os legisladores e os prestadores de cuidados de saúde a adoptarem o Quadro de Qualidade HEARTS”, disse o Dr. Anselm Hennis, Director do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS. “Ao nos comprometermos com este modelo, podemos prestar melhores cuidados às doenças não transmissíveis (DNT), salvar milhões de vidas e fortalecer os cuidados de saúde primários em todas as Américas.”
Resultados comprovados em toda a Região
A abordagem HEARTS já está transformando os cuidados com hipertensão e risco cardiovascular. Em Matanzas, Cuba, as taxas de controle aumentaram de 36% para 58% em um ano, enquanto no Chile, o controle da hipertensão aumentou de 37% para 65%. Análises adicionais destacaram o retorno económico do investimento, com o programa a pagar-se em menos de dois anos, evitando eventos cardíacos dispendiosos. Comunidades na Colômbia, no México, em Trinidad e Tobago e em outros países alcançaram, de forma semelhante, maiores taxas de controle da pressão arterial após a adoção dos padrões de cuidados HEARTS.
Na República DominicanaHEARTS é uma prioridade do governo, proporcionando tratamento gratuito para milhões. El Salvador expandiu o HEARTS em toda a sua rede de cuidados de saúde primários, alcançando taxas de controle de quase 70%, e o México também iniciou implementação do programa em todo o país.
“Esses resultados mostram que o controle da hipertensão e o gerenciamento do risco cardiovascular em grande escala são possíveis”, disse Dr. Esteban Londonoautor principal e consultor internacional da OPAS em doenças não transmissíveis. “Os cuidados de saúde primários baseados em percursos clínicos padronizados, medicamentos fiáveis, cuidados baseados em equipa e ferramentas de melhoria da qualidade podem gerar impacto que salva vidas para milhões de pessoas.”